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quinta-feira, novembro 26, 2020

Ricardo Moura: arroz queimado

Ricardo Moura
Ricardo Moura é jornalista e apaixonado pelo Flamengo. Não debate finanças e reluta em usar termos da moda, como terço final e mapa de calor. Acredita que o futebol e o Flamengo trabalham com a paixão e por isso esquece números e se apega ao lúdico do esporte.

Mas, diante do cenário catastrófico que é ver o arroz dar aquela “pegada no fundo”, eis que surge o nosso Mister

blog resenha rubro-negra

Líderes do meu coração….

Que clássico maluco.

Que pancadaria.

Que vergonha do que houve fora do estádio e nas arquibancadas.

Fecha a conta e passa a régua, o humanidade está perdida.

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Falar do jogo fica até difícil quando a gente vê o que rolou no pré, durante e pós jogo.

Mas enfim, essa é a luta diária do brasileiro. A gente apanha no transporte, leva tapa da polícia, murro dos políticos.

Mas, graças a Deus, Buda, Alá e todos os Orixás possíveis, temos o nosso Flamengo para levar alegria e conforto a uma multidão.

Ontem, em determinado momento, pensei que o caldo iria azedar.

Sim, acreditei que o arroz ia dar aquela queimada no fundo, daquelas que não adianta querer comer só a parte de cima, o sabor muda completamente.

Mais do autor no Resenha Rubro-Negra: Obrigado, amigo!

Mas, diante do cenário catastrófico que é ver o arroz dar aquela “pegada no fundo”, eis que surge o nosso Mister.

Na hora que Eric “Dedo duro” Faria invocou os nomes de Lincoln e Lucas Silva, juro, me tremi todo. Respirei fundo e já ia mandar um “BURROOOO”.
Só que a gente sabe. Eu sei. Juro que sei. Me faço de tonto, mas sei que Jesus tem seu poder abençoado. Criado em Belém (não é no Pará e nem na Palestina, to falando do Pastelzinho de Belém) o Mister estava armando o bote. Mandou os meninos para o campo com fé e lá foram os dois. Tal qual soldados vão para a guerra.

Jogo pesado, tenso e amarrado. Vuadem fazendo de tudo para rolar uma morte em campo, o zagueiro do faísca dando porrada até na mãe, Alberto “Jogou aonde” Valentim surtando no banco. Nada disso adiantou.
Pablo Mari levantou a cabeça e tocou no Renê. Como se fosse um patinador do Carrefour (referência aqui de São Paulo) nosso lateral andou alguns metros e abriu para Everton “Messi” Ribeiro. Tá ligado, quando o Miteiro pega na bola o campo vira um latifúndio. Deu três toques na bola e descolou o Bruno “Melhor que o CR7” Henrique na ponta. Na corrida nem o Hamilton pega o rapaz. Ai filho, ali é gol. Quando nosso ponta corre a gente sabe, ou é caixa dele ou alguém vai se consagrar. Não teve gol do Gabigol, mas teve gol do Lincoln.

Flamengo um, Botafogo zero.

No jogo que valia muito para os dois, o campo resolveu imitar a vida…

“Todo dia eu saio de casa sabendo que vou apanhar. Sei que não será fácil. Tudo que acontece nas ruas é feito pra me deter. O trânsito, a violência, a inoperância dos serviços públicos e até o clima maluco. Eu sei que é difícil, mas não tenho outra saída. Preciso encarar o Mundo e sobreviver. Se sair é uma luta, voltar é meu 1 x 0. Quando chego em casa e olho nos olhos dos meus, sinto que toda facada que tomei na selva serviu para me deixar mais forte para o outro dia. Apanhar faz parte, levantar é que me faz diferente.”

Ontem o Flamengo foi diferente. Se não foi na bola, foi na força.

Que venha o próximo jogo e com ele mais 3 pontos.

CLÁSSICO – Vai doer o que vou falar. Mas a melhor coisa que poderia acontecer é: jogo contra o Botafogo tem que ser torcida única. Não dá mais para ser assim.

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