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segunda-feira, novembro 30, 2020

Erros e mais erros

Téo Ferraz Benjamin
Escrevo as análises táticas do MRN porque futebol se estuda sim! De vez em quando peço licença para escrever sobre outros assuntos também.

Quando um ator vai mal em um filme, a culpa é dele. É um ator ruim. Quando todos os atores vão mal, a culpa é do diretor

Blog do Téo | Téo Benjamin – Twitter: @teofb

O Flamengo deste domingo, 08/11, pode ser resumido em uma palavra: erro. Erro de escalação, de estratégia, de preparação mental, erro técnico, tático, até físico. Erro individual e erro coletivo. Tudo, absolutamente tudo, foi errado. Parece que não aprendemos nenhuma lição nas últimas semanas. 

É até fácil falar depois que deu errado. Mas mesmo voltando ao início, tentando entender o processo de decisão para chegar no jogo, nada faz sentido. Domènec insistiu em uma escolha impopular: manteve Gustavo Henrique na zaga.

Veja mais do autor: De aposta a influenciador tático, a versatilidade de Bruno Henrique permite ao Flamengo jogar de diferentes formas

Dá pra dizer que ninguém mais faria isso, já que o zagueiro vem muito mal, errando tudo, falhou feio nos dois últimos jogos decisivos e psicologicamente parece não estar aguentando o rojão. 

Porém, ele é o tomador de decisão, tem mais informações que nós e poderia estar pensando uma estratégia específica, recuando as linhas, protegendo mais a zaga e aproveitando GH na bola aérea, sei lá. Poderia haver algo a mais por trás da decisão. 

Mas não… Veio com linhas adiantadas, forçando um jogo de peito aberto contra um adversário veloz, expondo as costas da defesa, justamente a pior característica de GH, mesmo em momentos bons! (E a pior de Isla também, aliás).

Do ponto de vista do tomador de decisão, é difícil bancar uma decisão impopular (e que tem motivo para ser impopular). Afinal, qualquer decisão pode dar errado, mas errar fazendo aquilo que todo mundo está dizendo para não fazer é mil vezes pior do que errar tentando algo novo! Manter essa decisão sem ter um plano muito bem pensado para mitigar os problemas dela é incompreensível. 

Dome no Flamengo
Erros do técnico Domènec Torrent custaram caro ao Flamengo diante do Atlético-MG.
Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

O mesmo vale para as substituições. Qualquer estratégia vai por água abaixo quando o adversário faz 2×0 em 8 minutos. O Atlético mudou e passou a jogar muito recuado. O contexto do jogo era outro. Assim, havia a necessidade de mudar a estratégia e a possibilidade de mudar a formação, trocar jogadores…

É muito, muito difícil justificar a volta do intervalo sem substituições ou qualquer alteração estrutural no time. Aliás, mesmo antes do jogo, uma decisão gerou polêmica: Domènec decidiu mandar Noga e Ramon para o jogo do sub-20. De fato, se ele acha que os dois são “segundo reserva”, pode querer que mantenham ritmo de jogo. 

O problema é que, há algumas semanas, quando o Corinthians cresceu no jogo, Ramon entrou para formar uma linha de cinco e o time melhorou. Talvez tenha sido a melhor substituição de Domènec até aqui, em todos os jogos. Ali nasceu mais uma alternativa tática muito interessante e que poderia ser muito útil hoje, caso o Fla estivesse vencendo o jogo no fim, por exemplo. Mesmo considerando Renê o reserva imediato, Ramon poderia estar no banco pensando nisso. 

Leia também: Exclusivo: Após reuniões e pressão, Doménec terá situação reavaliada no Rio de Janeiro

Por fim, vem uma questão sutil, mas importante. No jogo contra o Del Valle, por exemplo, Domènec “desistiu” depois do 2×0 e fez várias substituições. O placar terminou em vexame absoluto. Tudo bem, nada estava dando certo ali e dificilmente o Fla conseguiria alguma coisa. Desistir do jogo não é da nossa natureza, mas nem dá pra crucificar.

O problema é que, em vez de estancar a sangria e parar ali, as substituições abriram ainda mais o time e geraram o desastre! Não é possível que não tenhamos aprendido nada ali. Não é possível que, de novo, com o placar definido, o Flamengo tenha colocado mais atacantes e se exposto ainda mais!

Simplesmente não é possível! É sempre importante a gente olhar o desempenho, não apenas os resultados. Olhar as escolhas, não apenas o resultado delas. Esse olhar não deixa a menor dúvida: um erro atrás do outro. Que horror. 

É claro que alguns jogadores estão muito mal. O gol que o Bruno Henrique perdeu no início do segundo tempo não existe. A responsabilidade é de todos, mas hoje me lembrei de uma ex-namorada cinéfila. Ela disse uma frase que eu nunca esqueci: “Quando um ator vai mal em um filme, a culpa é dele. É um ator ruim. Quando todos os atores vão mal, a culpa é do diretor”.

Hoje, Domènec, não tem nem o que dizer. 

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*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Alexandre Vidal / Flamengo

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