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Exigir que Domènec mantenha as ideias do Mister é como pedir a um confeiteiro para fazer comida oriental: ainda que seja da área, não é a especialidade dele

Blog Ninho do Urubu | Bruno Guedes – Twitter: @eubrguedes

Durante a coletiva de imprensa na última sexta-feira, para explicar a saída do Rafinha, Marcos Braz negou que os jogadores do Flamengo estivessem mal fisicamente. Inclusive destacou dados e o excelente corpo médico do clube. O vice de futebol é uma das fontes mais confiáveis e há que se levar em conta tal afirmação. Mas os fatos dizem o contrário. Além de mal tecnicamente, a equipe sofre muito pela parte física longe da ideal. Para piorar, a mudança de treinador sem tempo para treinos aumentou os problemas.

Diante do Grêmio, nesta quarta feira no Maracanã, o Flamengo dominou a partida durante os 35 primeiros minutos. Conseguia, ainda longe do ideal, articular, pressionar e chegar à área adversária. Depois, correu atrás. Literalmente. Jogadores mal tecnicamente, perdidos taticamente e ainda com o placar atrás no fim da etapa inicial. Após o intervalo a coisa piorou. Sem intensidade, sem triangulações, sem pressão no campo adversário e principalmente sem alma. Hoje o time do Abel Braga da primeira parte de 2019 esteve em campo.

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Domènec tentou mudar na parte tática, colocando Vitinho no lugar do Éverton Ribeiro e assim ter dois jogadores abertos pelos lados. A intenção era “espaçar” o tricolor gaúcho defensivamente. Não funcionou. Enquanto uma equipe corria e sobrava fisicamente, o Grêmio, outra tentava recuperar o bom futebol do ano passado mas apenas com passes errados e sem intensidade. João Lucas saiu lesionado e o catalão resolveu improvisar Renê na lateral direita a queimar um jogador da base no setor. Por incrível que pareça, o jogador fez boa partida e não comprometeu.

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Porém, não foi suficiente. Flamengo continuou errando muitos passes, principalmente Arão e Gérson, além de Bruno Henrique e Gabigol escondidos entre as marcações. Sem nenhuma força física para reagir, muitas ligações e chutes de fora da área começaram a eclodir. Numa dessas saiu o penal salvador. Livrou o clube da derrota, mas não da imagem ruim deixada. De novo.

Não haverá tempo para treinar. É preciso recomeçar e esquecer Jorge Jesus. Não se pode exigir que “mantenham o que vinha dando certo”, quando não há mais os elementos de antes. Exigir que Domènec siga com as ideias do Mister é como pedir a um confeiteiro para fazer comida oriental: ainda que seja da área, não é a especialidade dele.

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Esse discurso precisa mudar. Foi errado, durante a contratação, afirmar que ele manteria o padrão. Não há como manter. Nenhum treinador manteria. Todos são diferentes. Jogá-lo na fogueira é errar mais ainda. Dome precisa de tempo e trabalho, muito trabalho. São correntes e propostas de jogos que não se assemelham, ainda que tenham vendido essa ideia.

Torcida vai precisar de paciência. Não há mágica.

*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Alexandre Vidal / Flamengo

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