Gabigol fala de polêmicas nos bastidores do Fla e diz o que pensa sobre a pressão dos torcedores

Denise Neves
Futebol e política se misturam sim. @eudeniseneves

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Durante coletiva de imprensa, Gabigol respondeu ainda sobre “falta de comando” dentro do clube e a briga pelo título do Campeonato Brasileiro

Na manhã desta sexta-feira, 15, Gabigol realizou uma entrevista coletiva diretamente da sala de imprensa do Ninho do Urubu. O artilheiro respondeu perguntas sobre o relacionamento da equipe com Rogério Ceni, polêmicas sobre panelas dentro do elenco e cobranças da nação rubro-negra devido ao baixo desempenho do time nas últimas rodadas.

Logo de cara, Gabriel Barbosa foi questionado sobre a sua postura no último jogo contra o Ceará, quando ficou no banco de reservas sem uniforme e com expressão de poucos amigos. Ao responder, o atacante foi claro ao afirmar que não gosta de ficar no banco de reservas, mas minimizou especulações geradas em torno da situação.

“Não. Eu estava no banco, óbvio que eu não gosto de ficar no banco, qual é o jogador que gosta? Eu quero jogar, quero ajudar, mas também respeito os meus companheiros, respeito quem entrou. Vi que muita gente falou besteira, principalmente por eu estar sem a camisa do Flamengo, sendo que contra o Fortaleza eu também estava com outra camisa, entrei e fiz o gol.

Disseram que eu não quis dar entrevista, que eu não entrei, sendo que nem teve treino dos reservas. Eu sei que quando eles falam essas coisas, eles ganham ibope, então sei que é normal que eles comecem a reparar em tudo. Se eu ficasse sorrindo, é porque eu estava feliz por estar no banco, se eu ficasse triste, é porque eu estava bravo”, pontuou.

Gabi também foi perguntado sobre as recentes polêmicas que circularam pela imprensa sobre panelas dentro do elenco, que estariam rachando o relacionamento entre os jogadores. Ao responder, o atleta riu e negou a existência das informações.

“Não existe isso. É claro que em um grupo de 50, 100 pessoas trabalhando diariamente, ter afinidade com alguma pessoa é normal. Mas aqui dentro do clube, que praticamente são os mesmos jogadores que ganharam em 2019, não tinha panela. E quando perde, tem”, afirmou.

Ao responder sobre a falta de comando para colocar ordem na casa, Gabigol disse que o que falta para o clube ser campeão são os resultados: “Não. A gente tem pessoas aqui que dão respaldo para a gente como Landim, Marcos Braz, Spindel e o nosso treinador. Não sinto que falta isso, o que sinto que falta são os resultados”.

Na coletiva de imprensa realizada por Rogério Ceni no pós-jogo contra o Ceará, o técnico do Flamengo afirmou que uma das razões para Gabriel Barbosa ter começado no banco, foi por ter identificado que ele e Bruno Henrique estavam jogando muito distantes. Gabriel respondeu o que pensa sobre a mudança no sistema de jogo.

“Como a gente joga muito tempo junto, as defesas se ligam mais na nossa movimentação, então é normal que a gente seja muito bem marcado. Os números provam que a gente tem dado resultado. Claro que pode ser melhor. A gente quer melhorar e vai melhorar. A gente vem fazendo de tudo para se aproximar mais dentro de campo e fazer mais boas jogadas, não só a gente mas os outros jogadores”, ressaltou.

Gabigol também falou sobre liderança dentro do elenco. “Cada um tem a sua liderança. A gente tem o Vini que não fala tanto com a imprensa. Temos o Diego Alves que dentro de campo é um líder, o Diego que fora de campo também é um líder…

Temos eu, que também sou um líder mas de um jeito totalmente diferente deles, com o meu jeito de ser, espontâneo, muitas vezes em cima dos juízes ou ao brigar com algum jogador do time adversário. Temos o Gerson, que tem comprado a ideia de ser um líder, temos o Renê que está aqui há muito tempo, o Willian Arão que tem mais de 30 jogos com a camisa do Flamengo… O que falta não é liderança, o que falta é vencer os jogos”, disse.

Sem fugir das perguntas, Gabriel Barbosa também deixou claro o quanto lhe incomoda ficar no banco de reservas. “Muito. Não quero ficar no banco. Mas ninguém quer, quem que quer? Ou você acha que o Pedro quando estava no banco, estava feliz? O Michael não está entrando, também está feliz?

Todo mundo quer ajudar, quer ser campeão duas vezes seguidas do Brasileiro. Sobre a camisa, na Europa é muito normal isso acontecer. Eu fiquei sem camisa contra o Fortaleza e não vejo isso como um problema. Eu fiquei sem a chuteira porque tive uma lesão muito séria no tornozelo, então incomoda um pouco”, explicou.

Gabigol falou também sobre o aspecto tático e psicológico como reflexo do que tem acontecido dentro de campo no time do Flamengo.

“Se a gente for analisar, estamos falando de um time que venceu uma Libertadores faltando três minutos, que contra o Racing fez um gol no finalzinho. Então, a gente tem poder de reação sim, mas creio eu que a gente precisa melhorar, matar os jogos antes, cuidar mais taticamente ou psicologicamente para não sofrer os gols e se sofrer, correr atrás para virar a partida. A gente precisa melhorar isso, fazer mais gols e tomar menos gols”, afirmou.

Ainda sobre o desempenho da equipe, Gabriel Barbosa deu a sua avaliação sobre o que tem faltado para o Flamengo conquistar resultados positivos dentro de campo.

“É uma mistura de coisas. Não é só incompetência nossa, mas também mérito do adversário. A gente tem que melhorar isso. Estamos estudando o Goiás a semana inteira. Precisamos melhorar na bola parada, lances que talvez a gente não dê tanta importância e acaba levando o gol. Temos que melhorar como um todo, não só para fazer uma partida convincente. Não só ganhar, mas também gostar bem.”

Gabi falou também sobre o seu relacionamento com o Rogério Ceni e com o restante do grupo. “É um cara que eu tenho aprendido muito e é um espelho para a gente. Ele está sempre sobre do nosso lado conversando sobre tudo, não só sobre o futebol mas também sobre a vida que ele tem e já teve no futebol.

É um cara experiente, que já vivenciou tudo e está aqui de corpo e alma. Então a gente também está junto com ele para poder ajudar a ele e ele também ajudar a gente”, concluiu.

Pressão por todos os lados

Gabigol falou sobre a pressão do time por parte da torcida e da imprensa pela campanha realizada em 2019. Gabigol disse achar injusto fazer comparações, porque acredita ser muito difícil o que aconteceu durante a temporada de 2019 se repetir. “Eu acho que comparar o Flamengo que aconteceu em 2019 é injusto com qualquer time no Brasil. Na minha opinião, o que aconteceu em 2019 vai ser muito difícil acontecer de novo.

Um time vencer com quase 100 pontos, ganhar Brasileiro e Libertadores… Claro que é o mesmo time, claro que a gente tem potencial para fazer aquilo de novo e vencer de novo e é isso que a gente quer. Mas são tempos diferentes.

Estamos com outro treinador, com jogadores diferentes, que também são marcados diferentes como eu, Bruno Henrique… Você vê que jogar contra o Flamengo é sempre diferente para eles, e para a gente também tem que ser”, disse.

Gabigol afirmou ainda que acredita no bicampeonato do Brasileirão. “Como um time que venceu tudo em dois anos atrás e esse ano não pode vencer? Como um time que brigou pela Libertadores faltando três minutos, faltando 10 jogos para o Brasileiro vai desistir ou a torcida vai desistir? Eu acho impossível”, pontuou.

“Pressão vai ter, é Flamengo. Mas quem não gosta de uma pressão? Quem não gosta de vir aqui tendo todas as condições de vencer? Eu sempre comentei com os meus companheiros que às vezes eu jogava em alguns times que queriam empatar e conseguir o resultado de 1 ponto. E vindo para o Flamengo, sabendo que você tem que vencer todos os jogos, é a melhor coisa para um jogador no mundo, saber que a torcida está ali te apoiando para poder vencer

A gente tem capacidade para isso e o Rogério sabe disso. E sei que ele sabe lidar muito bem com isso. O que a gente tem que fazer é vencer os jogos, simplesmente assim. Não pensar no nosso concorrente e sim na gente para poder vencer e quem sabe lá na última rodada a gente será campeão”, completou.

Manifestação da torcida

Nesta semana, membros das torcidas organizadas do Flamengo estiveram na porta do Ninho do Urubu para manifestar o seu descontentamento com o atual momento do time. Gabi também falou sobre o ocorrido.

“Não acho certo. Não foi algo tão pacífico, eu soube que amassam carros dos jogadores… Mas quando eles fazem cobrança nas redes sociais e nos estádios e vêm falar com a gente no amor, eu acho que sim, é o correto, porque eles têm razão de cobrar a gente. Mas a gente também está trabalhando para poder vencer, ninguém está aqui para botar a cara e perder o jogo no domingo, na segunda, na quinta…

A gente sabe o quão bom é ser campeão no Flamengo. E eu sempre falei para as pessoas que eu jogo no Flamengo por causa deles. Eu quero estar naquela avenida lotada, aquilo para mim foi um dos melhores dias da minha vida”, disse ao relembrar da passeata na Avenida Rio Branco com a presença de milhares torcedores em comemoração aos títulos conquistados em 2019.

Ainda falando sobre o relacionamento com a torcida, Gabriel Barbosa encerrou a coletiva de imprensa com um recado à nação rubro-negra: “Eu quero agradecer pelo apoio deles. A gente sabe que eles cobram porque eles querem algo muito bom da gente. E o que a gente pode fazer é só uma coisa: falar menos e vencer”.

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