A cada partida os torcedores se empolgavam mais e os jornalistas não economizavam nos elogios, pois não havia o que criticar

Blog Ficou Marcado na História | Allan Titonelli – Twitter: @AllanTitonelli

O torcedor rubro-negro é apaixonado. E para virar ídolo precisa demonstrar “raça, amor e paixão”. Quando, somado a isso, os títulos chegam, seu nome estará marcado na história.

E a nação, nos últimos tempos, estava carente, pois vinha sofrendo junto com o time, após longo processo de reestruturação administrativa e financeira do clube, que não possibilitou formar equipes tão competitivas.

Mas 2019 quebrou esse paradigma, após a chegada de Jorge Jesus, o qual iniciou seu trabalho sob desconfiança de jornalistas e dos torcedores. Contudo, logo nos primeiros jogos encheu o coração dos rubro-negros de confiança. Em um mês a diferença era notável. Um time compacto, rápido, que pressiona e encurta os espaços, praticando um futebol com aquilo que admiramos de melhor dos europeus, mas com um requinte da genialidade do futebol brasileiro. A cada partida os torcedores se empolgavam mais e os jornalistas não economizavam nos elogios, pois não havia o que criticar.

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Essa “onda flamenguista” tomou conta do Maracanã, e Jesus caiu logo nas graças da nação, que abençoava seu novo ídolo todos jogos: “olê, olê, olê, olê!! Mister, Mister!! Torcida e técnico formavam uma simbiose única, parecendo formar um só corpo ditado pela energia de Jorge Jesus, que não se cansava à beira do campo.

Os títulos vieram, espantando o cheirinho do passado. Jesus vivia uma lua de mel com a torcida, uma exceção nos últimos tempos, ainda mais para o futebol brasileiro, em que o técnico tem virado cada vez mais descartável. Até porque, além de tudo que conquistou, não cansava de se declarar para a nação, tirar sarro dos adversários e colocar o Flamengo no patamar dos melhores do mundo.

O amor era tanto que pedimos estátua na gávea, com seu nome lembrado cotidianamente como um dos maiores técnicos da história do Mengão. Todavia, as notícias sobre uma possível volta para o Benfica, de Portugal, sua terra natal, nos preocupou. Não queríamos acreditar, achávamos que esse casamento duraria para sempre, afinal nunca fomos tão felizes. Porém, nada na vida dura para sempre, e enfim aconteceu o que temíamos, sua volta ao velho continente.

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Qualquer rompimento gera traumas, ainda mais quando há uma paixão, um amor inigualável. E aquele que não vê seu amor correspondido se ressente, joga praga e entoa blasfêmias. É um processo natural. Contudo, o mister nunca escondeu seu amor por sua terra natal, como Gonçalves Dias, nos versos da canção do exílio. O bacalhau daqui nunca será como o de lá, ainda tem a pandemia, isolamento social, e o temor do pior longe de seus familiares.

Mister, mesmo triste, eu te entendo, vá ser feliz. Meu amor ao Flamengo vem antes de você, e continuará eterno!!! Você ficou marcado na nossa história!!!


Allan Titonelli é rubro-negro, amante do futebol, gosta de jogar uma pelada, assistir partidas, resenhas esportivas ou debater com os amigos sobre “o velho e violento esporte bretão”. Escreveu, ao lado de Daniel Giotti, o livro “19 81 – Ficou Marcado na História”.

*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Alexandre Vidal / Flamengo