Flamengo 1×4 São Paulo: falhas crônicas e gritantes

Jogo terrível do Flamengo em todos os aspectos. Além dos muitos erros, um tanto de azar e coisas inexplicáveis

Blog do Téo | Téo Benjamin – Twitter: @teofb

Criticar as atuações individuais hoje é chover no molhado. Jogo terrível do Flamengo em todos os aspectos. Além dos muitos erros, um tanto de azar e coisas inexplicáveis como dois pênaltis MUITO mal batidos e assistência de goleiro.

Na verdade, acho que dá pra dividir o jogo em quatro momentos distintos.

Nos primeiros 15 minutos, o Flamengo foi superior, conseguiu manter a bola, controlar o São Paulo e variar a saída curta e longa. Abriu o placar merecidamente e continuou fazendo seu jogo… Mesmo assim, um problema persistia. O mesmo problema de sempre. A compactação defensiva, é claro.

Quando não tinha a bola, o time subia para pressionar, mas a defesa não acompanhava ou até recuava. Ficava, como tem ficado, um buraco. A questão era o São Paulo saber explorar. 

Filipe Luís disse depois do jogo: “Eles dominaram o meio-campo, sempre tinham um jogador a mais ali e isso forçou nossa defesa a recuar. Aí sempre sobrava um espaço entre as linhas”

É verdade. Mas tem sido verdade sempre, até quando o time joga bem. Aos 17 minutos, o Flamengo foi punido justamente nesse espaço.

O SPFC troca passes no meio-campo, mas não há pressão na bola. Três adversários se colocam entre as linhas, mas o lançamento sai na esquerda. Quando Natan corta, é óbvio que o rebote é são-paulino naquele latifúndio.Aí começa a segunda parte do jogo. O Flamengo parecia ter sentido o gol, deixou de encontrar espaços, alguns jogadores começaram a errar mais, mas o jogo ainda era equilibrado.

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Dá até pra dizer que o Flamengo estava melhor.

Isso até o pênalti. Aos 27 minutos, o árbitro precisa do VAR para ver um pênalti claríssimo que pode reestabelecer o Flamengo na liderança, coroando a atuação mediana, mas suficiente até ali.

Mas a péssima cobrança de Bruno Henrique abala o time como um terremoto. Começa aí a terceira parte. 

O São Paulo passa a ser o time calmo, que controla o ritmo. Passa a controlar a saída do Flamengo – tanto a curta quanto a longa – e começa a rodar a bola. Não gera perigo, mas roda e começa a encontrar espaços…

O Flamengo parece perdido, torcendo pelo fim do primeiro tempo. Não deu tempo de chegar no vestiário com um empate. Volpi dá um chutão, o Flamengo devolve a segunda bola, o SPFC troca passes de maneira quase despretenciosa na esquerda e sai o cruzamento.

Mais uma vez, a defesa está exposta. São 4-contra-4 na área. Além de exposta, mal posicionada. GH não está virado para a bola, para o campo, ou colado no atacante. Está virado para o fundo, preparado para cortar APENAS um cruzamento fechado.

A bola vem nas costas e ele precisa dar TRÊS passos para ajeitar o corpo antes de tentar cortar.

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Uma defesa exposta é forçada a jogar sempre no limite.

Mas a defesa do Flamengo – essa defesa do Flamengo – não pode jogar no limite. Vão forçar e ela vai quebrar. Prova isso mais uma vez… Ainda mais em momentos decisivos, contra times que têm qualidade. Se já estava mal, a virada consolidou o momento ruim. O time voltou muito mal do intervalo.

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Mais uma vez exposto, GH é facilmente envolvido por Brenner, que aciona Igor Gomes e o chute sai para fora. O escanteio mal marcado gera uma bola pingada na área e GH faz o pênalti. A partir daí, acabou o terceiro momento do jogo. Na verdade, efetivamente acabou o jogo.

O Flamengo desanima, praticamente desiste e a quarta parte é meramente protocolar. Domenec começa a tirar os pendurados já pensando no próximo jogo. Depois do terceiro gol do SPFC, nem precisa de análise. Não tem futebol para analisar.

O Flamengo simplesmente foi morrendo, o jogo foi ficando morto, mas mesmo assim deu tempo de perder um segundo pênalti e tomar mais um gol fruto de péssimo posicionamento da defesa. Aliás, perder dois pênaltis em um jogo dá até gastrite, mas perder dois pênaltis batidos assim dói até na alma. O Flamengo está no meio da principal sequência do campeonato. Essa sequência pode fazer o time perder o título ou ganhar o título.

São jogos decisivos que fazem a diferença. Até aqui, empate no último minuto contra o Inter e derrota acachapante hoje.

Não dá nem pra pensar em perder para o Atlético-MG. Todo o planejamento para a semana, mesmo para a Copa do Brasil, precisa ter esse foco em mente.

Quis o sorteio que o Flamengo pegasse uma sequência tão pesada logo no fim do primeiro turno. O time precisa estar à altura. Falta muito campeonato, todo mundo vai largar pontos, mas o Flamengo precisa melhorar – e precisa se garantir nos momentos decisivos.

Afinal, nesses momentos as falhas crônicas (que têm tido consequências maiores ou menores) não apenas aparecem, elas gritam! 

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