Domènec estava perdido

Ricardo Moura
Ricardo Moura é jornalista e apaixonado pelo Flamengo. Não debate finanças e reluta em usar termos da moda, como terço final e mapa de calor. Acredita que o futebol e o Flamengo trabalham com a paixão e por isso esquece números e se apega ao lúdico do esporte.

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De um 2019 mágico e um começo de 2020 promissor, o torcedor Rubro Negro passou a se questionar se o que viveu foi um sonho ou realidade

Blog Resenha Rubro Negra | Por Ricardo Moura – Twitter: @ricardomouraCRF

Algumas coisas são básicas e de conhecimento geral de quem acompanha futebol.

Um time sem confiança não anda.

Um jogador bom, em esquema ruim, vira pereba.

Um jogador ruim, em esquema bom, vira craque.

O Flamengo 2019 tinha muito disso.

Arão virou um pilar defensivo do time de Jorge Jesus. Roubava bolas, aparecia em vários lugares do campo e tinha uma entrega absurda.

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Quem entrava em campo sabia que tinha seu papel. E ele não se resumia em ser salvador da pátria, mas sim ajudar o time a manter algo já feito.

A confiança não existia apenas pelas vitórias. Ver o trabalho e a conversa da semana darem resultado em campo, até em casos de derrotas, ajuda o elenco a entender que ao seu lado existe um líder que sabe o que faz e fala.

O Flamengo 2020, comandando até então por Domènec, não tinha nada disso.

Arão voltou a ser um jogador comum. Perdido em campo, sem saber se marca ou arma. Muitas vezes enfiado entre os zagueiros, não para iniciar a jogada, mas sim para ser mais um a protagonizar lambanças não frente da área do time.

Quem entrava, quase sempre Michael, Vitinho e Lincoln, sabem que estão com a cruz de milagreiro nas costas. A pressão se torna enorme e as coisas não fluem. Afinal, até nas vitórias, o time estava sofrendo. 

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A falta de tempo para treinar existe e vai seguir. Impossível negar. Mas o cenário está apresentado para os 20 clubes que disputam a série A. O Flamengo não é o único a viver uma pandemia. 

A muleta até então apresentada, essa, da falta de tempo, também pode ser usada para confrontar o trabalho. Se não existia tempo, qual o motivo de tantas mudanças? Se não havia tempo para treinar a linha defensiva, o que levava a mudar tanto os atletas que a compõe? 

Gustavo Henrique e Léo Pereira estão longe de serem Pablo Mari. Mas o retrospecto de ambos em seus antigos times os credenciam a serem mais do que são. Como explicar tantos erros?

Outro fator assustava. De um time que entrava em campo sabendo tudo do adversário, o Flamengo de Domènec parecia  se surpreender a cada apito do juiz. 

Precisamos viver do futebol para saber que o Keno é veloz e vai jogar no um contra um? O atacante atleticano está em destaque tem 3 ou 4 anos. Foi campeão jogando assim. Todos conhecem. Como ser surpreendido?

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Outra questão que pauta a partida do domingo é a presença de Gabriel. Que fique claro, não tenho informação se ele estava 100%. Mas veja bem, quando você leva para o banco um jogador do tamanho de Gabigol, com a vaca indo para o brejo, ele precisa ser a primeira opção para reverter o cenário. Se ele não puder ser essa opção, não o leve. Colocar o camisa 9 sentado e usar ele por 10 minutos é mais um erro de leitura, digno de amador.

O cenário é de tristeza e desmotivação. De um 2019 mágico e um começo de 2020 promissor, o torcedor Rubro Negro passou a se questionar se o que viveu foi um sonho ou realidade.

A saída do treinador se dá por um motivo simples. O Flamengo que se desenhou não pode virar saco de pancadas de rivais direto. A goleada de ontem, junto com a sofrida para o São Paulo, precisa ser contabilizada e gerar algum efeito. O efeito gerado foi a queda do comandante.

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