À espera do Flamengo que vence jogos grandes: analisamos recente trajetória de vexames

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Na noite desta quarta-feira a Vila Belmiro recebe um confronto de oitavas-de-final da Copa do Brasil. O Flamengo visita o Santos com a missão de confirmar a vaga após boa vitória por 2×0 na Ilha do Urubu, no primeiro jogo do mata-mata. O time comandado por Zé Ricardo não tem apenas o adversário jogando em sua tradicional casa e embalado na terceira posição do Brasileiro. Após a chegada de Levir Culpi, o Peixe embalou e já não é aquele mesmo time apático de quase um mês atrás.

Mas não é exatamente o adversário em questão a grande preocupação da torcida. Nos últimos tempos tem sido tarefa difícil para o Rubro-Negro vencer os chamados jogos-chaves, aqueles apontados pelos especialistas como decisivos para as pretensões do clube nas competições. Seja nos confrontos contra adversários diretos no rigoroso Campeonato Brasileiro, sejam nas competições internacionais e nacionais de tiro mais curto e chaves com jogos de ida e volta, o Flamengo não está conseguindo superar adversidades. Sucumbir à pressão de mais um grande jogo, este é o maior desafio desta noite de Copa do Brasil para o Mengo.

Com a pesquisa do apoiador Cláudio Cavalcanti, o MRN vai mostrar a extensão desse problema. Como o maior time do Brasil passa por uma de suas piores fases dentro de campo, independente da falta de títulos recente, que pode ser atenuada pelos anos de austeridade financeira da Era Bandeira de Mello. Impressiona contudo, que desde 2016 a folha salarial do Flamengo tornou-se muito mais volumosa, contando de nomes de peso como Guerrero, Diego, entre outros bons e caros jogadores. Justamente por isso, nossa análise começa com a campanha de jogos grandes do Brasileiro 2016.

Brasileiro 2016

Impressiona o fato que contra os 12 maiores clubes do país, o Flamengo tenha conquistado apenas 42% dos pontos — 24 de 57 possíveis. Entre os seis classificados para a Libertadores 2017, o clube da Gávea somou módicos 12 pontos: em casa foram 2 vitórias. (Santos e Grêmio), 2 empates (Botafogo e Atlético-MG) e uma derrota (Palmeiras). Fora de casa o Flamengo mostrou contra os grandes que faltava um quê a mais para vencer: nos cinco jogos contra seus adversários mais qualificados, nenhuma vitória. No Engenhão, o Flamengo voltou a decepcionar sua torcida diante de um Botafogo limitado, que conseguiu compensar a falta de talento com muita disposição. Contra o Palmeiras, uma expulsão ridícula de Márcio Araújo quase se transformou em uma vitória épica se não fosse a sobra na entrada da área que Gabriel Jesus aproveitou. A apresentação diante do Grêmio ainda era uma exposição do time mal treinado por Muricy Ramalho. E o empate contra o Santos, que vendeu o mando e fez com que nosso time se sentisse em casa na Arena Pantanal, em Cuiabá, foi outra prova da dificuldade em matar grandes jogos do Flamengo no Brasileiro do ano passado.

Jogos importantes para o que o urubu voasse mais alto na competição, como os contra Inter no Beira Rio, Corinthians e Coritiba na tão aguardada volta ao Maracanã diagnosticaram ainda com mais precisão o quanto o Flamengo não conseguia render nos momentos que mais precisava render na dura luta pelo topo da tabela.

Copa Sul-Americana 2016

Na Copa Sul-Americana, a derrota acachapante por 4×2 para um Figueirense que viria a ser rebaixado à segunda divisão nacional, irritou demais a torcida e jogadores. A humilhação aconteceu numa fase em que o time mais rendia na temporada. O jogo da volta em Cariacica trouxe alento e euforia ao mesmo tempo. Sob o comando de Diego Ribas, o Fla mostrou um sangue quente e gana pelo resultado que empolgou a Nação. Classificado, pegou o Palestino em Santiago do Chile nas oitavas e trouxe um ótimo 1×0 na bagagem. No jogo da volta o pesadelo do vexame deixou a torcida sem dormir. O frágil Davi derrotou o gigante Golias. Nem a fé dos mais religiosos torcedores do Espírito Santo foi capaz de fazer um milagre.

Copa do Brasil 2016

Humilhação pode ser a palavra a definir a trajetória do Flamengo na Copa do Brasil. Nunca eliminado tão cedo na competição em que é tricampeão. Foram 3 derrotas e uma vitória apenas. O primeiro soco na cara da torcida foi desferido pelo pequeno Confiança. O primeiro jogo, em Aracaju, começou com a expulsão do brabo Elielton. Mesmo assim, com um a mais por quase 90 minutos minutos, um Flamengo apático, desonrando as cores do manto, não faz questão de vencer. O castigo veio com um gol do adversário, que disputou a quarta divisão do Brasileiro daquele ano. O jogo entra para a história da equipe sergipana como um dos seus maiores feitos. No jogo da volta, mesmo sem muita vontade, o Fla elimina os nordestinos pelo placar clássico. O próximo adversário seria um time da série C, o tradicional mas decadente Fortaleza. A derrota no Castelão acendeu novamente o alerta da torcida. No jogo da volta, o Estádio da Cidadania recebeu mais uma vez um público pequeno e apenas 5.193 torcedores assistiram o Tricolor do Pici repetir o placar de 2×1 e eliminar o Flamengo de Muricy. Diego ainda não tinha chegado e Guerrero foi desfalque. De qualquer forma, desculpa alguma era cabível para tamanho desdouro. Mesmo assim, Márcio Araújo saiu de campo dizendo que existia o lado bom de ter menos uma competição para jogar.

Carioca 2017

No Estadual 2017 as coisas clarearam um pouco, é verdade. O Flamengo não perdeu para nenhum rival apesar da tabela apontar para mais empates do que vitórias. Outro fato que marcou a trajetória do Flamengo foram as derrotas em disputas de pênaltis na Taça Guanabara e Taça Rio. Outra evidência de falta do poder de fogo atual. O Ferjão invicto, primeiro título do segundo mandato de Bandeira, foi bastante comemorado. Todos sabem que para o elenco que temos, entretanto, de nada ele presta para atenuar a sede inata de grandes títulos do maior clube do Brasil. Analisando friamente os elencos, houve momentos pouco de pouquíssimo futebol e pouca vontade de “humilhar” os rivais com elencos que não chegam aos pés do Fla.

Libertadores 2017

Na Libertadores o caldo nem chegou a engrossar mas o time de Zé Ricardo continuou comendo de garfo. O time apontado como favorito ao título sequer chegou à fase de mata-mata. Eliminado sem vencer fora de casa, amargou três derrotas. A última, contra o San Lorenzo no Nuevo Gasómetro, pode ser considerada uma síntese desse Flamengo que refuga diante das adversidades impostas a si pelas circunstâncias. Acuado, até mesmo medroso; a virada dos argentinos nos últimos minutos da partida é um filme que ainda vai atormentar a torcida. Por isso mesmo não precisamos alongar a análise dessa trágica campanha em mais uma Libertadores da América.

Brasileiro 2017

O Brasileiro mal chega ao final do segundo turno e o Flamengo novamente lançou mão de novas derrotas em jogos super importantes para a trajetória de uma campeão. O Flamengo não consegue novamente se impor contra aqueles adversários considerados grandes ou que lutam na parte de cima da tabela. Mesmo contra adversários pequenos, como o Sport, que vai bem neste ano, comandado pelo flamenguista Vanderlei Luxemburgo, o Flamengo não se impôs. A importante sequência Grêmio-Cruzeiro-Palmeiras terminou com 2 pontos na conta. Contra o Grêmio, uma verdadeira lição tricolor e primeira derrota do Flamengo na Ilha. Contra o Palmeiras, mesmo com a parcela de culpa da arbitragem, o Rubro-Negro voltou a mostrar o quão certo estão aqueles que apelidam o esquema tática de Zé Ricardo de “arame liso”. E foi assim contra um respeitoso Cruzeiro, no Mineirão: muito toque, domínio de terreno e pouca efetividade. Resumo da ópera: 12 pontos atrás do líder Corinthians.

Conclusão

No jogo decisivo na Vila de Pelé, o que a torcida quer mesmo ver é uma classificação sem sofrimento. Não por desconhecer as nuanças do futebol, o esporte que mais derruba previsões. Todos sabem que nem sempre um grande investimento necessariamente resultará em grande retorno. A realidade é que os 40 milhões de torcedores estão cansados de ver o seu grande Flamengo subjugado quando mais precisa mostrar sua força.
 

Imagem destacada e redes sociais: AFP/Conmebol


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