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Assistir documentários sobre o Flamengo constitui especial opção de conexão com a paixão em tempos de pandemia e suspensão dos jogos

O gênero audiovisual dos documentários se estabeleceu nas ultimas décadas como um dos principais meios de expressão artística dentro do esporte. No futebol, algumas produções ajudam torcedores e público comum a perceberem como o esporte e, consequentemente o Flamengo, clube que detém a maior torcida do mundo e espalhada por toda a continentalidade brasileira, é elemento indissociável da cultura dos povos.

Mais do que isso, o futebol pode ser visto como parte de diferentes patamares da sociedade, como, por exemplo, faz o documentário Two Escobars que destrincha a relação entre o futebol e o narcotráfico colombiano. Foi através de um documentário que Daniel Gordon, diretor britânico, se aprofundou na delicada temática da tragédia de Hillsborough, em que 96 torcedores do Liverpool faleceram durante uma partida.

A própria FIFA já produziu uma coleção extensa de documentários, os mais conhecidos sobre cada edição da Copa do Mundo. Um dos mais recentes é uma grande compilação de fatos e estatísticas das Copas masculinas e femininas, A História Oficial da Copa do Mundo FIFA, está disponível na Netflix.

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Quando o assunto é Flamengo, a situação não é diferente. Com o ano histórico de 2019, além de uma produção literária já disponível, dois documentários se sobressaíram: Sem Filtro: Flamengo, série documental produzida pela DAZN e Conspiração Filmes, dividido em sete episódios e disponível na mesma plataforma, relatando a conquista continental do rubro negro. E a série produzida pela Globo, Até o Fim, que explora a mesma conquista em cinco episódios, com direito a entrevistas com alguns jogadores do elenco principal.

Mas voltando a outros tempos, um das primeiras produções do Mais Querido foi o filme Flamengo Paixão, de 1980 e dirigido por David Neves. O documentário mostra a perspectiva do Flamengo se tornando um clube de maior alcance com a conquista do tri Carioca em 1979, e a consolidação de Zico como ídolo da Nação.

Outro documentário histórico é o Uma Vez Flamengo, de 1980 e dirigido por Ricardo D’Halvor Solberg, em que trabalha a relação do homem carioca com o futebol e a paixão pelo Flamengo. O filme se desenvolve mediante um Fla-Flu a ser jogado, mostrando a tensão dos torcedores, alguns lances da partida, além de um marcante registro dos flamenguistas cantando Fio Maravilha, de Jorge Ben Jor. Da série Jogos para Sempre cabe citar o Flamengo X Vasco de 1978, e o Flamengo X Atlético de 1980.

A ESPN Brasil produziu em 2012 o longa 1981: O Ano Rubro-Negro, dirigido por Dudu Monsato, e abordando a maior conquista do Flamengo, o Mundial em cima do Liverpool. Dessa fase de ouro também vale lembrar Nunes – Raça, Garra e Emoção e Zico – O Filme da vida do Ídolo.

No assunto Campeonato Carioca, merece destaque a produção da Fla Filmes Penta Tri: A Hegemonia, que relata a conquista do quinto tricampeonato carioca do Flamengo, ultrapassando em número de conquista do torneio o Fluminense, em uma das mais tensas decisões por pênaltis da história, contra o Botafogo, em 2009. A narrativa é centrada em Fábio Luciano, zagueiro e capitão do elenco.

No mesmo ano o Flamengo conquistou o Hexa do Brasileirão naquela que foi a disputa mais acirrada dos pontos corridos desde a sua implementação em 2003. A campanha foi tema do documentário Flamengo Hexa: 100 anos de futebol, dirigido por Diogo Dahl, produzido pela Fla Filmes e lançado em 2011. É também de autoria da produtora o documentário Flamengo É Campeão Copa do Brasil 2006.

O documentário Flamengo Um Século de Paixão aborda a história do Flamengo na comemoração do centenário em 1995. A produção explora não só os jogadores, mas a história de remadores e músicos que fizeram parte da história do rubro negro.

A terceira produção da Fla Filmes foi sobre o polêmico título nacional de 1987, a Copa União. Lançado em 2012, aborda a campanha vitoriosa do Flamengo de Zico e Renato Gaúcho, e as disputas jurídicas por trás daquele campeonato. O tema foi foco de um especial do Esporte Interativo Copa União 1987: o Brasileiro que ainda não acabou, com documentos e análises do lado do Flamengo e do Sport.

Em curta metragens, cabe destaque para o filme Aqui é Flamengo, de Rafael Luiz Azevedo, que conta a história do pequeno distrito chamado Flamengo, do interior do estado do Ceará. A produção capta o cenário do vilarejo durante a final das Libertadores da América de 2019, mostrando a devoção a um clube distante de sua realidade.

A crônica visual do Esporte Espetacular sobre o Flamengo x Santos de 2011 também merece citação. Narrada brilhantemente por Milton Gonçalves, a crônica narra a partida épica da 12ª rodada do Brasileirão, em que vemos o embate de Neymar e Ronaldinho Gaúcho. Simplesmente memorável.

Há um número considerável de outras produções e de registros de importantes partidas, mas a maioria delas inacessíveis. O que podemos esperar é a exploração desses arquivos por parte do Flamengo, para contar cada vez mais cada detalhe dessa imensa história.

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