A CBF e a negativa para Brasília

3 COMENTÁRIOS

  1. Se olharem o o RGC de 2013 (http://cdn.cbf.com.br/content/201212/1550939987.pdf), publicado em 2012, verão que mesmo antes do Bandeira de Mello assumir a presidência do Flamengo já havia a determinação de que todos os envolvidos – incluindo explicitamente as federações – deveriam concordar com a mudança de jurisdição (transferência do jogo para um estado diferente do estado sede do clube).
    Essa regra existe para evitar prejuízo aos demais interessados no jogo, inclusive a compreensão de que o clube visitante também é parte interessada e deve aprovar é antiga, sempre existiu, para evitar que o mandante inflija prejuízo ao adversário.
    Por exemplo, vamos supor que o Flamengo jogue no Sul no fim de semana e na quarta a noite tenha que jogar na Arena da Amazônia por escolha do Fluminense (mandante). Nesse caso além do Fluminense estar querendo ganhar dinheiro em um local que tem demanda reprimida (pró-Flamengo), ainda implica em prejuízo técnico (deslocamento, temperatura e etc.). O regulamento protege o Flamengo e o permite discordar da mudança de local, podendo negociar com o Fluminense que parte dos lucros vá para si (prática muito normal nos jogos de mando em outro estado) ou ainda que outro estádio como Pacaembu ou Brasília (mais próximos) sejam os escolhidos.
    O argumento de que a “culpa” é da olimpíada também não é válido, já que há anos é sabido que haveria jogos olímpicos no RJ em 2016 e o Flamengo teve tempo para pensar e preparar uma alternativa no próprio estado/cidade. Inclusive o atual presidente está no comando do clube desde 2013 e poderia ter conseguido um estádio local como casa.

    Sobre o caso citado como exemplo de descumprimento da CBF ao RGC, existem várias referências no próprio RGC sobre a exigência de que haja a adequada segurança no estádio vindas do Estatuto do Torcedor e outras leis do Ministério dos Esportes. A CBF, diante de um laudo negativo da polícia a respeito da capacidade de garantir a segurança na partida, tem o poder de mudar o local do jogo (note-se que o estádio escolhido pela CBF fica na mesma cidade que o estádio para o qual a partida estava anteriormente marcada).

    • Náyra, em 2015 o regulamento é bem claro quanto as transferências dos jogos para outros estados: o clube mandante deverá arcar com os custos da alteração (o que me leva a entender que é devido a mudança do planejamento inicial que seria para outra cidade). Pra 2016 foi adicionado o parágrafo que exige a autorização dos outros clubes para as transferências de jogos (novamente entendo que isso se refere a alterações durante a competição). De toda forma, o Flamengo solicitou a CBF ainda em 2015, mas foi ignorando. Então em 2016 o RGC é alterado e um novo pedido é negado com base nesse parágrafo. Acredito que foram questões políticas que interferiram nesse caso.

      Sobre a Olimpíada, me desculpe, mas não entendo como é possível dizer que isso não deve interferir na decisão da CBF. Um evento que vai pegar os dois estádios (em todo o estado do RJ) com condições de receber jogos do brasileirão certamente vai prejudicar os clubes envolvidos e a própria CBF deveria buscar, junta com os clubes, uma solução. Não uma situação qualquer em que vai ser aberta uma exceção para beneficiar determinado clube, é justamente para evitar quaisquer danos.

      E em relação ao planejamento: o pedido foi feito em 2015, teve tempo de sobra, até porque o estádio está pronto, o único problema seria alguma questão burocrática. Poderíamos ter reformado um estádio no RJ? Claro, seria lindo e maravilhoso, mas ainda assim iria precisar de um estádio maior para se adequar aos jogos e o Flamengo certamente não conseguiu parceiros para fazer as reformar desejadas, o que impediu esse plano (que era trabalhado desde 2015). E, pra mim, falar que deveria ter começado a fazer isso ainda em 2013 é exigir muito de um clube que estava quase falindo. Antes de 2013 não havia a possibilidade de um dirigente sério ajustar as contas e fazer isso (até porque a preocupação em ter um estádio é pequena há décadas), já com a nova gestão os perrengues foram muito grandes. Agora em 2015/16 que estava/está mais tranquilo pro nosso lado, surge a crise pra atrapalhar alguns projetos. Por mais competentes que sejam, a situação não está fácil.

      • Thauan, o procedimento da CBF sempre foi o de permitir jogos fora do estado com a concordância das partes interessadas, o que inclui a federação a qual o clube está filiado e o clube adversário.
        Sobre o que disse a respeito de ter tempo, o Flamengo teve muito tempo para preparar outro estádio, foram anos sabendo que haveria olimpíada. Não fez por que não quis, provavelmente os testes em 2013 foram para verificar a viabilidade de usar Brasília.
        Sobre a CBF ter negado, basta o Flamengo ir a todos os clubes da série A e expor a questão, pegar documentos assinados concordando com a mudança de sede e então levar isso a FERJ e a CBF, algo que já deveria ter feito antes inclusive.
        Por fim, em momento algum nego que haja má vontade política e isso é fruto do enfrentamento público que o Flamengo promove contra CBF e FERJ. Assim como o Flamengo não está errado em lutar, não podemos esperar que a CBF e a FERJ aceitem tudo passivamente. Nesse guerra, o Flamengo tem que ser esperto e parar de dar estilingue para atirarem em sua vidraça.

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Por Thauan Rocha | Twitter @Thauan_R e @flaimparcial

Ontem (26/02) foi mais um dia tumultuado para o Flamengo, pois a CBF vetou a escolha de Brasília como nossa sede durante o ano de 2016, ignorando assim o fato do fechamento do Maracanã e Engenhão para as Olimpíadas.

 

CBF veta Brasília como casa do Fla. Presidente vê complô contra clube.

“’Tínhamos os pareceres jurídicos e o aval técnico da CBF. A sinalização era absolutamente favorável. O secretário Walter Feldman e todos os diretores deixaram claro que era possível nos atender. Isso tudo já corre há alguns dias. Houve a pressão da Ferj. É algo extremamente negativo e que inviabiliza todo o planejamento’, afirmou Bandeira ao UOL Esporte.”

Segundo o nosso presidente, estava tudo certo para uma decisão favorável a nós, porém isso mudou de última hora graças as artimanhas políticas da Ferj.

Em nota oficial, o Flamengo informou que teria feito o pedido duas vezes, em conjunto com o Fluminense, sendo uma ainda em 2015. Ao terem o primeiro pedido ignorado, um novo foi realizado no dia 8 de janeiro de 2016. Só no dia 26 de fevereiro a CBF deu uma resposta negando-o e usando como desculpa o RGC 2016, cujos clubes não tem qualquer poder sobre a produção do mesmo. Veja a nota oficial da CBF.

“’Não existiu um veto. O regulamento geral de competições diz que tem que haver uma concordância da federação e do time visitante. Não existe excepcionalidade pelos Jogos Olímpicos prevista no regulamento. O Flamengo fez um pedido de uma autorização permanente, mas isso não é possível pelo regulamento’, disse Feldman. ‘A Ferj diz que o Flamengo pode pedir jogo a jogo a autorização, e tem que haver concordância do time visitante’, completou o cartola.”

É estranho ver a nossa confederação usar um discurso legalista, sendo que ela mesma nem sequer cumpre seu papel, como é dito na nota, que é “(…) cumprir, rigorosamente, as regras e procedimentos contidos no RGC publicado em Dezembro/15 e disponível no site institucional desta entidade”, quando em 2015 a própria CBF descumpriu o Art. 13 mudando o jogo Vasco x Atlético-PR para o Maracanã por questões de segurança, mesmo tendo passado o limite para mudanças. Tal decisão foi acertada, ainda que tenha passado por cima de uma regra, pois foi feita para preservar a torcida e os clubes. No nosso caso, de fato há um parágrafo do art. 13 que fala exatamente porque ela não poderia autorizar a escolha de Brasília como sede.

“§4º – Em caso de transferência de partida para outros estados, o clube mandante deverá obter, por escrito, a aprovação e concordância de todos os envolvidos, a saber, a federação ao qual está filiado, a federação anfitriã e o clube visitante, cabendo à CBF/DCO o poder de veto, levando em conta os aspectos técnicos e logísticos”

Porém, essa não é uma situação simples. É preciso analisar o todo.

Lembremos que na nota oficial o Flamengo afirma ter protocolado o pedido ainda em 2015, quando o RGC não continha o §4º e quando as brigas pela Primeira Liga já se acirravam cada vez mais. Talvez por pura coincidência do destino e azar do Flamengo, esse parágrafo foi adicionado justamente no RGC referente ao ano em que nenhum grande estádio do Rio de Janeiro estaria disponível ao clube, prejudicando os dois maiores inimigos da Ferj, que é aliada da CBF. Ou talvez tenha sido jogada política do comandante da federação carioca.

 

Na nota o Flamengo deixa claro o caráter excepcional da situação, pois a sua cidade sede receberá as Olimpíadas e terá que ceder seus dois principais estádios (e únicos com condições de receber o Mais Querido em todo o estado do Rio de Janeiro). Visto que a situação é incomum e pode prejudicar os clubes e o campeonato, é mais do que lógico permitir que seja escolhido um estádio em outro estado, abrindo um exceção assim como a feita em 2015 para o Vasco.

Se houvesse algum prejuízo aos adversários, o caso poderia ser tratado de outra forma, mas não há. A sede seria definida bem antes da competição começar, antes até de ter uma tabela. Não há planejamento logístico dos clubes para 2016, então não seria preciso alterar nada e não seria adicionado nenhum gasto, já que a própria CBF arca com os custos das viagens.

Enfim, mais uma vez nos vemos em uma situação complicada onde a Ferj mostrou sua força política para nos prejudicar, mas não me preocupo, pois a Primeira Liga está aí e acredito que os clubes vão sim apoiar o Fla, como Já fizeram o ex-presidente do Atlético-PR e o atual presidente do Bahia pelo Twitter.

 

 

Aos que argumentam que a diretoria foi omissa e não se planejou, leiam novamente a nota para perceber que essa decisão foi tomada ainda em 2015, quando havia a possibilidade de reformar um estádio do Rio de Janeiro para ser nossa sede em jogos contra os pequenos. O próximo texto deste blog trará deste tema analisando a questão do planejamento e qual seria a solução, na minha visão, para o ano de 2016 sem Maracanã.

 

Se quiserem saber mais sobre os RGCs citados, eles estão disponíveis nos links abaixo:

RGC 2015

RGC 2016

SRN!

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Thauan Rocha escreve no Flamenguista Imparcial, da Plataforma MRN Blogs. A opinião do autor não reflete necessariamente a opinião do Mundo Rubro Negro.

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