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O jornalista André Kfouri, da ESPN, especulou ontem no Sportscenter que a inesperada demissão do gerente de Futebol do Flamengo, Paulo Pelaipe, que detonou um princípio de crise nos bastidores da Gávea, pode estar ligada a uma certeza dos dirigentes rubro-negros de que o técnico português Jorge Jesus não permanecerá no clube após o fim do seu contrato, em maio. Pelaipe era próximo de Jesus, que o elogiou em uma entrevista à imprensa portuguesa durante as férias e até almoçou com o ex-gerente em Lisboa, dias antes do anúncio da saída de Pelaipe.

Kfouri especulou ainda que as férias prolongadas do argentino Jorge Sampaoli, que recusou ofertas de Palmeiras e Atlético-MG após se destacar à frente do Santos, podem estar ligadas a essa situação. Sampaoli poderia estar à espera da abertura de uma vaga no comando do Flamengo, algo que também foi cogitado pelo jornalista do UOL Renato Mauricio Prado.

Veja o que disse o jornalista André Kfouri ontem à noite, no Sportscenter:

“Tem uma questão que merece a nossa atenção e merece da nossa parte uma investigação um pouco mais caprichada. A possibilidade de um episódio como esse atingir ou não o time do futebol evidentemente está ligada à permanência do técnico. Jesus fica a partir de maio ou não fica? Se ele ficar o Flamengo continuará a ser forte, talvez mais forte do que foi em 2019. Se ele não ficar, evidentemente é um outro ponto de interrogação, porque haverá uma transição para uma comissão técnica diferente dessa. Por que alguém no Flamengo, independentemente do seu cargo ou do seu poder, tomaria agora, em janeiro de 2020, uma decisão que deixaria o técnico Jorge Jesus incomodado? Qual é o motivo disso? E que fique claro: o presidente Rodolfo Landim não se manifestou, mas nem precisa se manifestar. Foi ele que demitiu o Paulo Pelaipe. Essa decisão foi do presidente. Influenciado pelo Bap? Muito provavelmente. Sabendo das repercussões? Certamente. Hoje o presidente e o Marcos Braz conversaram, como o próprio Braz disse na visita ao CT e na conversa com os repórteres que lá estavam. Então, a decisão e a opinião do presidente Rodolfo Landim são absolutamente conhecidas. Ele não queria mais que o Paulo Pelaipe trabalhasse no Flamengo. E é evidente que ele sabia que a saída do Pelaipe, que era próximo ao Jesus, deixaria o treinador português um pouco ressabiado. O suficiente para deixar o cargo? Claro que não, ele tem contrato. Mas um pouco ressabiado. Seria uma má notícia para ele.

Será, e é aí que eu quero fazer minha explicação, que as pessoas dentro do Flamengo já sabem que o Jorge Jesus não será o técnico a partir de maio? Será que a sucessão no comando do time já está preparada? Quem está esperando o que vai acontecer a partir de maio no Flamengo? Alguém que inclusive mora no Rio de Janeiro? Ele se chama Jorge Sampaoli. Estou abrindo a conversa. Será que dentro do Flamengo já se sabe que Jesus não será o treinador a partir de maio? Porque só numa situação como essa dá para entender o presidente Landim correndo o risco de deixar Jorge Jesus incomodado. Isso é praticamente inacreditável. A não ser que já se saiba que ele não será o treinador. E é preciso começar a preparar o ambiente de trabalho para a transição.

Agora, se nada disso corresponde à realidade e o Flamengo ainda espera ter o técnico português que o conduziu a tantas conquistas, tantas vitórias, o tipo de futebol que encantou ao Brasil inteiro e deu ao Flamengo dois troféus, se o Flamengo ainda quer contar com ele e entende que ele também está em dúvida sobre o próprio futuro, então existe uma chance de ele permanecer, aí eu não consigo entender a decisão do presidente. A única pessoa com a qual não se pode brigar hoje no Flamengo é o técnico. Ah, mas o Landim é muito amigo do Bap… Lamento. É isso que para mim é difícil de entender.”

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