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Uma reportagem da Folha de S.Paulo, que diz ter tido acesso a planilhas de pagamentos de premiação ao Departamento de Futebol do Flamengo revela que funcionários do futebol tiveram desconto de até 90% da premiação combinada pelas conquista do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. A polêmica em torno da divisão gerou uma crise na véspera da disputa da final do Mundial de Clubes e o vazamento da discussão acabou resultando na não renovação do contrato do gerente Paulo Pelaipe. Veja o que a matéria da Folha, assinada pelos repórteres Alex Sabino, revela, neste resumo do MRN:

  • O Flamengo prometeu pagar ao elenco R$ 33 milhões pelo título da Libertadores e R$ 28 milhões pelo título do Brasileiro. Em março, antes da estreia na Libertadores com o San José, houve uma reunião de dirigentes com os jogadores, da qual participaram Diego, Rodrigo Caio, Everton Ribeiro e WIllian Arão na qual ficou acertado que 30% deste valor (ou R$ 18,3 milhões) deveriam ser rateados entre funcionários do departamento de futebol
  • As divergências sobre o pagamento começaram no dia 13 de dezembro, data do embarque para Doha, quando uma funcionária do RH apresentou as planilhas com os valores que seriam pagos ao CEO do clube, Reinaldo Belotti. Belotti então procurou o presidente Rodolfo Landim e questionou os valores, e disse que no mundo corporativo os bônus chegariam a no máximo quatro salários por funcionários.
  • Diante do impasse, o vice-presidente de Relações Externas, Luiz Eduardo Baptista, defendeu que no dia 20 de dezembro, véspera da final do Mundial, fossem pagos apenas os prêmios dos jogadores e dos portugueses da comissão técnica, sobre os quais não havia divergência. Ao saber da intenção, o técnico Jorge Jesus brecou o pagamento, alegando que, ou todos recebiam, ou ninguém recebia.
  • Os jogadores também não gostaram da solução proposta pela diretoria, argumentando que o dinheiro era deles, não do Flamengo, e que não fazia sentido rediscutir um assunto já acordado em março. Landim e Bap, porém, não recuaram, e os jogadores entraram em campo pra final do Mundial sem receber os prêmios.
  • A premiação foi paga durante as férias dos jogadores, com o desconto de até 90% defendidos por Belotti. Um funcionário do futebol próximo aos jogadores que deveria receber R$ 75 mil recebeu apenas R$ 13 mil. Secretários que teriam direito a R$ 27 mil levaram R$ 4.000. E seguranças que receberiam R$ 20 mil ganharam R$ 2.100.
  • Além disso, o clube descontou a alíquota de 43,63% sobre os prêmios, o que gerou questionamentos já que o máximo de imposto de renda é de 27,5%.
  • Os descontos não foram aplicados aos portugueses, que haviam combinado receber seus prêmios livres de impostos. O técnico Jorge Jesus ganhou uma premiação total de R$ 10.664.708 — R$ 6.090.345 pela Libertadores e R$ 4.574.363 pelo Brasileiro.
  • Funcionários de alta hierarquia dentro do departamento também não tiveram desconto. Segundo a matéria “um integrante da gerência que tinha cerca de R$ 370 mil a receber” (provavelmente Pelaipe) e “um diretor” (provavelmente Bruno Spindel) que tinha prêmio prometido de R$ 1 milhão receberam o valor integral combinado
  • A reportagem não diz o que aconteceu com a diferença do dinheiro não pago aos funcionários, se ele foi repassado aos jogadores e à comissão técnica ou se o clube reduziu o total da premiação e ficou com o dinheiro para outros fins
  • O Flamengo não quis se manifestar sobre as informações da reportagem, dizendo que esse é um assunto interno e que “o clube não tem o costume de se manifestar sobre salários, bônus e temas relativos a esses”

Ontem, na primeira coletiva do ano, o técnico Jorge Jesus disse que a discussão sobre a premiação é um assunto superado. Resta saber se isso continuará assim após as revelações feitas pela Folha. O clube pode ter novas divisões de premiação a discutir logo no início da temporada, já que até o fim do mês que vem disputará dois títulos: a Supercopa do Brasil, que paga R$ 5 milhões ao campeão, e a Recopa Sul-Americana, que dá prêmio de 2 milhões de dólares ao ganhador.

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