Téo Benjamin: como os clubes de Jorge Jesus atuam no mercado de transferências de jogadores

Téo Ferraz Benjamin
Escrevo as análises táticas do MRN porque futebol se estuda sim! De vez em quando peço licença para escrever sobre outros assuntos também.

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Jorge Jesus é importante para um modelo que não é apenas uma estratégia de compra e venda simples, temporada a temporada

Muito tem se falado sobre Jorge Jesus. Muitos programas foram destrinchar seus esquemas táticos, suas entrevistas, seu salário… Gostaria de abordar um outro lado: a atuação dos seus clubes no mercado de transferências.

O Benfica é um clube vendedor. Seu modelo é contratar jogadores jovens e baratos para vendê-los mais caro para mercados maiores. Portugal acabou se tornando uma espécie de porta de entrada de sul-americanos na Europa, e Jorge Jesus foi importante no sucesso dessa estratégia.

Nas três temporadas anteriores à sua chegada no Benfica, o clube só fez duas vendas importantes: Manuel Fernandes (então com 21 anos) ao Valência por €18 milhões e Simão Sabrosa (já com 27 anos) para o Atlético de Madrid por €20 milhões.

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A primeira temporada de JJ (2009-10) foi a única de sua passagem com prejuízo no mercado de transferências. O clube não fez vendas importantes, arrecadando menos de €7 milhões, mas fez algumas compras, gastando mais de €32 milhões. Era a montagem do elenco.

Entre as principais aquisições da primeira temporada, estavam Javi Garcia (22 anos, €7 mi), Ramires (22 anos, €7,5 mi) e Javier Saviola (27 anos, €5 mi).

Também chegaram os brasileiros Airton (19 anos), Alan Kardec (20 anos) e Eder Luís (24 anos), por menos de €3 mi cada.

Do Fla para o Benfica de Jorge Jesus. Foto: Flamengo / Divulgação

O Benfica, aliás, intensificou suas compras na América do Sul. Entre os brasileiros, foram comprados não apenas jogadores dos times grandes, mas também da Ponte Preta, do Paraná, Goiás, São Caetano e Sport.

Na segunda temporada, continuou apostando. Trouxe os goleiros Roberto (24 anos, €8,5 mi) e Oblak (17 anos, 1,7 mi), o atacante espanhol Rodrigo (19 anos, €6 mi) e os argentinos Nico Gaitán (22 anos, €8,4 mi), Franco Jara (21 anos, €5,5 mi) e Eduardo Salvio (empréstimo).

Mas o lucro foi enorme. Vendeu Di Maria, que havia chegado em 2007 por €6 mi e saiu em 2010 com 22 anos por €25 mi + €11 mi em cláusulas, e Ramires, depois de apenas uma temporada, por €22 mi. David Luiz ainda saiu no meio da temporada por €25 mi + Nemanja Matic.

David Luiz no Benfica: transferência vantajosa. Foto: Divulgação / Benfica.

Essa transferência, aliás, é incrível. Matic chegou do Chelsea no início da temporada 2011-12 como parte da negociação por David Luiz. Jogou duas temporadas e meia como titular e foi revendido ao Chelsea em janeiro de 2014 por €25 mi!

Na terceira temporada, 2011-12, trouxe mais sudacas: o goleiro brasileiro Artur (30 anos, de graça), titular por dois anos e meio até se machucar, Ezequiel Garay (24 anos, €5,5 mi), titular por 3 temporadas, e Enzo Pérez (25 anos, €5,5 mi), jogador fundamental.

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Ainda nessa janela, Jorge Jesus foi buscar o jovem Axel Witsel, de 22 anos, no Standard Liège por €6,5 mi. O belga foi vendido um ano depois para o Zenit por €40 mi! As saídas de Fabio Coentrão (23 anos, €30 mi) e Roberto (25 anos, €8,6mi) equilibraram o caixa.

Axel Witsel rendeu ao Benfica incríveis €33,5 mi apenas um ano após ser contratado. Foto: Valerio Pennicino/Getty Images Europe.

Em 2012-13, o Benfica conseguiu adquirir Eduardo Salvio (22 anos), comprando os 80% que restavam por €11 mi. Ainda comprou Ola John (21 anos, €9 mi). Além de Witsel, vendeu Javi Garcia por €20 mi + 3 mi em bônus e conseguiu lucrar até na revenda de Éder Luís ao Vasco.

A temporada seguinte foi calma, com transferências pequenas. Apenas a saída de Matic (já mencionada acima) chama atenção. Poucas chegadas, com leve destaque para Markovic (19 anos, €6 mi). Foi a temporada da tríplice coroa doméstica com vice da Liga Europa.

Na última temporada de JJ, o Benfica trouxe três brasileiros importantes: Jonas (30 anos, de graça), Julio César (34 anos, de graça) e Talisca (20 anos, €4 mi). Vendeu André Gomes (20 anos, €10 mi) e Rodrigo (22 anos, €23 mi + 10 mi) para um grupo de investidores.

Ídolo dos Águias, Jonas chegou sem custo. Foto: Benfica / Divulgação.

Além disso, revendeu Markovic (20 anos, €12 mi por 50%) e Enzo Pérez (28 anos, €25 mi). Nos anos seguintes, o Benfica passou a vender jogadores da base: Renato Sanchez, Gonçalo Guedes, Hélder Costa, Bernardo Silva e João Cancelo, entre outros.

No Sporting, seguiu o mesmo modelo, mas com menos investimento. Valorizou Slimani (28 anos, €30 mi + 5 mi), João Mario (23 anos, €40 mi + 5 mi) e Rubén Semedo (23 anos, €14 mi), além de trazer velhos conhecidos: Markovic, Coentrão e Bruno César.

O modelo dos clubes portugueses é impressionante. Não foi uma novidade de Jorge Jesus e nem dependeu apenas dele, mas o treinador demonstrou uma capacidade apurada para encontrar talentos e, principalmente, refiná-los. Um jogador só se valoriza se jogar seu melhor futebol!

Não é apenas uma estratégia de compra e venda simples, temporada a temporada. Tem um caminho. Começa sem vender pra conhecer o elenco e fazendo muitas apostas. Depois vai lucrando nas vendas, repondo, e principalmente adicionando titulares.

Garay, Javi Garcia (depois Matic), Enzo Perez, Nico Gaitán, Salvio e mais tarde Lima e Jonas foram titulares importantíssimos. O elenco foi se formando pra ser campeão e nas últimas duas temporadas estourou nos resultados!

Falamos um pouco sobre isso e muito mais no episódio do Conexão MRN #2 – Análise e perspectivas para o Flamengo de Jorge Jesus – que foi ao ar hoje (09/06)! Vale a pena assinar o feed. Ele já está disponível no Spotify e na maioria dos agregadores (em breve no Deezer e iTunes também).

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