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Mas o que está por trás desta briga para patrocinar o Flamengo? Muito simples: o mercado de e-commerce do Brasil

Por Felipe Ribbe – da FRV Sports Inovação e Novas Tecnologias, para o blog Flamengo S/A

Até segunda-feira à noite, tudo parecia caminhar para que o Flamengo fechasse acordo com a Amazon. Até escrevi um texto aqui sobre as inúmeras possibilidades que uma parceria desta magnitude daria ao clube carioca. Porém, Rodolfo Landim, presidente rubro-negro, foi ao programa Bem Amigos, no SporTV, e falou que a proposta de patrocínio mais comentada por todos não era a preferida da diretoria e que todos teriam uma surpresa. Hoje surgiu a notícia pelo jornalista Gustavo Henrique de que as Lojas Americanas tinham entrado com força na parada e que estavam, inclusive, muito próximas de sacramentar o negócio; a Amazon, pelo que Gustavo apurou, teria que cobrir a oferta. Mas o que está por trás desta briga para patrocinar o Flamengo? Muito simples: o mercado de e-commerce do Brasil.

As Lojas Americanas controlam a operação da B2W, a maior operação de comércio eletrônico do país — Americanas.com, Submarino.com, Shoptime e SouBarato. Entretanto, apesar do tamanho e da importância nacionalmente, um colosso como a Amazon tem grande poder quando chega em um mercado. Isso ficou claro ano passado, quando, em setembro, a gigante americana anunciou a entrada do Prime (seu programa de assinatura mensal que dá, além de serviços variados, diversos benefícios em compras e entregas) no Brasil. As ações das maiores varejistas recuaram consideravelmente, totalizando uma perda entre elas de quase R$5 bilhões. Só com o anúncio. A B2W recuou 4,83% naquele dia e as Lojas Americanas um pouco menos (3,2%), por ter uma operação física robusta também.

Ao vivo na TV MRN esta noite, às 19h, papo com Felipe Ribbe

A Amazon, apesar de global, ainda não é uma marca conhecida do grande público no país. Por isso, patrocinar o Flamengo é uma grande oportunidade de ganhar visibilidade e, consequentemente, market share. E se ela ganha participação no mercado, claro, alguém vai perder. Provavelmente por isso, as Lojas Americanas resolveram contra-atacar e “proteger” seu território. Claro que há outras maneiras da Amazon ganhar espaço por aqui, mas ter a marca no peito do clube mais popular do Brasil com um dos maiores times de sua história é uma chance única; por isso, vencer esta batalha seria importante para as operações digitais das Lojas Americanas. Demonstraria força para o mercado e deixaria claro para a concorrente de que vai lutar para manter seu espaço.

Mas o que o Flamengo pode então ganhar com as Lojas Americanas?

As possibilidades não são tão grandes quanto poderiam ser com a Amazon (lembrando, é claro, que não havia garantia de que um acordo com a companhia de Jeff Bezos iria além da exposição da camisa). Mas o Flamengo pode sim se aproveitar da expertise das Lojas Americanas para conseguir o que considero o mais importante: desenvolver e controlar dados de seus torcedores. A B2W, como maior operação de e-commerce no país, também sabe bem como trabalhá-los e tem investido bastante em tecnologia, contando com centenas de pessoas neste departamento. Certamente poderia ajudar o clube a ter uma gestão de dados no estado da arte, o que seria ótimo para ambas as partes.

Como escrevi no outro artigo, o grande desafio dos clubes de futebol é justamente conhecer seus torcedores a fundo para conseguir capitalizar entregando produtos e serviços customizados, que atendam suas demandas; hoje, todos eles fazem um ótimo trabalho atraindo seguidores para as suas redes sociais, mas esses dados ficam todos nas mãos de terceiros (Facebook, Google, Twitter, TikTok…). Acredito que as Lojas Americanas teriam total interesse em ser parceiro do Flamengo nesta empreitada.

Além disso, por ser especialista em vendas online e ter uma empresa de logística própria de grande capilaridade no país (a Let’s), também poderia ajudar o clube a melhorar sua loja oficial, tanto virtual quanto física, aumentando as receitas — e, claro, o acúmulo de dados dos seus torcedores.

Como não sei os valores envolvidos nesta disputa, vou me ater a outros aspectos para responder as perguntas abaixo:

O que vejo de vantagem?

1 – Por ser uma marca brasileira, este relacionamento com as Lojas Americanas pode ser mais próximo e o interesse dela em ser um verdadeiro parceiro do clube maior;

2 – As Lojas Americanas são controladas pelo fundo 3G, de Jorge Paulo Lehmann, homem mais rico do país, e que tem em seu portfólio diversas outras empresas gigantes, como AB-Inbev, Burger King e Kraft-Heinz. Um eventual patrocínio bem sucedido poderia abrir a porta para outros no futuro, não só no futebol, mas em esportes com menos visibilidade.

O que vejo de desvantagem?

1 – A Amazon é uma marca global e ter tal marca estampada no peito daria um peso ao Flamengo, que quer se posicionar como um clube de nível mundial;

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2 – A Amazon é uma companhia que vai além do comércio eletrônico, como frisei no outro texto. Ela é uma produtora de conteúdo que já ganhou Oscars, tem a maior empresa de serviços de computação na nuvem do planeta, tem distribuição no mundo todo, possui tecnologias de ponta que poderiam ser implementadas pelo clube…

Mas tudo depende do que está sendo conversado entre Flamengo e empresas. Se a conversa vai além da exposição da marca, considero a opção pela Amazon mais valiosa a médio/longo prazo, mesmo que o valor do contrato seja menor. Agora se o acordo envolver apenas patrocínio master, entendo que a escolha óbvia será por quem pagar mais. É aguardar os próximos capítulos.

*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Felipe Ribbe

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