Vítima da Covid-19, Silva Batuta teve carreira importante em grandes clubes do futebol sul-americano e sofreu racismo no Barcelona

MRN Informação | Matheus Fonseca

Morreu no dia 29 de setembro, aos 80 anos, Walter Machado da Silva, mais conhecido como Silva Batuta. Atacante com grande história em diversos clubes do Brasil e que também conviveu com o racismo no mundo do futebol dos idos dos anos 60. Batuta estava internado por conta da Covid-19 no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro. Além do Flamengo, Silva teve ótimas passagens por Corinthians, Vasco da Gama, Racing, entre outros.

Batuta nasceu na cidade de Ribeirão Preto, no dia 2 de janeiro do ano de 1940. Foi revelado pelo São Paulo, porém ganhou notoriedade memso no Corinthians, onde fez 95 gols. O Flamengo emitiu nota em suas redes sociais destacando as conquistas e curiosidades do ex-atleta (veja mais abaixo). Com 70 gols em 132 partidas pelo Mengo, Silva Batuta conquistou o Carioca de 65 e o Torneio Internacional do Marrocos em 1968.

“O Clube de Regatas do Flamengo lamenta profundamente o falecimento do grande ídolo Silva Batuta, que nos deixou nesta terça-feira, às 20h30. Ele marcou época com o Manto Sagrado na década de 60. Foram 70 gols em 132 jogos pelo Mais Querido e os títulos do Campeonato Carioca (1965) e do Torneio Internacional do Marrocos (1968) conquistados. Obrigado por tudo, Silva! Você estará para sempre em nossos corações!”, publicou o clube em seu site oficial. 

Vítima de racismo

As notícias de suas boas atuações no Carioca do Quarto Centenário da Cidade do Rio de Janeiro chegaram até o Barcelona e a equipe da Catalunha acabou por contratá-lo. Segundo artigo do blog “Retrô Futebol” e replicado no site do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Batuta não conseguiu agradar o treinador do time europeu mesmo sendo que continuasse a ser convocado para a Seleção Brasileira, a qual acabou integrante o grupo para a Copa do Mundo de 1966. Em certo momento, Enric Llaudet, o presidente do Barcelona, questionado sobre o insucesso de Batuta no time deu a seguinte declaração racista: “Se não pode jogar, o usarei como chofer. Sempre quis ter um chofer negro”.

Carreira após a frustração europeia

Imediatamente após o ato de racismo de Enric Llaudet, Silva voltou ao Brasil. Além de nova passagem pelo Flamengo, atuou em diversos outros importantes agremiações desportivas. No Santos marcou sete gols apenas. No Racing, em 1969, fez história sendo o primeiro e até então único futebolista brasileiro a ser o artilheiro de um Campeonato Argentino.

Voltou ao Brasil no ano seguinte, e novamente para o Rio de Janeiro. Mas desta vez defenderia o Vasco da Gama, onde se sagraria campeão carioca. Em 1971 foi emprestado para o Botafogo. Também atuou no futebol da Colômbia, onde defenderia Atlético Júnior e encerrou a carreira em 1975 na Venezuela, pelo Tiquire-Canarias.

Nos últimos anos de sua vida, Silva trabalhou no Flamengo e sempre marcava presença nos jogos. Em 2006 formou-se em Direito e exerceu a profissão de advogado até nos deixar na noite desta terça-feira.

Curiosidades sobre o ídolo

1 – Convocado para a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, onde disputou um jogo: contra Portugal. Na época, Silva era jogador do CRF.
2 – Fez gols decisivos em 6 dos 14 jogos do Estadual de 1965, conquistado pelo Flamengo.
3 – Marcou o gol do título do Estadual de 1965, na vitória por 2 x 1 sobre o Fluminense, na penúltima rodada do campeonato.
4 – Artilheiro do CRF nos anos de 1965 (20 gols, junto de Fefeu), 1966 (28 gols) e 1968 (20).
5 – Foi vendido em 1967 para o Barcelona, onde ficou por 6 meses.
6 – Convenceu Veiga Brito, presidente do CRF em 1968, a contratar Garrincha. Silva tinha jogado com o ponta-direita na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra.
7 – Quando voltou para o Flamengo, em março de 1968, estreou contra o Cruzeiro (de Tostão, Piazza, Dirceu Lopes e cia), em um amistoso no Maracanã. O Fla goleou o time mineiro por 5 x 1, com dois gols de Silva. 
8 – Graduado em direito, depois de abandonar os gramados, Silva preferiu não levar a carreira de advogado adiante. Invés disso, voltou à Gávea, onde trabalhou até os últimos dias de vida.
9 – Ganhou o apelido de ‘Batuta’ por ser um jogador extremamente inteligente e com espírito de liderança: associação feita ao instrumento usado pelos maestros para reger a orquestra. Foi o radialista Jorge Cury quem colocou o apelido em Silva.
10 – Nos anos 80-90, os dois filhos de Silva jogaram pelo CRF: o meia Waltinho (1985/86) e o centroavante Wallace (1986/87 e 94).
11 – Em novembro de 2014 foi lançada a biografia do ídolo.

Silva Batuta (1940-2020)

SOB SUPERVISÃO DE DIOGO ALMEIDA

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*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Reprodução