Flamengo e outros times do CBLoL precisam manter altos investimentos para atingir sucesso além-Brasil

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A cada ano que passa, o Campeonato Brasileiro de League of Legends supera seus recordes de audiência. O crescente interesse tanto no LoL quanto no campeonato nacional da modalidade é apenas mais uma evidência da legitimação dos eSports no Brasil, transformando um cenário antes altamente amador e movido por paixões em um verdadeiro negócio com o mais alto profissionalismo.

Hoje, pode-se considerar o CBLoL uma das maiores ligas de League of Legends – e consequentemente de eSports – do Ocidente. Em 2019 o Brasil apresentava o terceiro maior público de eSports do planeta, com 7,6 milhões de fãs acompanhando partidas de várias modalidades do cenário. O número só tem aumentado desde então, como mostra os 395 mil espectadores que acompanharam a final do segundo split do CBLoL no ano passado – quase 80 mil a mais do que no ano anterior.

Esses números provavelmente continuarão a crescer a taxas de dois dígitos por anos a fio, mesmo que o cenário brasileiro pouco faça para evoluir competitivamente. Entretanto é preciso ter ambições maiores a nível competitivo, principalmente em termos internacionais. O sucesso do CBLoL fora do Brasil consolidará o cenário nacional como algo que não só atrai grandes audiências, mas que consegue transformar a atenção trazida por esses números em grandes resultados em quaisquer palcos.

Flamengo no Mundial

A entrada do Flamengo no cenário de League of Legends foi um sopro de esperança até entre os que não são fãs do time de futebol. Uma vez que o rubro-negro tem tido grande sucesso extracampo com suas finanças, melhorando significativamente seu status no mercado de crédito a partir do pagamento de algumas de suas maiores dívidas e angariando receitas gigantescas para o nível brasileiro do esporte, houve a esperança de que alguns destes fundos poderiam ser direcionados para o mais novo time de eSports da praça.

O investimento iniciado em 2017 teve potencial para dar seus maiores frutos em 2019, quando o time foi campeão do segundo split do CBLoL em uma vitória por 3 a 2 sobre a INTZ. O resultado levaria o Flamengo para a fase classificatória do Mundial de LoL, com Felipe “brTT” Gonçalves tendo a chance de repetir o feito de classificar o Brasil para a fase de grupos da competição após fazê-lo com a paiN Gaming em 2015.

Entretanto, o Flamengo não conseguiu recolocar o Brasil para brigar entre os “grandes” do League of Legends. Apesar de boas performances contra os adversários diretos do grupo classificatório, o time turco Royal Youth, o rubro-negro falhou na partida de desempate que poderia colocá-lo na etapa definitiva do “play-in” para a fase de grupos do Mundial. E o resultado levou a mais autorreflexões por parte tanto do Flamengo quanto do cenário brasileiro de LoL em si para encontrar o que deu errado nesse esforço.

Recursos em mãos

São muitos os detalhes que podem fazer um time de League of Legends alcançar seus objetivos ou falhar totalmente na sua busca, incluindo aí a falta de recursos. Mas nesse âmbito em específico, é difícil dizer que os grandes times do cenário brasileiro sofrem com restrições que impedem que amplos investimentos sejam feitos no cenário.

Por conta de sua audiência, o CBLoL conta com o patrocínio de grandes nomes, sendo um deles a KitKat, marca de chocolates do grupo Nestlé. Entre os times, a paiN conta com o apoio de companhias como a Coca-Cola e também com a presença da Motorola na estampa de suas camisas. O ciclo não se encerra por aí, uma vez que a casa de apostas em LoL Betway oferece odds para jogos do CBLoL há anos, enquanto veículos de imprensa, incluindo a Globo, através do canal de esportes SporTV, investe de forma pesada na cobertura do cenário.

Isso sem contar com o modelo de franquias vigente no CBLoL desde o começo de 2021, significando que não existe mais o famigerado risco de rebaixamento que muitas vezes poderia servir como depressor de investimentos nos times do cenário. Agora que os investimentos são mais seguros do que em tempos de outrora, a espera é de que se tome mais riscos com a contratação de mais talentos de dentro e de fora do Brasil para ajudar a elevar o patamar do torneio em si.

Combinações

Em termos de novos investimentos realizados, ainda é muito cedo para julgá-los. Pelo menos até o dia 11 de fevereiro, o Flamengo mantinha um recorde invicto de 8 vitórias no campeonato sob o comando do técnico turco Serdar “Pades” Padeş, que chegou ao time no fim de 2020. Enquanto isso, o time de “novos talentos” da Red Canids encontrava-se logo atrás dos rubro-negros, com 7 vitórias e uma única derrota até então.

É bem possível olhar para Flamengo e Red Canids como exemplos de caminhos a serem seguidos pelo CBLoL caso o desejo do cenário seja superar as eliminações no Mundial já na fase classificatória do campeonato. Um “mix” entre investir nos mais jovens talentos do cenário, aproveitando a grande quantidade de jogadores de League of Legends no país, e o bom uso dos vastos recursos que os times brasileiros têm em comparação a outras regiões “wildcard” como o restante da América Latina para contratar nomes estrangeiros, é um dos cursos que podem ser percorridos rumo ao sucesso internacional.

Para tanto, é preciso encontrar um sistema que sirva como um “pipeline” entre os times principais do CBLoL e suas versões “Academy”. Estes times secundários precisam ser mais do que esquadras reservas, algo que pode ser feito a partir do estabelecimento de um sistema meritocrático que dê esperanças reais aos jogadores “Academy” de jogarem pelo time principal da franquia.

A importação de nomes estrangeiros podem ajudar o Brasil a criar desde a base de formação dos jogadores de LoL uma ética de dedicação e trabalho que parecia estar em falta quando o cenário ainda se encontrava em um aparente limbo entre amadorismo e profissionalismo há alguns anos. Agora que os eSports se mostram cada vez mais como algo de “gente grande”, seria de bom grado usar essa virada cultural no cultivo de boas atitudes dentro e fora do jogo para ajudar o cenário brasileiro a realizar seu potencial dentro e fora do país.

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