Compartilhar:

Por João Henrique Areias – Twitter: @jhareias

Chegar ao topo é resultado muito trabalho, manter-se lá exige ainda mais esforço, pelo menos é o que diz o ditado. Partindo desse princípio, ninguém discute a boa fase vivida pelo Flamengo, que sob o comando do Presidente Landim e de sua diretoria colhe os frutos de um projeto iniciado em 2009.

O caminho não foi fácil. Sem o trabalho e dedicação de todos os colaboradores do Grupo que inicialmente se intitulava Chapa Azul, nada disso seria possível. Por mais que durante a administração de Eduardo Bandeira de Melo esta equipe não tenha permanecido a mesma, seu ideal seguiu firme e agora está se consolidando não apenas no cenário nacional, mas também como uma referência no futebol sul-americano.

Flamengo vence no Maraca e garante título da Recopa Sul-Americana

Apesar de colecionar virtudes e ser merecedora de inúmeros elogios, o atual momento também exige uma certa reflexão da direção em determinados pontos para que todo esse trabalho não sofra qualquer tipo de ameaça. Valorizar a imagem da instituição é obrigação da diretoria que deve traçar as diretrizes que o departamento de marketing e comunicação colocarão em prática.

Diante de tal realidade, cabe a análise: será que vale a pena o Flamengo se envolver em tantas polêmicas? Não seria melhor trabalhar em busca de um retorno ainda mais promissor diante do atual cenário? Será que o clube terá oportunidade tão favorável como a atual no futuro? O que o clube ganha demorando tanto em apontar soluções de assuntos que denigrem a imagem da instituição?

Flamengo na Libertadores: grupo completo e apenas um jogo não televisionado

Indiscutivelmente o tema que mais gera repercussão negativa é a tragédia do Ninho do Urubu, que por se arrastar por tantos meses, já se tornou uma marca que fica complicada de ser apagada. Ainda que possa estar havendo discordância entre algumas partes, seria muito mais salutar, tanto para o clube quanto para os familiares das vítimas, que um acordo fosse selado e um ponto final fosse colocado neste assunto.

Por se tratar de vidas, não é possível determinar que um valor seja justo ou abaixo do que deva ser pago, porém um denominador comum precisa ser encontrado para que o clube mostre que em momentos assim vale mais a pena oferecer o conforto àqueles que precisam de amparo. Seria a chance de mandar um belo recado para o mundo esportivo e assim também evitar de entrar em pautas de discussões polêmicas onde a instituição só tem a perder.

Os dirigentes Rubro-Negros precisam entender que o momento é favorável e por isso podem tirar proveito para alçar voos mais altos não só para eles, mas também para todo o futebol nacional. O caso da negociação do direito de transmissão é emblemático nesse sentido. Ao invés de buscar isoladamente uma disputa com a TV Globo, por que não trazer à tona temas que são de interesse geral e faça com que os demais clubes entrem nesse debate ao seu lado? É importante que se busque um modelo e que seja posto em prática no Brasil, já que o atual, onde cada um tenta puxar para si o que pode já se mostrou ineficaz. Vale lembrar que a maioria das equipes possuem pautas em comum, como dos naming rights por exemplo. Temas assim poderiam ser assuntos que serviriam de atrativo para essa união. Não adianta o Flamengo se tornar um gigante se seus adversários passem a ser meros coadjuvantes sem nenhum brilho. Todo torcedor sonha ganhar qualquer disputa, mas para que a emoção siga em alta e o produto futebol permaneça valorizado é preciso que Vasco, Fluminense e Botafogo por exemplo também estejam fortalecidos para que cada conquista seja valorizada. Ao contrário, em médio prazo, a tendência é que o encantamento pelo esporte diminua e os patrocinadores busquem outras atrações que chamem a atenção de seus clientes.

O mesmo pode ser dito sobre crises pontuais que o clube pode (e deve) dar um ponto final ao invés de apenas se posicionar de maneira burocrática e pouco eficaz. O caso dos gritos homofóbicos que partiram das arquibancadas durante o campeonato estadual poderia servir de gancho para que problemas assim não voltassem a ocorrer. Cabe a direção propor aos atletas que se posicionem de forma veemente contra tais atitudes, propondo ações claras onde este tipo de manifestação não seja mais tolerado no futebol. Faixas, bandeiras em respeito à comunidade LGBT poderiam estar presentes ao lado da equipe, deixando claro o posicionamento da entidade, inibindo cada vez mais manifestações como as ocorridas recentemente e trazendo para si a simpatia deste grupo de pessoas, que cada vez mais representam importante fatia de nossa comunidade.

Ou seja, o momento é favorável para o Flamengo, porém descansar neste momento é um sonho inapropriado para quem deseja se manter no topo. Cabe a reflexão para que posicionamentos equivocados não coloquem em risco todo o trabalho dos últimos anos. 

Esse texto foi publicado originalmente aqui.

Compartilhar: