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O ano anterior foi de expectativas frustradas. 1974 começou com saída de Zagallo. E o novo técnico Joubert confirma Zico no time

Por Gustavo Roman

O ano de 1973 não foi dos melhores para o Flamengo. O time perdeu o Campeonato Carioca para o Fluminense e fracassou no Torneio do Povo e no Brasileiro com uma campanha bem fraca, sem ficar entre as 20 classificadas para a segunda fase. E olha que eram 40 participantes.

Além disso, o técnico Zagallo tinha que dividir a atenção com a Seleção Brasileira que se preparava para a Copa da Alemanha. A única alegria veio na conquista do bicampeonato da Taça Guanabara. Muito pouco para quem contava com Paulo Cézar Caju, Afonsinho, Doval, Dadá Maravilha e com um jovem craque chamado Zico.

Logo após a eliminação no Brasileiro circularam rumores de uma lista de dispensas. Era preciso enxugar a folha salarial e sem as rendas dos jogos decisivos a solução seria excursionar pelo país. Zagallo se dedicaria exclusivamente à Seleção no primeiro semestre, deixando o comando do time nas mãos de Joubert. A ordem era renovar o grupo e dar chances a alguns juniores que vinham encantando nas preliminares. Casos de Rondinelli, Júnior e Geraldo.

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Na reapresentação, três novidades. Eli, ponta-direita vindo do Guarani. Lúcio, zagueiro do Próspera de Santa Catarina e Salvador, também zagueiro. E o primeiro coletivo do ano mostrou que Joubert teria mesmo muito trabalho pela frente. Vitória dos reservas por 2 (Zico e Arílson) a 1 (Dario). O Galinho de Quintino foi o destaque do treinamento. Mostrando que merecia a vaga no onze inicial.

E o treinador teve que dar o braço a torcer. Já no segundo (e último) coletivo antes do primeiro amistoso do ano Zico foi promovido ao time titular no lugar de Dario. O resultado? Vitória dos titulares por 2 a 1. Com direito a gol dele. Não havia mais como deixá-lo no banco. A partir de agora o time tinha que ser Zico e mais dez.

Outro garoto que ganharia a vaga de titular, ao menos momentaneamente, era o zagueiro Jayme, escolhido para substituir o paraguaio Reyes, que ganhou passe livre do clube e se despediria nesse amistoso.

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O primeiro teste do ano aconteceu no Maracanã contra o Zeljeznicar, campeão e base da Seleção da Iugoslávia. E a temporada começou de maneira convincente. Vitória de 3 a 1. Com Zico sendo o grande destaque do jogo. Com menos de cinco minutos ele já havia obrigado o goleiro Janius a fazer uma grande defesa e sofrido um pênalti claro não assinalado pelo árbitro. Aos oito, Zico recebeu de Aluísio, driblou seu marcador e fuzilou para abrir o placar. Depois do tento, o Fla diminuiu o ritmo e o placar não se alterou.

Sentindo a queda física da equipe, Joubert voltou do intervalo com três alterações. Dario, Arílson e e Zé Mário entraram nos lugares de Doval, Paulo César Caju e Afonsinho. Aos três minutos, Dario acertou a trave iugoslava. Aos 13, Zico driblou vários oponentes, passou pelo goleiro e só não entrou com bola e tudo porque teve humildade. Aos 25, Arílson acertou o travessão da Janius em um tiro de longe. Aos 41, o próprio Arílson, de falta, marcou o terceiro. Quase no apagar das luzes, Hodric fez o gol de honra dos europeus. O Mengo 74 começava encantando!

Os jogos não podiam parar. Afinal, o clube precisava faturar. Dois dias depois, o Rubro-Negro já estava em Ituiutaba para enfrentar o União Tijucana. Afonsinho, com dores musculares, nem viajou. Zé Mário foi escalado em seu lugar. Cansado, o time não repetiu a atuação anterior e acabou derrotado por 1 a 0. Pior. Zico contundiu-se no segundo tempo e foi substituído por Dario.

Na sequência, o Fla foi para Vitória jogar com a Desportiva. De novo ficou devendo. Zico marcou o primeiro aos 27 minutos de jogo. Zezinho empatou de cabeça, aos 31 da etapa final. A atuação nos 45 minutos finais foi motivo de críticas. E a renda acabou sendo bem abaixo do esperado.

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O próximo compromisso era contra o Fluminense, em Brasília. O clássico valia o troféu Presidente Médici. E foi decidido nas penalidades máximas já que no tempo regulamentar nenhuma das equipes mostrou competência para tirar o zero do placar. E o Tricolor acabou saindo vencedor por 5 a 4, com o ponta-direita Rogério desperdiçando sua cobrança.

Pior foi a crise que estourou após o jogo. Alegando dores na coxa Paulo Cézar Caju pediu para voltar ao Rio de Janeiro. O médico Célio Cotecchia disse ao jogador que seria melhor iniciar o tratamento ali mesmo e esperar pelo menos 24 horas para um diagnóstico mais preciso. O jogador não quis saber. Disse que ia embora. Pegou sua mala e partiu rumo ao aeroporto. O vice-presidente de futebol Ivan Drumond afirmou que iria primeiro falar com os envolvidos para depois resolver o que fazer. Mas até a suspensão do contrato do jogador estava em pauta.

flamengo paulo cézar caju
Paulo Cézar Caju abandonou excursão do time. Foto: Reprodução

No dia seguinte, o Flamengo anunciou a contratação do zagueiro Luís Carlos, ex-Corinthians. Na federação, os dirigentes informaram que Paulo César seria multado em 60% do seu salário. E no meio de tudo isso ainda haveriaum amistoso em Goiânia, diante do Vila Nova. Goleada de 4 a 0. Com ótima atuação, especialmente no segundo tempo. Dario, Paulinho (2) e Geraldo marcaram.

Três Dias depois, o time já estava em campo novamente. Dessa vez goleando o Goiatuba por 6 a 2. Tentos de Dario (3), Zico (2) e Paulinho. Geraldo, recém-promovido dos juniores foi o grande destaque. Com jogadas de alta categoria e excelente visão de jogo ele se entendeu perfeitamente com o Galinho. E mostrou que apostar nos jovens poderia ser o caminho para um ano melhor.

Com uma semana livre finalmente houve tempo para treinamento. E no coletivo de 60 minutos vitória dos titulares por 2 a 0. Gols de Zico e Arílson. Justamente os dois melhores em campo. Depois, foi tomar banho e partir rumo ao avião. As viagens não paravam. Em Juazeiro, o time enfrentou o Icasa. E o time voltou a golear. Dessa vez por 7 a 1 (com três gols de Zico, três de Dario e um de Paulinho).

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O próximo amistoso foi contra o Corinthians. Pelo menos dessa vez não houve viagem. A partida aconteceu no Maracanã. No último coletivo antes do confronto vitória dos titulares. 1 a 0. Gol de Dario. A na escalação ficou por conta da presença do zagueiro Luís Carlos, estreando justamente contra seu ex-clube. O resultado foi mais uma goleada Rubro-Negra. 5 a 1. E de virada! Vaguinho abriu o marcador aos 20 minutos. Aos 44, Zico deixou tudo igual. No segundo tempo veio o show. Geraldo, Zico e Dario, duas vezes completaram o placar. Uma atuação de gala.

Crédito imagem destacada: Agência O Globo

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