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A contratação de Domènec Torrent para o Flamengo ainda apresenta um caráter ofensivo, mas bastante diferente de Jorge Jesus

MRN Informação | Rafael Bizarelo – Twitter: @rafxzel

Domènec Torrent está muito perto de ser anunciado como treinador do Flamengo. O nome do técnico catalão agradou a torcida, que passou a buscar mais sobre Torrent para conhecer seu estilo de jogo, já que ele estava sendo tratado apenas como um ex-auxiliar de Guardiola.

Tanto Torrent quanto Jesus são treinadores com mentalidade ofensiva, mas eles enxergam o futebol de formas diferentes. O catalão é adepto do jogo posicional, enquanto Jesus aplica a mobilidade total em suas equipes. No básico do básico, a diferença parte no pensamento do posicionamento do jogador. No Flamengo de Jorge Jesus, os jogadores se movimentavam frequentemente para aparecer como opções de passe. Eram passes mais rápidos e curtos que formavam uma armação rápida no ataque.

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O ataque rubro-negro com Jorge Jesus apresentou uma mobilidade muito forte, com o trio formado por Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta trocando de posição constantemente, além da participação de Éverton Ribeiro para formar o quarteto jogando entrelinhas. Com a bola, Éverton Ribeiro se posicionava como o criador do time, dando a maioria dos seus passes para dentro da área.

Torrent apresenta diferenças em seu modus operandi no ataque. A ideia do jogo posicional, mesmo que também seja ofensiva, é muito diferente da mobilidade total pregada por JJ. Com o catalão, o jogador deve ficar em sua posição para esperar a bola. O mais importante no jogo de posição é o controle total do espaço, tendo superioridade numérica nas zonas do campo.

A divisão de zonas no jogo posicional é diferente da comum no futebol. Enquanto em uma divisão normal o campo fica com 18 zonas, a que Pep Guardiola introduziu ao futebol é diferente. O jogo posicional é normalmente adaptado para um 4-3-3, e algumas regras são exigidas. O time precisa ter no máximo três jogadores em cada linha horizontal e no máximo dois jogadores em cada linha vertical.

Na imagem, algumas cores são vistas, e estão ali para explicar as zonas mais importantes para os times que jogam com o jogo posicional. O amarelo representa as zonas laterais, que tem criação limitada por conta de seu menor tamanho. Essas zonas são utilizadas na maioria das vezes para manipular a defesa adversária. Em verde, duas zonas importantes de criação e também de conexão entre as zonas laterais e o ataque, além de poder explorar os espaços do adversário. A zona em vermelho, marcada como zona 14, é simplesmente a mais importante, pois é ali que surgem os melhores chutes de fora da área e também a maioria dos passes para dentro da área. Rafinha, por ter trabalho no jogo posicional do Bayern de Guardiola, pode ser fundamental para Torrent, atuando como um forte lateral ofensivo, assim como Filipe Luís, completo também quando requisitado no âmbito defensivo.

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Defensivamente, os dois treinadores também apresentam diferenças em seus estilos de jogo. Com Jorge Jesus, o Flamengo se encontrava marcando com duas linhas de quatro jogadores e mais dois jogadores de ataque livres sem obrigações de marcação. A linha de quatro do meio de campo se encontrava encaixada de maneiras diferentes para eliminar as opções de passe do adversário, tendo um jogador ainda para pressionar o adversário que tem a bola, roubando-a ou forçando um erro. A marcação pressão por vezes poderia ser até perigosa para o Flamengo, que por vezes abandonava o seu desenho defensivo, dando espaço para o adversário poder criar jogadas.

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No jogo posicional, o uso de “laterais invertidos” é comum. Não se trata de colocar um lateral destro para jogar pela esquerda ou vice-versa, mas sim laterais que avançam para jogar mais perto do volante. Isso dá um poder maior aos meias, que podem avançar muito mais no campo e jogar entrelinhas. Além disso, o time passa a ser mais compacto, tendo superioridade numérica no meio de campo, ou seja, caso perca a bola por ali, pode ter mais facilidade em recuperá-la. Tal estratégia pode ser útil também para diminuir as opções do ataque adversário, já que os jogadores de lado do adversário estarão sobrecarregados marcando os laterais invertidos, assim não conseguindo ajudar nem mesmo os laterais de seus times.

*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Divulgação / Facebook

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