Com quatro camisas 10, ousadia de Rogério Ceni ressuscita o Flamengo

Bruno Guedes
Jornalista e Historiador, é apaixonado por futebol bem jogado. Já atuou na Rádio Roquette Pinto e como colunista no Goal.com. Siga no Twitter: @EuBrguedes

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Ao inverter a lógica brasileira de “fechar a casinha”, Rogério Ceni passou a ser dono dela com vários jogadores técnicos

Blog Ninho do Urubu | Bruno Guedes – Twitter: @eubrguedes

O ano começou como terminou: o Flamengo com sérios problemas defensivos. Entre os piores times em gols sofridos, Rogério Ceni via seu trabalho ir a pique. Mas ao invés de fazer o que todo técnico brasileiro faz, encher o time de volante, apostou no inverso: colocou todos os camisas 10 disponíveis. E ainda recuou o único meio-campista com tais características.

A pandemia derrubou consideravelmente o nível técnico do futebol ao redor do mundo. Não só por conta da paralisação, mas também por afetar fisicamente os atletas. O Flamengo não passou ileso. O surto que tirou diversos jogadores de combate também afetou toda a estruturação defensiva, que passou a ser não mais sólida como antes.

Entretanto, o ex-goleiro achou uma solução fazendo justamente o inverso do que qualquer outros costumam fazer. Ao invés de encher o meio-campo de volantes e “proteger” mais a defesa, Ceni achou uma solução que pode ter ressuscitado o Flamengo.

Com Rodrigo Caio sofrendo lesões constantes, puxou William Arão para o seu lugar e transformou o volante numa própria versão do dono da posição. Não por acaso, ambos jogam nos mesmos setores. Inclusive como lateral-direito em caso de necessidade.

Porém, ao trazer Arão para a zaga, Rogério ousou. Colocou Diego Ribas ao lado de Gérson. Deste modo, o meio-campo rubro-negro passou a ter quatro camisas 10, já que Arrascaeta e Éverton Ribeiro não foram sacados da equipe.

Com Bruno Henrique mais livre na recomposição – onde todos atuam – tornou-se mais letal. Assim, a dupla com Gabigol voltou a funcionar também.

Diferentemente do que imaginavam, Rogério Ceni não fechou a casinha, mas passou a ser dono dela.

Controle do meio-campo e marcação no campo adversário: a mudança fundamental

Com diversos jogadores técnicos, quem faria o trabalho sujo, aquele que o velho futebol tupiniquim ainda acha necessário? A resposta foi simples: todos. Assim como já faziam com Jorge Jesus.

Ao lançar quatro camisas 10, Ceni resgatou a marcação começando pelos atacantes, inclusive Gabigol. Além dele, Bruno Henrique, Arrascaeta e Éverton Ribeiro também foram fundamentais para que a nova fase defensiva funcionasse. A proteção à zaga começa lá na frente!

Assim, o Flamengo teve a atitude que fez falta durante 2020 quase todo. Pressão, ação e reação. Dando combate no campo de ataque, além de estar mais próximo do gol adversário, impede que o rival progrida com a bola e possa atacar a defesa rubro-negra.

Uma estratégia que depende de todos. E os atletas compraram a ideia. Portanto, Ceni com o controle da posse da bola e maior pressão no campo rival, resolveu dois problemas que eram crônicos no Rubro-Negro.

Controlando o meio-campo com os quatro camisas 10, o Flamengo ganhou em volume de jogo e melhorou a distribuição das ações. Junta-se a isso o fato de Filipe Luis ter diminuído suas subidas, com mais apoio defensivo que ofensivo. Contudo, Isla permaneceu chegando ao ataque, equilibrando taticamente o que parecia acontecer apenas pelo setor esquerdo.

Arão, remontando o estilo Rodrigo Caio na saída de bola, fez com que até o antes criticado Gustavo Henrique voltasse ao bom futebol. Mais seguro e correndo menos atrás dos adversários. Assim, o zagueiro subiu de produção e virou outra arma letal do jogo aéreo no ataque e na defesa.

Se o Flamengo será campeão ou não, os próximos resultados dirão. Entretanto, Rogério Ceni conseguiu de forma ousada achar um padrão de jogo que resgatou aquela equipe agressiva sem a bola, equilibrada e com muitas chances criadas. Antes tarde do que nunca.

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