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Mesmo com apenas duas partidas, as duas derrotas do Flamengo sob comando de Domènec assustam pela forma como ocorreram

MRN Informação | Rafael Bizarelo – Twitter: @rafxzel

O Flamengo não parece o mesmo time campeão da Libertadores. Domènec Torrent e Jorge Jesus não têm a mesma linha de pensamento no futebol, e o treinador catalão já começou a aplicar o seu modelo para o Flamengo. As diferenças já podem ser vistas.

Um dos primeiros “sustos” aconteceu na primeira partida, contra o Atlético Mineiro. Perdendo por 1-0, o Flamengo fez um bom primeiro tempo, com muitas chances claras de gol sendo perdidas tolamente. Os gols desperdiçados foram erros de decisão na hora H, e não há o que fazer quando Bruno Henrique opta por chutar e não por passar a bola para Gabigol. O que mais assustou no primeiro jogo foram as substituições, que levaram o Flamengo a ter cinco atacantes e um meio de campo vazio na teoria.

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Na escalação, com um 4-3-3 tendo Willian Arão, Gerson e Everton Ribeiro no meio de campo, o meio de campo parecia claro, e o ataque também. Porém, deve ser ressaltado que as posições não estarão claras em todos os momentos do jogo. Arrascaeta jogou por dentro, Bruno Henrique chegou a cair para o meio de campo em algumas partes do jogo, Gerson avançou e recuou.

As substituições que supostamente teriam deixado um meio de campo vazio fazem sentido sim. A primeira explicação a ser dada é uma quebra: o meio de campo não ficaria vazio com aquelas substituições, apenas daria um caráter mais ofensivo ao time. É extremamente necessário ressaltar sempre que dentro do jogo aplicado por Domènec Torrent ninguém deve ter sempre uma posição fixa. O exemplo da vez é visto nos laterais.

O uso de Filipe Luís e Rafinha como laterais invertidos é uma característica do jogo posicional. Apesar do nome, eles não invertem de lado, mas sim começam a jogar em uma zona de meio de campo auxiliando o volante. Tal função dá um poder maior aos meias, que agora podem jogar entre as linhas de marcação do adversário.

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A utilização de laterais invertidos contra o Atlético Mineiro também proveu o uso de encaixes de marcação individual para o Flamengo. Os três jogadores – não necessariamente jogando em linha – buscavam avançar para matar o contra ataque adversário já no começo. Tal abordagem pode deixar o time mais exposto. “Sem” os laterais, os zagueiros tendem a abrir tendo em vista que os lados estavam expostos, e o Atlético tinha jogadores de qualidade e velocidade para explorar o espaço. Além do mais, em alguns erros de marcação do Flamengo, os adversários poderiam fazer lançamentos, encontrando jogadores praticamente sozinhos.

Os tão citados cinco atacantes não surtiram efeito. Além de um desempenho muito aquém do normal por parte de jogadores como Bruno Henrique e Gabigol, o posicionamento não favoreceu a criação. Com os jogadores formando uma linha no ataque, não existiam opções para tabelas e criação de jogadas. Assim, o Atlético fechava o jogador que recuava do ataque para receber a bola, recuperando-a e partindo para o contra-ataque.

Para enfrentar o Atlético Goianiense o treinador mexeu no time. Rafinha e Arrascaeta foram para o banco, enquanto Rodrigo Caio assumiu a lateral-direita e Vitinho foi para a ponta, além de Gustavo Henrique, que entrou para a zaga rubro-negra. A mudança de Rodrigo Caio para a lateral-direita não surtiu efeito no jogo, e o Atlético Goianiense conseguiu explorar muito bem as falhas do Flamengo.

No primeiro gol é visto claramente que a linha defensiva está quebrada, com Filipe Luís jogando muito à frente dos demais defensores. Isso forçou a subida de todos os jogadores de defesa para não deixar muitos espaços, mas não adiantou. Pela direita, Ferrareis avançou no espaço deixado por Rodrigo Caio, tocando para Hyuri abrir o placar.

O gol anulado do Atlético Goianiense também mostrou a falha na linha defensiva do Flamengo, mas dessa vez pelo lado esquerdo. Everton Felipe recebeu a bola de Edson sozinho, foi avançando e tocou para Ferrareis, que mais uma vez venceu a marcação de Rodrigo Caio, mas agora estava em condição irregular.

A entrada de Rafinha no lugar de Gustavo Henrique recolocou Rodrigo Caio na zaga, mas o espaço ainda continuou na lateral direita. Recebendo um lançamento, Ferrareis mais uma vez aproveitou o enorme espaço deixado na lateral do Flamengo. No terceiro gol, Ferrareis cortou para dentro, confundiu Rodrigo Caio e marcou o gol.

Os dois jogos podem assustar, mas são apenas dois. É o início de um trabalho que aplica diversos conceitos de jogo e que muda muito o jogo de Jorge Jesus, então ainda existe tempo e espaço para melhorar.

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*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Alexandre Vidal / Flamengo

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