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quinta-feira, novembro 26, 2020

Téo Benjamin: Flamengo 4×1 Corinthians (análise da partida)

Téo Ferraz Benjamin
Escrevo as análises táticas do MRN porque futebol se estuda sim! De vez em quando peço licença para escrever sobre outros assuntos também.

Um jogo para falar sobre domínio e propostas, para celebrar a vitória e para tranquilizar os desesperados: o Flamengo de Jorge Jesus ainda é bom demais

Vitória incontestável do Flamengo sobre o Corinthians em um Maracanã lotado e pra lá de quente!

Um jogo para falar sobre domínio e propostas, para celebrar a vitória e para tranquilizar os desesperados: o Flamengo de Jorge Jesus ainda é bom demais.

O Flamengo entrou no seu 4-4-2 de sempre. Reinier fazia a dupla de ataque com Bruno Henrique e Renê ocupava a vaga de Filipe Luís, poupado.

O Corinthians veio num 4-1-4-1 bastante defensivo, com Ramiro por dentro e Pedrinho fazendo o corredor direito. Gustavo jogava bastante isolado na frente, tentando disputar pelo alto os lançamentos da defesa para uma eventual casquinha.

A palavra que define o jogo é CONTROLE.

Os dois times têm propostas para controlar o jogo, mas partem de estilos completamente diferentes.

Enquanto o Flamengo controla o jogo pela bola, o Corinthians controla – ou tenta controlar – sem ela, pelo domínio do espaço. O que é, afinal, jogar bem no futebol?

Existem estilos que nos agradam mais, mas isso é diferente de jogar bem.

O futebol é, a meu ver, um jogo de imposição de modelos de jogo. Se você consegue condicionar o seu adversário a fazer o que você quer, poderá dizer que jogou bem. A ideia central do Corinthians de Carille é (ou era) se defender obrigando os adversários a jogarem de uma certa forma, criando armadilhas e saindo no contra-ataque. Não é muito agradável, mas pode ser eficiente.

Defender também é forçar o adversário a te atacar como você quer. O trabalho talvez tenha se perdido no excesso de preocupação defensiva, na falta total de ousadia e em uma insistência irritante por fazer cera e esfriar o jogo.

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O Corinthians não vem bem, mas ainda consegue administrar bem os espaços e buscar o controle do jogo por aí. Apesar de o Flamengo propor o jogo, ter o domínio das ações e o controle do ritmo, o Corinthians ditava como o jogo acontecia.

Era o Corinthians que determinava como o Fla atacava e, assim, criava uma situação favorável para tomar poucos sustos. O 4-1-4-1 deles é bem compacto. As linhas jogam próximas e o time é “estreito”. Com isso, forma-se o que a gente chama de uma “zona de guerra” bastante congestionada pelo meio.

É muito difícil passar por ali. Tem muita gente e muito combate.

Assim, o Fla era obrigado a atacar sempre por fora. Chegava no fundo com jogadas interessantes, fazia o cruzamento e… nada.

A defesa corinthiana protege muito bem a própria área. Vieram preparados para receber uma chuvarada e cortar tudo pelo alto. Era o que Carille queria.

Foram 23 cruzamentos rubro-negros nos primeiros 30 minutos, sendo apenas um certo. Nesse período, o Fla teve apenas 2 finalizações, ambas erradas.

Mas aos 30 minutos veio a parada para hidratação. Jorge Jesus mudou o time e ganhou o jogo.

Era hora de entrar na zona de guerra. A formação mudou para um 4-2-3-1 com Everton flutuando pelo meio, bem dentro da guerra.

Os volantes (especialmente Gerson) passaram a jogar mais próximos do ataque, aumentando a intensidade da troca de passes e da pressão pós-perda (tentar retomar a bola logo depois de perder).

O Flamengo forçava o jogo pelo meio e literalmente pedia passagem por dentro da armadilha corinthiana, fatiando a zona de guerra. Perdia a bola muitas vezes, mas pressionava rápido e forçava chutões totalmente aleatórios para frente. RC e Marí ganhavam todas e o ciclo recomeçava. A prova disso tudo está nos números do jogo.

A posse de bola foi de 59% nos primeiros 30 min e chegou a 75% nos quinze minutos finais do primeiro tempo.

O número de cruzamentos caiu. Os 23 nos primeiros 30 minutos viraram 9 nos quinze minutos seguintes. As duas míseras finalizações antes da parada técnica se tornaram 5 nos 15 minutos finais.

No Blog do Téo: Goiás 2×2 Flamengo (análise do gol de empate)

O número de passes certos se multiplicou de 152 em 30 minutos para 115 em 15 minutos e o percentual de acerto foi de 90% para 96% Ou seja, o Fla arriscava mais e tirava o Corinthians do seu conforto, forçava o jogo onde Carille não queria. Com isso, tinha mais a bola, cruzava menos e finalizava mais.

A pressão aumentou até que se tornou insuportável. O pênalti saiu aos 42 e o Corinthians ficou tonto. O lendário Cláudio Coutinho dizia que quando você enfiava a faca no seu adversário, não era hora de tirar. “Enfia a faca e roda”, comandava ele.

Foi exatamente o que o Flamengo fez, marcando o segundo gol um minuto depois e o terceiro com menos de 30 segundos do segundo tempo. No segundo tempo, aliás, JJ mudou de novo. Trouxe uma espécie de 4-1-3-2 torto, com muita gente pelo lado esquerdo, criando sobrecarga por ali – exatamente onde saíram os dois gols.

Com o Corinthians agonizando, o ritmo baixou e o jogo virou protocolar. Só serviu para o olé.

Uma atuação segura de um time que conhece seu potencial e com um treinador que não tem medo de mudar e arriscar.

O Flamengo teve momentos brilhantes no jogo, mas o mais importante foi a consistência e segurança de uma equipe que sabe o que está fazendo no campo. O Flamengo oscilou nos últimos jogos e muita gente ficou preocupada.

Não há motivo para desespero! É absolutamente normal oscilar. Esse time ainda tem muito a evoluir, mas o caminho é extremamente promissor.

Como disse Jorge Jesus após o jogo: “voltamos a jogar como Flamengo”.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Excelente. Já vinha te seguindo no Twitter. Faz jus ao reconhecimento e recomendação recente de outro grande, o Mauro Cézar. Sucesso! Que continue assim!

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