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segunda-feira, novembro 30, 2020

2019, lembrança boa; 2020, presente possível

Vamos ver se nossa vontade se espalha pelo Brasil e chega ao ninho, para mais uma vez sermos felizes quando chegar o Carnaval

Blog Cultura Rubro-Negra | Por André Café – Twitter: @OrochiAndreCafe

2019. Como esses números mexem com a gente. Ano que o Flamengo incendiou ainda mais nossa paixão, que reverberou em gritos e folias das mais diversificadas figuras que compõem a Nação, que fez a alegria de velhas e novas gerações rubro-negras. Foi um ano de encontro: do próprio time, com sua história vencedora; de um futebol maravilhoso, poucas vezes praticada por um clube de futebol neste país e pela uníssona energia de mais de 42 milhões de pessoas, fazendo um oceano de boas vibrações e alegrias.

Mas engana-se quem acha que este texto é sobre 2019. O nosso ano mágico passou. É memória recente que deve ser guardada com todo carinho e referendada e defendida com unhas e dentes a quaisquer insinuações de desdém. Mas passou. Falamos isso com a convicção do peso que significa “cortar”, ainda que por apenas pragmatismo.

Veja também: Jorge Jesus balança no Benfica e torcedores chamam futebol do Brasil de ‘medíocre’

Isso não quer dizer que desejamos um time acossado, entregue, afeiçoado a mediocridade em campo. Não é isso. Times vencedores são diversos. Podem sobrar, podem ter mais emoção que o devido para corações sensíveis, pode ter um futebol truncado, podem ser mais defensivos, não importa, há uma miríade de possibilidades de organizar um futebol que seja minimamente competitivo e esteja sempre na disputa dos primeiros lugares.

“Mas vocês não querem um time como 19? Estão negando o que esse time pode fazer?” Longe disso. É a certeza daquilo que este time pode fazer que nos dá a tranquilidade de processar uma espécie de luto referente a 2019 e pleitear, torcer, instigar, orar em tantos credos por um modelo de jogo ou por um time competitivo de 2020, pós Jorge Jesus.

Isso significa, para nós, que Rogério Ceni, atual técnico rubro-negro, não pode simplesmente tentar emular 2019. Ele tem sabedoria, mais experiência, potencialidades e um plantel com jogadores de alto rendimento. Há de se constituir aí, a forma, ou formas do Flamengo jogar. Evidente, que similaridades como intensidade, pressão pós-perda, ofensividade, são atributos que fazem parte do seu repertório. E por isso mesmo é reducionismo apenas recobrar 2019 nas mentes e corpos dos jogadores.

torcida do Flamengo
Torcida do Flamengo comemora nas ruas do Rio de Janeiro as conquistas do Brasileiro e Libertadores em 24h. Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

E isso se dá muito mais pelo contexto e condições particulares da atual temporada, como por exemplo: o planejamento de futebol parece, senão perdido, atordoado, sentindo golpes que poderiam ser mais rapidamente superados; o que remete por exemplo a condição física dos jogadores estar muito, mas muito aquém da temporada passada – só lembrar os buracos entre retorno do futebol, dias de folga, mudança de equipe técnica, demissão de alguns servidores do clube, dentre outros; junto a isto, um departamento médico que nem chega perto da desenvoltura de anos anteriores, especificamente 2019 (válido salientar que um staff, um extracampo precisa estar sempre em alto nível e atualizado, independente do ano).

Veja também: A impressionante narração chilena dos gols de Gabigol contra o River Plate na final da Libertadores

Ou seja, ainda que se fosse um desejo emular 2019, condições estruturais para que isso fosse possível aparentemente não se repetem na atual temporada. “Então é vestir o discurso pessimista e dar a temporada como perdida?” Calma lá galera, sem antinomias imediatas e sem nexo. O time está vivo em todas as competições. O elenco é qualificado e o Rogério Ceni entendeu rapidamente o que é ser Flamengo em vários aspectos. A temporada não está perdida. Ainda que soframos com muitas baixas por lesões e data FIFA, não dependemos de outrem pra decifrar os enigmas que estacionaram nosso avanço.

E há um fator, que por não ser mensurável é inócuo, mas para nós compõem a mística da flâmula vermelha e preta. Recordemos Rondinelli; Nunes e os gols das decisões; Petkovic aos 43, Angelim em 2009, Gabigol na final da Liberta e tantas outros momentos de viradas com a altivez da raça beirando os 1000%. É possível, é crível e vamos ver se nossa vontade se espalha pelo Brasil e chega ao ninho, para mais uma vez sermos felizes quando chegar o Carnaval.

Revisitando todas as potencialidades existentes e com a inteligência de 2020, forjar algo único, em uma temporada que é sui generis em desafios únicos. É o exercício de subir mais uma vez a montanha. O topo se fica pouco tempo, tem que subir novamente e a montanha se mostra outra desta vez (já diria Heráclito de Éfeso, em sua elaboração sobre o rio e o homem). Se achar que a montanha é igual, não chegaremos.

Com Lilian Porto – Twitter: @LilipanPorto6

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*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Alexandre Vidal / Flamengo

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