Fla, Inter e Rodinei: dinheiro na mão é vendaval nos bons ventos que sopram para a nau rubro-negra

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Daniel Giotti | Blog Ficou Marcado na História — Flamengo e Inter não são times de torcidas tradicionalmente rivais. Não se incomodam um ao outro. Não me recordo de finais, além da de 1987, que fica apagada na memória pelo escárnio que é alguns não reconhecerem o título brasileiro para o Flamengo.

Os urubus convivem bem com o saci-pererê no mundo divertido do futebol. Mas hoje, dia 21 de fevereiro de 2021, ficou marcado na história como o possível duelo que deu o título de Campeão Brasileiro de 2020 – ano que parece não acabar para o futebol e com as perdas de vidas que a COVID nos leva.

Um jogo tenso, com os bancos de reserva tentando apitar, apesar da postura fidalga entre Rogério e Abel do início ao fim do jogo. Um chororô danado do Inter, pressionado por 41 anos sem título no Brasileirão.

Do mesmo autor: O efeito Arão e o acerto de Ceni 

Um jogo em que Rogério, tão criticado, inclusive por mim, deixa sua assinatura, como quem conseguiu melhorar o sistema defensivo do Flamengo de vez, pois sem Diego Alves, Rodrigo Caio e Arão, três de seus cinco titulares na defesa, venceu.

Uma vitória convincente que colocou o Flamengo na liderança com 71 pontos contra 69 do Inter na penúltima rodada do campeonato, fazendo rubro-negros e rubro-negras se apegarem à superstição, numa recordação do título de 2009.

Mas hoje, 21 de fevereiro de 2021, além de tudo isso, fica, ficou e ficará marcada na história, porque a máxima de que “dinheiro na mão é vendaval”, que está na música popular brasileira e no senso comum, e agora se eterniza no futebol.

Um torcedor fanático, não um mecenas do futebol, Elusmar Maggi Scheffer, um dos reis da soja no Brasil, deu 1 milhão para o Inter pagar ao Flamengo, de modo a ter no jogo Rodinei, atendendo à cláusula contratual do empréstimo feito entre os clubes.
Fiquei intrigado.

Quem pode doar assim 1 milhão e por que essa sanha por Rodinei?

Pode doar 1 milhão quem tem outras centenas de milhões a seu dispor, como Maggi.

Cada um faz do dinheiro o que quer, mas eu não daria esse valor para contar com o veterano jogador. Você daria?

As explicações seriam futebolísticas?

Não me parecem, ao menos do ponto de vista esportivo. Rodinei não tem gol neste campeonato, jogou em vinte e três das até agora trinta e sete rodadas, entrando como titular em vinte jogos.

No blog: Apesar de Ceni, o Flamengo ganhou

Não é um titular absoluto, um jogador indispensável.

Quando no Flamengo, apesar de já ter chamado Rodinei de Rodmito, passei mais tempo reclamando de suas atuações do que vibrando com lampejos de um bom futebol, sabe-se lá onde está escondido.

Considero-o um daqueles jogadores emblemáticos, que funcionam ocasionalmente e por períodos em times bem montados e esquemas táticos consistentes.

As razões são futebolísticas sim, porém, atreladas ao futebol raiz.

Rodinei, jogando, poderia atrair contra o Flamengo a “lei do ex”. Rodinei, não jogando, poderia atrair a ira da torcida colorada contra sua diretoria.

Os últimos dias não devem ter sido fáceis para Rodinei. Nada comparado ao inferno astral de hoje.

Os deuses do futebol mostraram que o esforço de Maggi, da Diretoria, do Abel, do próprio Rodinei foram em vão.

Leia no MRN Informação:

O Inter vencia por um a zero o Flamengo, quando aos vinte e nove minutos do primeiro tempo, Arrascaeta recebe uma assistência de Bruno Henrique e finaliza de pé esquerdo no meio da área.

O empate sai na hesitação de Rodinei, que poderia ter feito falta, mas parece ter tido medo de um cartão.

Jogador com medo não é boa coisa em jogo decisivo.

O tempo corre, o Flamengo melhora, e os astros conspiram, com o cartão vermelho de Rodinei aos quatro minutos do segundo tempo.

Foto: Ricardo Duarte / Internacional

O time do Inter precisa ser recomposto, o que não consegue, e Arrascaeta, o nome do jogo pelo lado flamenguista, dá um passe magistral e coloca GabiGol na cara para fazer 2 a 1 pelo Flamengo.

A elegância sútil, ora eloquente, de Giorgan de Arrascaeta, um gênio do futebol que temos o privilégio de ver pelos campos brasileiros.

Para o Inter, o um milhão de reais gasto fica como um gosto, um gasto amargo, que entra para os cofres da nau rubro-negra.

Dinheiro não tem cheiro, diziam os romanos.

Como numa regata, o Flamengo se aproveita dos bons ventos que sopram em sua direção nestes últimos tempos, nas últimas rodas, enquanto o Inter descobre que “dinheiro na mão” realmente é vendaval.

E vendaval atrapalha briga por título.

Daniel Giotti escreveu o livro “19 81: Ficou Marcado na História”, com Allan Titonelli. Compre aqui: https://amzn.to/3nQSneB


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