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Enfim confirmado como reforço do Flamengo, o atacante Michael deu sua primeira entrevista como atleta do clube à FLA TV e falou de sua história e de suas expectativas como jogador do Flamengo. “A favela venceu. Assim como um dia eu quis ser que nem Adriano, hoje eu quero poder inspirar as pessoas a serem o melhor delas”, disse.

Leia os principais trechos da entrevista:

‘Comecei a ter dúvida se eu ia vingar ainda’

Saí de Mato Grosso com 16 anos. Tive sonhos e fui em busca deles. Jogava em quadra da minha cidade, campo. Eu encontrei um pensamento que se eu gostava ou se eu amava jogar futebol. O gostar você pratica ele depois do trabalho, com os amigos. E o amar você faz do seu hobby a sua profissão. E eu entendi que eu amava jogar bola. Que eu amava sentir aquela adrenalina, aquela emoção. Eu sonhava jogar em estádio cheio, jogar em grandes estádios, ganhar prêmios coletivos, mas também individuais. Cheguei em Goiânia e fui jogar em terrão, quadra, campo. Algo em mim nunca estava dando certo. Porque eu tinha algumas convicções que não eram boas. Comecei a jogar. Aí fui no Montecristo, fui pro Goiânia. Sofri, fui pro terrão, Do terrão eu fui pro Goianésia de novo. Aí no primeiro turno do Goiano, não tive muito êxito. Aí comecei a ter dúvida se eu ia vingar ainda.

‘Pude dar um pouquinho de alegria para as pessoas’

Mas joguei, fui contratado pelo Goiás, onde pude ter muita alegria e dar um pouquinho de alegria pras pessoas. Porque eu creio que o torcedor vai pro estádio não só pra ver o jogo, ele quer extravasar. Às vezes ele tá chateado no seu dia, às vezes ele tá angustiado, com raiva. Ele vai lá e vê seu time jogar mal, ele vai vaiar, vai xingar. É normal. Mas onde ele encontra seu time jogando bem, sendo alegre, brincando, ele esquece dos seus problemas. E isso é bom, você servir como uma autoajuda para aquela pessoa. Onde as crianças vão para o estádio, elas querem ser você. Assim como eu um dia quis ser que nem Neymar, eu quis ser que nem Adriano, eu quis ser que nem as pessoas hoje eu quero poder inspirar as pessoas a serem o melhor delas.

‘Se eu colocar na minha cabeça que eu posso ir, eu vou’

Eu sou um cara que sou grato a tudo, porque fui revelação do Campeonato Goiano 2017. Em 2019, revelação do Campeonato Brasileiro. Eu não acreditava que isso pudesse ser possível. Joguei em todos os estádios que eu poderia jogar no Brasileiro ano passado. Tive muitas alegrias, muitas tristezas, e falei pra Deus que o que fosse da vontade dele ia acontecer, que eu não tava preocupado, não tava angustiado, mas eu queria. Mas eu fiz uma tatuagem mostrando que a favela venceu, a quebrada venceu. O moleque que veio do nada poder ser alguém. Aquele moleque que todo mundo achava que com 23 anos ia estar morto hoje está vivo. Aquele moleque que não era ninguém, que não tinha expectativa de vida nenhuma, poder hoje ser alguém, isso é gratificante. Se eu colocar na minha cabeça que eu posso ir, eu vou. O que eu não posso deixar é que as pessoas criem limite pra mim. Se nem Deus criou limite pra mim, por que eu vou criar?

‘Espero jogar ao lado do Bruno Henrique e ganhar muito mais títulos do que ele ganhou’

A gente começou a brincar lá [no Jogos das Estrelas do ZIco], trocamos ideia. Rafinha é um cara do bem, gostei de conhecer ele. Conheci ele em Uberlândia, ele e o Bruno Henrique. São pessoas que eu admiro, são pessoas do bem. O Bruno Henrique é um cara que realmente você pode se espelhar. Saiu do terrão, jogou em alguns times de interior, como Itumbiara, que ele saiu e foi pro Goiás. No Flamengo ele atropelou todo mundo, foi o maior jogador, mas com mérito, porque ele trabalhou para isso. Agora estar do lado dele vai ser bom. Espero que eu possa jogar com ele ao lado e que eu possa ganhar muito mais títulos do que ele ganhou este ano.

‘Quero levar a mensagem de que tudo que a gente quiser, a gente vai conseguir’

Primeiro é jogar a favor agora. É difícil jogar contra. Ô, é difícil. Quero jogar, quero dar o meu melhor, e com meu melhor poder ajudar meus companheiros. Quero ser útil. Quero ser um cara que leve uma mensagem para eles de motivação, de alegria e dizer que tudo que a gente sonhar e tudo que a gente quiser colocar um alvo e seguir adiante a gente vai conseguir. Se a gente sonha, se a gente quer e se a gente trabalha, a gente vai conquistar. Se a gente semear coisas boas, a gente vai colher coisas boas.

‘Tô bem motivado para que Jesus possa me ajudar e que eu possa ajudá-lo também’

Não tive contato com ele [Jesus], mas estou ansioso para conhecê-lo, no trabalho, no dia a dia. Tô bem motivado para que ele possa me ajudar e que eu possa ajudá-lo de alguma forma, porque eu quero ajudar, quero contribuir um pouquinho, e eu espero ser bem útil para ele e para todo o grupo. Pra que a gente possa ter um ano de 2020 com muitos títulos, muitas vitórias.

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