Dome revela que recebeu ligação de técnicos brasileiros após demissão

Flamengo demitiu Dome após goleada sofrida para o Atlético-MG

Caiu como uma bomba na mídia, a entrevista do ex-técnico do Flamengo, Domènec Torrent, ao site GE, na manhã desta terça-feira, 2. Dome contou bastidores de vários momentos de sua passagem pelo Mais Querido, e revelou que recebeu ligações de Fernando Diniz, Paulo Autuori e mensagens de apoio de Renato Gaúcho, após ter sido demitido do clube da Gávea.

”Falei com Diniz, falei com Paulo Autuori, o Renato me mandou mensagem. Não me surpreendeu porque já tinha conversado com o Paulo, com o Fernando Diniz também. Na Europa é bastante normal, os treinadores não são inimigos. Somos colegas, cada um no seu clube”.

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Outros pontos da entrevista

Entrevistado ao longo de 40 minutos através de vídeo via internet, Dome relembrou momentos chaves da sua curta temporada na equipe. Sincero, o técnico que chegou com muitas expectativas revelou detalhes de um ambiente conturbado. Aposta do vice-presidente de futebol Marcos Braz, Torrent afirmou que as derrotas eram comemoradas internamente.

De acordo com ele, nunca viu apoio completo da diretoria do Flamengo. Revelando que tinha esse tipo de conversa com o elenco, Domenèc explicou o clima e chamou de “mentiras” os ataques sofridos:

Mas a sensação que eu tinha desde o início, e comentava como a equipe, quando liderávamos havia várias rodadas, que, com a primeira partida que perdêssemos, estaríamos fora. Por quê? Pela sensação que eu tinha lá dentro. Nunca senti apoio de verdade. Os jogadores me apoiavam. Se quiser, podemos falar deles, das barbaridades que disseram, se estávamos zangados com um ou outro jogador, o que é mentira. Disseram muitas mentiras em dois meses”, disparou o catalão.

Segundo o entrevistado, ele nunca teve uma diálogo com a diretoria. Contratado contra a vontade do vice de relações externas Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou ainda que nem mesmo teria conversado com as pessoas próximas ao presidente do Flamengo:

Nunca falei com essas pessoas. Em três meses, eu falei uns 5min com o presidente. Eu só conversava rapidamente com Marcos Braz, da diretoria, e com Spindel, que estava praticamente no dia a dia lá, não todos os dias, mas ia com mais frequência à sede. Agora lembrei que, quando fui contratado…”, citou.

Citando a derrota por 5 a 0 sofrida na Libertadores, contra o Independiente del Valle, o técnico disse que ali os dirigentes perderam a confiança em seu trabalho. Entretanto, poupou Braz e Bruno Spindel, diretor executivo de futebol do Flamengo:

Eu tinha contato com Marcos Braz, da diretoria, e Bruno Spindel. São os únicos com quem falava e interagia um pouco. Mas… como pode ser que, a cada partida, você esteja preocupado com se ganha ou não e como vão olhar para você dependendo do resultado? Como eu venho de outros times, com outra cultura, nem melhores nem piores, apenas diferentes, nunca nos sentimos apoiados. O que aconteceu no Equador foi muito forte. Então, a partir dali, eu sabia que a diretoria não confiava mais em mim”, afirmou o técnico.

E prosseguiu, afirmando ainda que em tão pouco tempo era impossível mostrar seu trabalho. Principalmente sem apoio interno:

Era isso que nós sentíamos, e era verdade. E você não pode fazer nada quando isso acontece, só trabalhar duro e tentar ganhar as partidas, porque, quando você percebe isso, a única coisa que pode te salvar são os resultados, só isso. Nem o trabalho, porque aqui um trabalho… Nenhum treinador no mundo consegue mostrar nada em três meses”, disse Dome. 

Com palavras fortes, Domenèc Torrent disparou ainda que o problema atual do Flamengo é interno. E criticou um time de 125 anos e tão grandes ter poucos títulos se comparado ao outros gigantes:

Eu sabia desde o início. Acho que o problema do Flamengo está dentro do Flamengo. Está dentro. Dentro do Flamengo. Enquanto eles não esclarecerem as coisas entre si, isso vai continuar com Dome, com Ancelotti, com Klopp, com Pep Guardiola, com quem for. Esse é o grande problema do Flamengo, porque quando vemos um time com 125 anos de história, que tem a maior torcida do mundo, e só ganhou seis Brasileirões, três Copas e duas Libertadores, é porque tem algo acontecendo lá dentro”, analisou.

Novamente sob pressão para trocar de treinador no Campeonato Brasileiro, o catalão, mesmo com menos de quatro meses no clube, alertou sobre o fato. E continuou apontando os problemas dentro do Flamengo:

Quando vemos um clube que é o que mais trocou treinadores em todo o Brasileirão, é porque algo acontece lá dentro. Então foi isso que sentimos desde o primeiro dia, porque sabíamos que muita gente lá dentro não nos queria. Sabíamos. Acho que todo mundo que trabalha no Flamengo sabe o que acontece lá”, afirmou Domenèc.

De escola europeia, mas diferente de Jorge Jesus, o ex-assistente de Pep Guardiola disse que nunca perguntaram a ele como suas equipes jogaram. Ele teria sido contratado sem uma consulta ao seu estilo de jogo:

Nunca me perguntaram como jogava ou como queria jogar. Não sei se sabiam como eu jogava ou como joguei nas outras equipes. Disseram barbaridades, como que, nas equipes em que trabalhei, sempre era goleado. Isso é mentira. No ano passado, o New York foi o time mais goleador da categoria e o segundo menos vazado”, relembrou o catalão.

Ao final da entrevista, as palavras mais duras. Sem mencionar nomes ou cargos, Domènec disse que “ficavam felizes no Flamengo” a cada vez que sua equipe era derrotada:

Inclusive, muitas vezes eu sentia que, quando perdíamos, alguém lá de dentro ficava feliz, era o que eu sentia. Minha equipe e eu tínhamos essa sensação. Então era muito complicado trabalhar assim. Fui muito feliz trabalhando no Flamengo, por causa dos jogadores. Nenhum me decepcionou. Apesar do que a imprensa diz, nunca briguei com ninguém. Fui muito feliz com as pessoas nas ruas no dia a dia. Quando fomos dispensados, as pessoas que eu encontrava no supermercado, era eu que ia estava sozinho aí, em restaurantes ou quando passeava de bicicleta, todos me apoiavam, me incentivavam”, finalizou o treinador.

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