Aquela coisa de pele

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Saudações, Rubro-Negros!

Não faz pouco tempo que por todos os lados temos ouvido falar tanto sobre uma latente falta de brios, de ambição e de uma certa indiferença aos resultados por parte tanto dos nossos jogadores e também de dirigentes e comissão técnica. Não é sem razão que falam, é bom esclarecer. Eu mesmo já usei este espaço aqui para tratar dessa falta de tesão irritante que o Flamengo frequentemente demonstra não apenas em diversas partidas, mas também nas entrevistas e declarações após as mesmas.

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Na Gávea assim como em qualquer outra instituição de estrutura semelhante, seja ela pública ou privada; esportiva, social ou empresarial, com raras exceções, é o comando quem estabelece o modo de ser, de agir e de se relacionar de todos os agentes que compõem aquela organização, tanto interna quanto externamente. É o bom e velho “o exemplo tem que vir de cima”. E sabemos que o nosso comando sofre de um sério problema de ego e vaidade salpicado com uma dose bastante significativa de ausência de autocrítica. Portanto não espanta que no Flamengo possa existir tanto conformismo quanto o que já testemunhamos diante de resultados e apresentações desastrosos, nem que a distância que nos separa da realidade dos nossos rivais cariocas tenha crescido tanto fora de campo nos últimos anos sem que o mesmo se confirme lá dentro. E volto a dizer: abomino o pensamento de que é preciso voltar aos tempos de falta de infraestrutura mínima e salários atrasados para que seja resgatada essa alma rubro-negra da qual sentimos tanta falta. Aquela coisa de pele tem faltado, sim, mas não será com um retorno ao caos que iremos recuperá-la.

Como torcedores que somos, esperamos que esse resgate ocorra amanhã, contra o Botafogo, e se prolongue por toda esta temporada e as que ainda estão por vir. Não importa se o jogo é válido pelo falido Carioquinha ou se é final da Libertadores. Há jogos que são maiores que certos campeonatos e é disso que se tratam clássicos como o de amanhã. Temos que vencer, convencer e voltar a demarcar território como o grande arrasador de rivais que nos acostumamos a ser.

SRN

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Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL.


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