Fla cai no Brasileiro com Joubert reclamando da violência dos adversários

1 COMENTÁRIO

  1. Gustavo Roman, sou muito teu fã. Li com avidez todos os capítulos da Biografia Rubro-Negra escritos até aqui. Que legal ver o relato do amistoso contra o time da minha cidade, o Jequié. Teu conhecimento ímpar, a riqueza de detalhes com que você conta as histórias, nos fazem ter a sensação de vivenciar algo que não presenciamos. Muito grato por isso. Parabéns!

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Flamengo cai no Campeonato Brasileiro de 1974 deixando a impressão de que podia ter ido bem mais longe

BIOGRAFIA RUBRO-NEGRA – CAPÍTULO 6 :: Por Gustavo Roman – Twitter: @guroman

Haveria uma interrupção de dez dias para o início da fase semifinal do Campeonato Nacional. O Flamengo tratou de ir jogar amistosos para manter o caixa em dia. No primeiro, a equipe não foi bem e perdeu para o Bahia, em Salvador, por 2 a 0. Por falar em Brasileiro, a CBD divulgou os grupos da fase semifinal. Eles ficaram assim estabelecidos pela entidade:

  • Grupo 1 Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Bahia, Guarani e Paysandu
  • Grupo 2: Vasco, Corinthians, Atlético-mg, Vitória, Operário e Nacional
  • Grupo 3: América, Santos, Grêmio, Coritiba, Fortaleza e Náutico
  • Grupo 4: Fluminense, São Paulo, Inter, Atlético-pr, Portuguesa e Goiás

Não deixe de ler >>  BIOGRAFIA RUBRO-NEGRA – CAPÍTULO 5: Final da primeira fase e a efetivação de Joubert

Apenas o primeiro colocado de cada chave avançaria para o turno final. Além disso, o técnico Joubert resolveu reclamar da violência dos adversários. Mesmo em partidas amistosas. E, claro, o time jogaria outra vez em Jequié. Contra a equipe local.

No último amistoso antes da estreia, empate com o Jequié por 1 a 1. Destaque para Geraldo, que na ausência de Zico foi o comandante do meio de campo e ainda marcou um belo gol.

O primeiro compromisso da fase semifinal aconteceu no Maracanã, diante de um Guarani sem seis titulares. E no meio da disputa da fase semifinal da Copa do Mundo. Diante de um adversário retrancado e violento, o Flamengo teve muitas dificuldades no primeiro tempo. A única boa jogada nesse período aconteceu aos 43 minutos quando Paulinho deu um lençol no marcador e finalizou no ângulo. O goleiro Tobias voou e mandou para córner numa defesa cinematográfica.

Um gol logo aos seis minutos da etapa complementar mudou o panorama do confronto. Zico sofreu falta na entrada da área. Doval passou pela bola. Arílson soltou uma bomba e enganou o goleiro para abrir o marcador. Aos 22, Doval levou mais uma pancada e teve que ser substituído por Julinho, que foi para a ponta-direita. Paulinho passou a atuar no comando do ataque, mostrando toda sua versatilidade. Aos 25, o árbitro Rubens Maranho deixou de assinalar penalidade máxima clara para o Bugre em falta de Rodrigues Neto em cima de Hamílton Rocha.

O Guarani apertava. Aos 32, Clayton recebeu de Alfredo e na frente de Canterele acabou batendo para fora. A coisa só acalmou para o Rubro-Negro quando Ademir foi expulso aos 35 por xingar o juiz. Aos 40, Paulinho tabelou com Zico. Driblou o goleiro e mesmo agarrado pelo zagueiro empurrou para as redes. Aos 44, o Fla fechou o placar num lance confuso. Zico, Geraldo e Rodrigues Neto vieram trocando passes. Rodrigues Neto centrou. A zaga rebateu mal. Arílson pegou a sobra e tentou a conclusão. Mas não pegou bem nela. Geraldo tentou matar a redonda, que veio com tanto efeito que nem ele com toda a sua categoria conseguiu amaciá-la. Zico, oportunista como sempre, pegou o rebote e finalizou certo para marcar o terceiro. Três a zero. E o time mantinha o ótimo ritmo da primeira fase.

Segunda Rodada

A violência do Guarani fez estragos na Gávea. Doval e Zico, contundidos, estavam fora da importante partida diante do Palmeiras em São Paulo. Mesmo com vários jogadores a serviço da seleção o Verdão ainda era um adversário de respeito. Afinal, era o atual bicampeão nacional.

Para piorar, em cima da hora, o time perdeu também Liminha. Assim, não deu nem para empatar. O time foi amplamente dominado e caiu por 3 a 1 para o Verdão. Fedato e Ronaldo colocaram a equipe paulista em vantagem de 2 a 0 ainda no primeiro tempo. Julinho, descontou aos 9 para os Rubro-Negros, que foram com tudo a frente. Mas num contragolpe, a cinco minutos do apito final, acabou tomando o terceiro tento. Marcado por De Rossis.

Terceira Rodada

A derrota deixou o Flamengo numa posição não muito confortável. Afinal, a vaga na fase final era disputada em tiro curto. Com apenas cinco jogos. E qualquer tropeço poderia (e deveria) ser fatal. Para manter suas chances a equipe precisava de um bom resultado em Salvador, diante do Bahia. Liminha estava de volta ao time titular. Mas Zico e Doval ainda seriam desfalques. Joubert resolveu escalar Zé Mário no meio de campo, tentando fechar um pouco mais o setor. E tentar garantir os dois pontos nos contragolpes e com paciência.

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Não funcionou. O resultado de 1 a 1 acabou sendo ruim. A partida aconteceu debaixo de muita chuva. O que acabou deixando o gramado da Fonte nova bastante pesado. Para piorar ainda mais a situação, o Bahia abriu o marcador logo aos seis minutos. Numa cabeçada de Jorge Campos. Na base do entusiamo, o Fla tentou reagir. Mas acabou prejudicado pelas condições do campo. Menos mal que a equipe conseguiu chegar a igualdade aos 28 minutos da etapa final. Em um tento de cabeça de Rui Rei. O resultado deixava o time em má situação no grupo. Precisando vencer as duas partidas restantes e ainda torcer por uma combinação de outros resultados para classificar-se a fase final da competição.

Quarta Rodada

O confronto contra o Cruzeiro seria decisivo. O Zico estava de volta para comandar a equipe. E quem viu a equipe jogar no primeiro tempo ficou encantado. Rui Rei fez um golaço aos 17 minutos. Mas a equipe perdeu pelo menos quatro chances claras de marcar o segundo e ter mais tranquilidade. E como diz o ditado. Quem não faz, leva. No segundo tempo, a equipe mineira se acertou em campo. E virou o marcador. Roberto, aos 16. Eduardo, aos 18 e Palhinha, aos 38 minutos sepultaram as chances de classificação do Flamengo. O sonho do primeiro título nacional estava adiado mais uma vez.

Quinta Rodada

A partida diante do Paisandu era um simples amistoso. Tanto é verdade que foi marcada para ser jogada no estádio Teixeira de Castro, do Bonsucesso. Joubert fez algumas alterações na equipe. Renato, de volta da seleção, voltou a meta. Aloísio foi improvisado na lateral-esquerda no lugar de Rodrigues Neto, suspenso. No meio de campo Geraldo foi barrado para a volta de Zé Mário. E sem responsabilidade, a equipe voltou a atuar bem. Em menos de 10 minutos Rui Rei e Paulinho, ambos em passes de Zico já haviam perdido boas chances. Aos 15, Jaime fez o lançamento e Rui Rei tirou dois zagueiros e completou com categoria. Aos 45, Rui Rei fez a jogada e Paulinho empurrou para as redes.

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O segundo tempo foi um passeio. Aos 12, Zico tomou a bola do zagueiro. Driblou o goleiro e fez o terceiro. O Paysandu resolveu apelar. E teve Adílson e Roberto Bacuri expulsos pelo árbitro José de Assis Aragão. O jogo ficou ainda mais fácil. Aos 26, Paulinho bateu. O goleiro deu rebote e Zico marcou o quarto. Aos 30, novamente Paulinho balançou as redes. E, aos 42, Jaime fechou o marcador. Seis a zero na goleada. E a sensação de que o Flamengo poderia ter ido mais longe no campeonato.

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