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Rafael Sacharny, do MRN Informação

Na manhã desta quarta-feira (24), Luiz Eduardo Baptista, o BAP, foi convidado para um programa ao vivo do canal Esporte Interativo. O vice-presidente de Relações Externas do Flamengo comentou sobre o período de paralisação do futebol brasileiro, o retorno do Estadual e ainda afirmou ter boas notícias para os rubro-negros em relação às transmissões de partidas do clube.

Logo no início, o tema discutido foi a assinatura da MP nº 984, que foi publicada na quinta-feira (18) gerando grande rebuliço nos bastidores do futebol brasileiro.

“Para a gente do Flamengo, comparamos esse MP como se fosse uma carta de alforria, uma lei áurea. Eu queria lembrar que quando a gente olha o estatuto do torcedor e pela legislação, se o Flamengo joga no Maracanã e alguém jogar uma pilha no gramado, a responsabilidade é do mandante. Se as torcidas brigarem na rua a 1km do estádio, a responsabilidade é do mandante. Se tiver problema de fraude na hora de compra de ingresso, a responsabilidade é do mandante. Então nós temos todas as obrigações do mandante. Mas quando chega na hora da gente se beneficiar dos direitos, aí os direito (de transmissão) não é nosso! Se eu fosse uma artista, só teria obrigações e não direitos, será que isso é democrático e moderno? Entendemos que a MP é um sopro de esperança. Tenho certeza que o congresso tem muitas outras coisas mais importantes para cuidar do que o futebol. Claro que é muito importante, mas tem outras coisas com interesse público muito mais amplo do que o futebol, por isso entendo que não há necessidade do congresso se debruçar sobre isso.”

A próxima partida do Flamengo é contra o Boavista, no dia 1º de julho, no Maracanã. Porém, ainda não há definição quanto à transmissão do jogo com imagens. Mesmo assim, BAP garantiu que a diretoria se esforça para conseguir o quanto antes explorar melhor seus direitos, de acordo com a MP assinada recentemente.

“A gente trabalha para transmitir os próximos jogos, em apoio do que a Medida Provisória determinou. Então a torcida do Flamengo pode ter boas notícias nos próximos dias. Estamos trabalhando para verificar se a gente consegue viabilizar isso, com a qualidade que a gente espera. A gente espera muitas centenas de milhares assistindo o Flamengo, não só no Brasil, mas em Portugal, nos Estados Unidos, no Japão. Da mesma maneira que funciona o WhatsApp, que manda mensagens para outros continentes, a gente vai poder colocar um jogo do Flamengo para qualquer torcedor no planeta ver. Entendo que isso é absolutamente moderno, é atual, tem muito a ver com o que são empresas de sucesso como a Amazon, Netflix e Uber, que de alguma maneira eliminaram os intermediários nas transações e acabaram favorecendo o consumidor final. Tem alguém preocupado com o consumidor final? Ou na verdade o que está acontecendo é uma disputa por dinheiro entre grandes grupos?”

Confira outros trechos da entrevista abaixo:

Linha de Frente da MP

“Flamengo entende que liderança é uma coisa que você conquista, e ninguém faz nada sozinho. Quando você fala da canetada, o nome da canetada chama-se Medida Provisória, como o nome diz é provisório, então é uma canetada que dura 120 dias para tentar nos livrar do julgo de algo que está ai há 21 anos (Lei Pelé). Então essa discussão do projeto de lei no congresso só aconteceu por causa desta canetada do presidente Jair Bolsonaro. Pelo menos nós estamos tendo a possibilidade de discutir algo que é basal para o futebol do Brasil. Nós não vamos mudar de patamar se não cortarmos as amarras. A liderança é uma coisa que você conquista naturalmente, mas nós temos a absoluta certeza que você tem que caminhar junto com outros clubes e a gente não pretende de forma alguma e nem acredita que a gente possa fazer alguma coisa sozinho.”

A volta do futebol

“Ou você age ou você fica parado e não faz nada. Eu queria perguntar se vocês ficaram parados durante a pandemia esperando que alguém dissesse para você o que deveriam fazer para trabalhar ou estudar. Vocês ficaram esperando que alguém dissesse isso ou vocês foram agir? O Flamengo cuidou dos seus atletas, o Flamengo buscou as melhores práticas, nós conversamos com os clubes grandes da Europa, nós vimos o que estava sendo feito mesmo eles 30 a 45 dias à frente da gente. Nós tentamos aprender os problemas que eles tiveram, com os erros que eles cometeram, tentamos absorver as lições que eles aprenderam, dividimos com os clubes do Rio de Janeiro, enfim, e nós construimos um protocolo que eu não tenho a menor dúvida que é muito mais seguro para um jogador do Flamengo estar no CT treinando do que estar em casa… Então defender a volta e como vai voltar é absolutamente fundamental. Nós não acreditamos que possa se fazer nada no mundo de pandemia como vivemos hoje sem que haja muita ciência, tecnologia e conhecimento para que a gente faça o retorno seguro do futebol. Discutimos isso por mais de 45 dias e não temos a menor dúvida que o protocolo do Rio de Janeiro é muito bom graças também a liderança da FERJ.”

Sensibilidade

“Muitas vezes a gente passa uma impressão que não é a realidade. Eu posso te garantir e se perguntar aos funcionários e atletas do Flamengo, o carinho e o amor que a gente cuida deles e de seus familiares, a gente está longe de ser gente insensível. Mas uma coisa é o que a gente acha, outra coisa é o que as pessoas percebem da gente. A gente age pelo que a gente acha que é correto e o que é certo. A gente não joga para ser reconhecido ou para ser aplaudido pelo público em geral. No Flamengo a gente não precisa de palco, nossa gestão não está lá para eleger político. A gente não quer ficar bem na foto e nem falar só o que agrada todo mundo. A gente dedica mais o tempo da gente a fazer o que a gente acredita. Então não achamos que estamos sendo insensíveis.”

Situação dos outros clubes com paralisação

“Nós temos um elenco caro, são atletas de alta performance. Eles serem expostos ao vírus é um risco enorme, mas ficarem parados 3 a 4 meses é outro risco enorme de contusões. Eles precisam de atividade e o Flamengo está querendo tocar essa atividade pelos clubes pequenos, que 100% deles não tem oxigênio para depois de 30 de junho. Não tinham depois de 30 de abril. Então esse discurso que o futebol pode esperar, realmente, talvez a sociedade pode esperar, mas no futebol de 80% a 90% dos clubes iriam quebrar. Então como que faz com os pequenos que tinham funcionários, contratos até 30 de abril que não podiam renovar. Nós do Flamengo e da Federação do Rio de Janeiro pensamos em todas essas pessoas que tem seus problemas sim. Então eu entendo que fomos sensíveis a todas essas considerações. Quando se diz ‘fique em casa se você puder’, infelizmente a maioria dos atletas não podem ficar em casa porque eles não tem outra forma de ganhar a vida. Então você tem sim que buscar um arcabouço onde eles possam voltar a trabalhar com segurança. Pode até ser verdade que um clube pequeno não pode fazer os estudos que o Flamengo fez, mas nós dividimos com todos os clubes o que nós fizemos, não escondemos nada, ajudamos eles, temos essa preocupação. O futebol brasileiro vai voltar quando tiver que voltar. Quando voltar, daqui um ou dois meses, vocês vão ver a diferença de quem voltou a treinar em alta perfomance antes de quem não voltou.”

Créditos de imagem destacada: Reprodução/Flamengo

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