O resgate do flamenguismo não passa pelo retorno ao caos

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Eu queria muito estrear minhas besteiras aqui neste nobre espaço rubro-negro tratando de algo realmente bom em relação ao Flamengo, principalmente quando estamos a um dia de mais um aniversário. Mas o simbolismo da data está garantido. Ela não deixará de ter uma marca, pelo menos no que diz respeito à falta de flamenguismo que se tem notado no time atual, e já não é de agora. Se em algum momento desses seus riquíssimos 122 anos de história os torcedores do Clube de Regatas do Flamengo tiveram que conviver com gente que, dentro e fora de campo, respeita tão pouco e representa tão mal o que nossa trajetória, nossos títulos e nosso Manto significam para o futebol, eu, de verdade, desconheço. E adoraria que alguém aparecesse e provasse que estou errado, porque não me causa orgulho algum ter vivido para ver o meu Flamengo atingir um grau tão elevado de bundamolice quanto tenho visto nos últimos tempos.

É desolador olhar para os que estão acima de nós na tabela do Brasileiro e ver que só conseguimos vencer o Cruzeiro, o qual sequer precisou ganhar da gente para levar a melhor no embate mais importante entre ambos neste ano. Sim, ainda temos os jogos de volta contra Corinthians e Santos, mas como acreditar que contra eles será diferente, se rodada após rodada o Flamengo faz uma força danada para nos mostrar que não vale a pena? E nem vou falar da eliminação na fase de grupos da Libertadores, porque meu fígado ainda não destilou aquilo.

Como foi que chegamos a esse ponto? Em que momento erramos tanto assim a mão? Estariam corretos os entusiastas de um Flamengo mais “marginal”? Não quero pensar assim, sinceramente. Não posso aceitar que bons eram os tempos em que a gente atrasava salários, não tinha estrutura alguma e recorria a Lula Pereira e Sr. Waldemar. Nossas brigas mais frequentes ali eram contra rebaixamentos e não por títulos.

Encaremos a realidade, meus amigos: 2009 foi lindo, foi delicioso, mas não podemos viver dele para sempre; assim como não podemos viver somente de 81, de 92, de 87, de Zico, de gol do Pet, de maior ganhador de estaduais e da soberania sobre os rivais locais. Precisamos ter sempre esses momentos estupendos na memória, celebrá-los sempre que possível, mas precisamos urgentemente ganhar mais coisas grandes, mais Brasileiros, mais Libertadores, mais a porra toda.

O fato de hoje sermos mais organizados, mais responsáveis e ordeiros não pode de forma alguma servir de motivo para que viremos um bando de Zé Ruelas metidos a besta e sem sangue nos olhos. O vamo-lá-porra tem que voltar. Ele precisa reaparecer, como apareceu no último Fla x Flu, por exemplo. Não é para ser o nosso único recurso, mas tem que ser de novo a nossa maior marca, aquilo que nos define.

A gente precisa aprender a ser organizado sem perder nossa essência de time que se agiganta na hora em que as coisas se complicam e mete medo em qualquer um. Isso passa pela diretoria, sim, mas também passa por jogadores, comissão, torcida… passa por geral! Os avanços fora de campo têm que trabalhar a nosso favor e não contra. Em que lugar do mundo não é assim? Tem que segurar e bancar a onda de ser favorito.

E ninguém está falando de ganhar tudo, mas tem ao menos que mostrar que vai atrás disso sempre, porque quem é grande de verdade não pode se assustar – muito menos se apequenar – diante da possibilidade real de ser maior e mais imponente do que jamais foi.

SRN


Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL.

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