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Pra completar a lista de motivos dos quais tomamos conhecimento muita gente simplesmente não curtiu levar um bote do clube na subida do morro

Blog Unapitanga | Arthur Muhlenberg – Twitter: @Urublog

Às vezes ela é dengosa. Às vezes é bicho de peçonha. Se na quarta-feira contra o Boavista a torcida do Flamengo mostrou sua força apoiando o clube, comprando o seu barulho e perseguindo as metas propostas no plano de negócios da diretoria, no domingo a mulambada ficou revolts e mostrou que também é forte demais quando luta por si mesmo. Claro ficou que, mesmo entre os que podem pagar, que a maioria da Nação é contrária ao modelo de monetização do streaming que o Flamengo propôs.

A maioria é, ou ao menos ficou, contra essa parada de cobrar pelo jogo por N motivos. Alguns dizem que o modelo é essencialmente excludente, o que já é motivo suficiente para descartar tal ideia no Flamengo por ser contrária ao que o Flamengo tem de mais exclusivo e único que é a sua capacidade de se deixar amar por qualquer mulambo sem cartão de crédito. Ainda mais no sanhaço pelo qual o país todo tá passando.

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A justificativa é boa, embora essa cobrança já tenha rolado no Campeonato Brasileiro desde que adotaram o pay-per-view. Mas na TV já nos acostumamos a essa garfada e as gatonet tão aí mesmo pra ajudar a dibrar a cintura dura desse otário chamado Mercado. Agora internet é outro papo, menos gente tem acesso aos equipamentos e aos pacotes de dados necessários para se assistir o futebol decentemente. Sem falar que a internet ainda tem aquela aura romântica de ser o lugar das paradas grátis.

Teve também quem ficou contra a cobrança porque, ao contrário do povo do motivo de cima, acreditam muito no potencial de geração de receita do streaming, mas condenam a maneira que o Flamengo tocou esse barco. Pra essa galera o modelo, o timing, o planejamento, a logística, a comunicação. . . foi tudo errado.

Tem outros flamenguistas que acham que essa cobrança é extrativismo primitivo, uma solução muito aquém da que se espera de homens de negócios bem sucedidos e acostumados a ganhar muito dinheiro apostando na eficiência e na correta leitura do mercado. Pra completar a lista de motivos dos quais tomamos conhecimento muita gente simplesmente não curtiu levar um bote do clube na subida do morro poucas horas antes de começar o baile. A mulambada nunca foi muquirana, mas não gosta de ser arrochada.

A torcida não entubou em silêncio, fez muito barulho desafiando os arautos do bom senso, os pelasaco e os sofistas de ocasião com seus “não existe almoço grátis”, “o time de estrelas custa caro” e quetais. Passou o sábado e o domingo enfiando a porrada no clube nas redes sociais. Pra completar a tempestade perfeita a logística falhou clamorosamente, os sites envolvidos com o aplicativo palha abriram o bico e nem cobrar de quem se prestou a pagar foi possível. O sinal foi aberto gratuitamente pro canal da Fla TV. Gol da torcida.

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No longo prazo foi vitória do clube também, porque quem pode e deve dar os limites de até onde o Flamengo pode avançar nos bolsos do torcedor é o próprio torcedor. Foi um movimento de ajuste e conformação à realidade muito saudável e necessária numa entidade paragovernamental pertencente a 40 milhões de pessoas, mas dirigida por uma elite escolhida por pouco mais de 3000 privilegiados eleitores no Leblon.

Claro que a luta continua, nada de baixar a guarda. Ao fim do jogo, em entrevista para a Fla TV, Landim deu a entender que a iniciativa foi um sucesso. Um sucesso tão estrondoso de demanda que fracassou. Uma verdadeira pérola do duplipensar corporativo. Mas o único dinheiro que entrou foi aquele doado espontaneamente pela torcida através do Superchat do Youtube. Não se pode acreditar em tudo que sai na internet, mas o que dizem é que as doações ficaram em torno de 200 mil reais. O que não paga os custos de abrir o Maracanã e fazer a transmissão. Somos todos contra o preju, mas são as dores inevitáveis do aprendizado.

O presidente não foi assertivo, mas pode ser que pro Fla-Flu da final da Taça Rio, que ainda não definiu quem é o mandante, o Flamengo tente outra vez, com mais organização e método, cobrar da torcida pelo direito a ver o jogo. Fora que tem umas liminares marotas rolando nesse inquérito que envolve Flamengo, Globo e FERJ que ainda podem sacudir o tabuleiro. Por via das dúvidas, quem for contra a cobrança deve começar a espernear o quanto antes.

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Porque não dá pra ficar empolgado com essa vitória de domingo e perder de vista uma dura realidade. A maioria pode até ser contra, mas tem muita gente na torcida do Flamengo que pode, acha justo e quer pagar pra ver o jogo em streaming. Gente suficiente para que a diretoria em seu pragmatismo considere ligar o foda-se pra quem não pode pagar e adotar esse modelo carrasco pra sempre. Mesmo que só possa ser colocado efetivamente em prática em 2025 não podemos nem pensar em deixar essa ideia prosperar.  É melhor não arriscar.

Pra não dizer que não falei de flores, no gramado perfeito do anecúmeno do Maracanã, um dos lugares mais desertos e controlados do Rio de Janeiro, o time do Flamengo massacrou o esforçado Volta Redonda em ritmo de treino. Dá gosto ver esse time, cá pra nós, vale até mais de 10 reais ver o time treinar. Pra acabar com essa palhaçada do nosso pobre rural só nos falta  sacudir o Fluminense na final. O mesmo Fluminense que tomou um sacode de 3×0 do mesmíssimo Volta Redonda. Adianta dizer alguma coisa? O Carioca não tem mesmo a menor graça. Bi campeonato é obrigação.

*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Divulgação

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