De ídolos rubro-negros às cores da Seleção: conheça a história do Racing e como joga o rival do Flamengo

Bruno Guedes
Jornalista e Historiador, é apaixonado por futebol bem jogado. Já atuou na Rádio Roquette Pinto e como colunista no Goal.com. Siga no Twitter: @EuBrguedes

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  1. Domínguez só veio a jogar no Flamengo nos anos 60. E o trabalho do Fleitas Solich no Flamengo deu-se como treinador, ao passo que sua estadia no Racing não se deu nos anos 50 e sim nos anos 30. Se forem deixar erratas, aceitamos créditos, rs: https://www.futebolportenho.com.br/elementos-em-comum-entre-flamengo-e-racing/

    Outro ponto é que a Argentina já havia adotado uniforme similar ao consagrado pelo Racing em 1908, antes mesmo da Academia adotar a combinação. O dado de 1913 se refere à possível efetivação do desenho. Mas, repetimos, desde 1908 já se usava o desenho: https://www.futebolportenho.com.br/105-anos-da-estreia-da-camisa-alviceleste-na-selecao/

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Equipe é considerada uma das maiores da Argentina e tem uma História que vai da paixão dos seus torcedores à rivalidade com o Independiente

MRN Informação | Bruno Guedes – Twitter: @eubrguedes

O Flamengo terá pela frente o Racing nas oitavas de final da Copa Libertadores. Considerado um dos “Cinco Grandes” da Argentina, La Academia, como ganhou fama ao longo das décadas, é famoso por ter uma das torcidas mais apaixonadas do mundo e das histórias mais incríveis do futebol portenho. Apesar do clube de Avellaneda ter uma Libertadores e um Mundial conquistados, ambos no mesmo ano, 1967, passou por um período difícil neste século e volta aos seus bons momentos nos últimos anos.

Sob comando do badalado Sebastián Beccacece, técnico que virou sensação no país vizinho por ser comparado ao Jorge Sampaoli, a equipe tem uma estrutura ofensiva e de pressão. Entretanto, não é só pelo futebol que visa o ataque o ponto em comum com o Rubro-Negro, adversário pela próxima fase. Ídolos e paixão dos seus fãs também estão nas duas trajetórias. Confira:

História: das cores da Seleção à quase falência, a volta de um gigante

Fundado em 25 de março de 1903 por operários em Barracas al Sud (hoje Avellaneda), o Racing Clube de Avellaneda teve origem na influência inglesa, muito presente na Argentina também no hóquei e rugby, por exemplo, e de clubes como Alumni, Lomas e Belgrano Athletic. Seu nome vem de uma revista francesa, a “Racing Club”, famosa na região um pouco ao norte de Buenos Aires.

Chamado de La Academia, ou simplesmente, La Acade, ganhou este apelido durante a era amadora do esporte no país vizinho. Entre as décadas de 10 e 20, o clube dominou o cenário futebolístico e ganhou o popular apelido de “La Academia de Football Nacional”.

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Suas cores azul e branco são homenagens à bandeira argentina e ao centenário da Revolução de Maio, em 1910. E, a camisa albiceleste da Seleção da Argentina, tem origem justamente no Racing. Apesar de não ser o primeiro a vestir tal fardamento, o Atletico Tucumán teve este título, o selecionado hermano adotou o designer e tonalidades em referência a Academia. Em 1913, excursionando pelo mundo, a bicampeã mundial passou a se vestir como a equiope de Avellaneda.

Em 1950 o Racing ganhou o seu mítico novo estádio. O então presidente Juan Domingo Perón, que era torcedor do clube, foi homenageado com seu nome no hoje famoso “Cilindro de Avellaneda”. Ganhou este apelido por conta de seu formato, tendo capacidade para 51.389 espectadores.

Seu momento de glória máximo foi em 1967, quando conquistou a Copa Libertadores da América e o Mundial. Entretanto, é seu único título na competição, alvo de muitas provocações pelos rivais do Independiente, que até hoje são os maiores campeões do torneio sul-americano, com sete conquistas.

O Independiente, aliás, é seu grande rival. O estádio adversário fica literalmente a algumas quadras do El Cilindro. Considerada por muitos a maior rivalidade na Argentina, os clássicos em Avellaneda são cercados por provocações, brigas e muita paixão. Tem o apelido de El Rojo, por conta da cor vermelha da sua camisa.

Em 1983, o Racing foi rebaixado para a divisão Primera División B, ficando lá até 1985. Em 1999, após dívidas impagáveis, La Acade abriu falência. Porém, mostrando a força da sua apaixonada torcida, os torcedores ajudaram o time a se recuperar e passando a ser gerido pela empresa Blanquiceleste S.A. E a paixão rendeu frutos dois anos depois, quando levantou o troféu do campeonato Apertura, quebrando um jejum de 35 anos sem títulos nacionais.

Após altos e baixos, o time se reergueu na década de 2010. Campeão do Transición em 2014, conquistou a Primera Division de 2018/2019 e voltou a ser destaque no cenário continental, participando constantemente da Copa Libertadores.

Flamengo e Racing: muita coisa em comum

Não é só a paixão dos torcedores que é traço em comum entre O Mais Querido e La Academia. Muitos personagens fizeram parte da História de ambos os clubes. O primeiro foi Arturo Naón, artilheiro comprado em 1939 pelo Flamengo e que conquistou o Estadual do mesmo ano. O mais famoso atleta de todos foi o campeão do mundo com a Argentina em 1978, o goleiro Ubaldo Fillol. Considerado um dos melhores de todos os tempos, foi ídolo em Avellaneda e jogou na Gávea entre 1984 e 1985.

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Mais recentemente, Darío Bottinelli e Alejandro Donatti foram outros jogadores que passaram pelas duas equipes. Antes deles, Jorge Paolino, nos anos 70; Luís Cláudio e Silva Batuta, nos anos 60, e Rogelio Domínguez e Manuel Fleitas Solich, nos anos 50, também envergaram as duas camisetes. Solich participou do segundo tri estadual rubro-negro, entre 1953 e 1955.

Ofensivo e agressivo: como joga o Racing do Sebastián Beccacece

Uma das maiores revelações entre os técnicos argentinos, Beccacece impõe seu estilo de jogo agressivo e focado no ataque. Tendo como base o 4-1-4-1, se vale bastante da saída “La Volpiana”, quando um dos volantes desce entre os zagueiros, os laterais sobem pro ataque e a iniciação da fase ofensiva acontece com três defensores.

Apesar disso, o time tem bastantes variações táticas. Os meio-campistas tentam controlar o jogo a todo momento, apoiando os laterais e dando liberdade para que as construções mais perigosas acontençam pelos lados do campo. Geralmente, nesta configuração, um volante centralizado ajuda no equilíbrio da equipe.

Assim como Domènec e Jorge Jesus, é adepto do apoio por triangulações, sempre com dois jogadores disponíveis para continuar a jogada perto de quem tem a bola. Há uma grande variedade de maneiras pelas quais os jogadores ocupam determinados espaços, com inversões bastante comuns entre laterais e meio-campistas.

Uma das estratégias implantadas no atual Racing é a formação com quatro defensores e um zagueiro com mais possibilidades de construção. Com isso, o time avança e tenta “empurrar” o adversário no seu campo defensivo. Mais jogadores no ataque, mais posse para quem vem de trás. Para isso, tem trabalhado bastante com laterais que podem ficar na linha de defesa ou avançar dependendo da situação.

Sem a bola, é muito comum Beccacece não recuar sua equipe e buscar recuperar a posse através da pressão. Essa agressividade é marca dos seus trabalhos e, muitas vezes, força os rivais a terem que rifar para frente com chutões ou rouba em posição de perigo. Foi assim que abriu o placar contra o Nacional do Uruguai, na vitória por 2 a 1, na fase de grupos. Assim, o Racing recomeça com suas jogadas características.

Porém, um dos pontos negativos da equipe é a bola aérea. Apesar de forte defensivamente, os dois zagueiros, Domínguez e Sigali, são de baixa estatura e permitem muitas ações por este setor. A recomposição no meio-campo também é um fator que pode ser o trunfo do Flamengo e Domènec.

Entre os destaques do time estão o atacante Nicolás Reniero, que já marcou três gols na Libertadores e os meias ofensivos Walter Montoya e Héctor Fértoli. Os zagueiros Nery Domínguez e Leonardo Sigali comandam a defesa.

*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Reprodução / Racing

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