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Parem um pouco e pensem nesta tradição através do tempo, de flamengo em flamengo, de Flamengo em Flamengo, através dos 108 anos de futebol rubro-negro.

Blog Fla Pra Valer | por Mauricio Neves – Twitter: @flapravaler

Píndaro, o Gigante de Pedra, atuou no primeiro jogo da história do Flamengo em 1912. Passou pelos anos iniciais, com a camisa do Flamengo enfrentou a gripe espanhola e foi companheiro de Penaforte, símbolo da raça e esteio dos campeões de 1925, time quase imbatível que ainda fez a épica Expedição a Pernambuco.

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Penaforte saiu magoado do Flamengo, onde havia sido companheiro de Moderato, este o herói da conquista de 1927 justamente contra o América liderado por… Penaforte. Pedra fundamental da mitologia rubro-negra, Moderato serviu o Flamengo ombro a ombro com Flávio Costa, o Alicate. Mais tarde, como treinador, Flávio daria o tricampeonato de 1944 ao Flamengo, mas ainda como jogador ele atuou com Jarbas – de quem também seria treinador – que ultrapassou a marca centenária de jogos e de gols com o Manto Sagrado.

Jarbas anos mais tarde trabalharia na concentração do Flamengo em São Conrado e contaria suas histórias ao garoto Antônio José Rondinelli Tobias. Porém, ainda como jogador, Jarbas tabelou muitas vezes com Leônidas da Silva, o Diamante Negro, que fez uma dupla infernal com Zizinho, que por sua vez jogou com Esquerdinha, que centrou muitas bolas para gols de Evaristo. Evaristo de Macedo foi um dos que estavam em campo quando Dida iniciou sua artilharia fabulosa que encantaria um menino de Quintino chamado Arthur.

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Em sua última passagem pelo Flamengo, Dida dividiu a cancha com Carlinhos, o Violino, que fez sua última partida como profissional em 1969 e em 1970 entregaria simbolicamente suas chuteiras ao franzino Zico. Carlinhos como jogador defendeu o Flamengo junto com Liminha, um bem-acabado exemplo de atleta rubro-negro até a medula. E Liminha estava em campo nos dias em que estrearam Zico, em 1971, e Junior, em 1974. Zico e Junior, campeões de tudo, estiveram em diferentes formações com Zinho, que em sua derradeira passagem pela Gávea viu na meta flamenga Julio César.

Para evitar uma ponte direta com 2018, vamos ligar Julio César com o zagueiro Juan, que foi companheiro de Everton Ribeiro, atual capitão do Flamengo. Através do tempo, há uma corda que une Píndaro a Everton Ribeiro, corda feita de uma liga que transcende a natureza física das coisas, uma liga de aço, raça, valentia e alegria. Um cabo inquebrantável que podemos chamar de tradição.

Parem um pouco e pensem nesta tradição através do tempo, de flamengo em flamengo, de Flamengo em Flamengo, através dos 108 anos de futebol rubro-negro. Que os torcedores pensem nisso, antes de chamar qualquer um de ídolo. Que os dirigentes pensem nisso, antes da vil conveniência política. Que os cronistas deste tempo miserável pensem nisso e lavem a boca, antes de dizer que o Flamengo é odiado. E que eu, enquanto estiver vivo, pense nisso todos os dias.

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*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Goleiro Amado pula para encaixar a bola de um cruzamento na área rubro-negra. Agradecimentos ao perfil @PherusaRn.

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