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Desde que Michael surgiu como alvo do Flamengo, muito se questiona se vale a pena investir cerca de R$ 33,9 milhões pedidos pelo Goiás para liberá-lo, fazendo dele a quarta contratação mais cara do clube da Gávea. Diante da polêmica surge o debate de quais seriam as opções melhores e se essas opções valeriam mais a pena mesmo ou estariam num nível parecido. Michael teve um ano assim tão bom? Talvez tenha sido destaque por jogador num time em que brilhava sozinho? Pode ser que outros jogadores tiveram uma temporada melhor e não estão sendo cogitados.

Para responder essas perguntas e situar o torcedor do real patamar do atacante revelação do Campeonato Brasileiro 2019, o MRN comparou os números do novo jogador do Mais Querido com os de outros jogadores referência no Brasil da mesma posição: Soteldo, Dudu e Everton Cebolinha. Terá sido o Brasileirão de Michael do mesmo nível que os desses três? Ou valeria mais a pena investir num desses outros três atletas?

Com a bola

De início mostra que todos foram referenciais em seus times, pois jogara, ao menos 30 das 38 partidas do Campeonato Brasileiro. No quesito gols Michael empata com Dudu e Soteldo, tendo cada um deles anotado 9, e Cebolinha fica a frente com 11. O gremista também é o mais letal dos três, pois faz um gol a cada 207 minutos. Michael só balança as redes a cada 337 minutos, um acréscimo de 130 minutos em relação a Cebolinha, mas ainda consegue vencer Dudu que precisou de 341 minutos para cada gol. Já quando se trata de gols por partida Michael e Dudu empatam com 0,25 cada, Soteldo tem 0,28 e Everton 0,36 (o site Sofascore arredonda os números para cima). Com 8 chances claras perdidas Michael e Cebolinha são os que mais desperdiçaram chances. Fica claro que apesar de ter números próximos aos dos outros três, o novo reforço do Flamengo sempre está na 3ª ou 4ª posição nos quesitos pró-gol, evidenciando um desempenho um pouco abaixo.

O passe mostra-se como a maior deficiência de Michael. É o campo onde o jovem fica mais longe dos outros três atletas. Apesar de ter as mesmas cinco assistência de Everton e Soteldo, todos ficando muito distantes das 11 de Dudu, Michael mostra-se pouco criativo na hora de achar seus companheiros, com apenas cinco grandes chances criadas, mesmo número do gaúcho, porém longe das 11 do venezuelano e das 19 do palmeirense. Nos passes decisivos o novo reforço do Fla faz praticamente um por jogo, pouco comparado aos 1,7 do santista e dos 2,5 de Dudu. Todavia os números mais preocupantes são os de eficiência no passe.

No campo do adversário, onde o Flamengo costuma estar muito tempo com a bola, Michael acertou apenas 55% dos passes. Os aproveitamentos de 23% nas bolas longas e 42% nos lançamentos são alarmantes e podem atrapalhar a manutenção da posse de bola do time de Jorge Jesus. Esses números precisam ser melhorados.

 Um contra um

A grande característica dos jogadores é o um contra um. Todos possuem o biotipo pequeno e veloz, que tem no drible uma arma importante para abrir as defesas adversárias. Dos quatro, Michael é o segundo com mais dribles bem-sucedidos, creditando-o como um dos maiores dribladores do Brasil. Já nos duelos ganhos, quando analisamos os números concretos o jovem só fica atrás de Dudu, porém os 41% de aproveitamento de seus duelos mostram que o jogador na verdade tem muitos confrontos individuais durante uma partida, mas que vence menos da metade deles.

Sem a bola

Se Michael precisa trabalhar melhor os passes para manter o patamar do Mais Querido, defensivamente tem tudo para ajudar na pressão feita na saída de bola adversária. O garoto é o mais efetivo dos quatro atletas na retomada de bola. A cada jogo são 0,7 interceptações, 1,1 desarmes e 0,7 bolas ganhas no campo do adversário. Essas estatísticas são maiores que as dos outros atletas, creditando o atacante a ser um grande contribuinte no sufocamento que o Flamengo costuma imprimir em seus adversários.

Comparações diretas

Michael x Everton Cebolinha

Com uma frequência de gols muito maior, o gremista é mais letal que Michael. Há um empate nas assistências, porém passando a bola Cebolinha é melhor. Driblando Michael leva vantagem, o que é um ponto alto para o agora flamenguista, já que Everton é uma das referências de drible até na seleção brasileira.

Michael x Dudu

Os mesmos 9 gols, porém o palmeirense tem 11 assistências, seis a mais. Dudu também é muito mais consistente passando a bola e ganha mais duelos, além de um maior aproveitamento nos dribles. Michael efetua mais fintas, porém a experiência de Dudu o faz ter um aproveitamento maior no quesito, ou seja, ele sabe o momento certo de driblar, já Michael é mais ousado e cria mais situações inesperadas.

Michael x Soteldo

Ambos têm os mesmos noves gols, porém o venezuelano precisa de 37 minutos a menos para balançar as redes. Também empatam no número de assistências, mas se olharmos para o número de grandes chances criadas o ponta do Santos leva larga vantagem. Soteldo é muito melhor passando a bola. No quesito dribles há praticamente um empate, mas o venezuelano ganha muito mais duelos.

Conclusão

Os números de Michael no geral não são ruins, mas estão longe de ser de um jogador capaz de assumir uma possível titularidade do atual Flamengo ou até mesmo de manter o nível de atuação alcançado em 2019. Com a bola o atacante revelação do Campeonato Brasileiro tem um desempenho no máximo bom, longe de ser uma primazia, ficando atrás de Dudu, Soteldo e Cebolinha. A baixa eficiência nos passes é preocupante, é o quesito que o atacante terá que melhorar, caso consiga tem tudo para ser de extrema utilidade, todavia se mantiver o aproveitamento de passes apresentado no Goiás pode atrapalhar o Mais Querido. Isso inevitavelmente, vai irritar a torcida, que colocará pressão no atleta.

Apesar de ser um dos que mais perderam chances claras de gol, Michael foi o artilheiro do Goiás, com nove gols, junto com o experiente Rafael Moura. No Mais Querido terá tudo para melhorar essa marca e se confirmar como um ponta goleador. Outra característica que na qual pode se estabelecer de vez como referência no Flamengo e no Brasil é o drible, arma na qual o Flamengo conta apenas com Vitinho, Everton Ribeiro e Bruno Henrique como opções. Defensivamente Michael tem ótimos números. Tem tudo para ajudar a tática de pressão alta implementada por Jorge Jesus.

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