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O desafio de Torrent é fazer os jogadores acreditarem na sua filosofia, pois de futebol ele entende, mantendo assim a mentalidade vencedora

Blog Ficou Marcado na História | Allan Titonelli – Twitter: @AllanTitonelli

Com a contratação de Domènec Torrent como técnico do Flamengo os analistas esportivos dissecaram seus fundamentos. A principal credencial talvez seja ter sido assistente de Guardiola, um dos treinadores mais badalados do mundo da bola. Parece ser inquestionável também seus conhecimentos técnicos sobre o futebol.

Do mesmo autor: Quando um técnico não é mero detalhe

Todavia, depois dos títulos que ganhou pelo Flamengo, Jorge Jesus vai ser uma eterna sombra para os treinadores do clube, principalmente para seu substituto imediato. Há uma característica do Mister que talvez tenha sido a chave para a mudança, e precisa ser trabalhada por Torrent. Falo sobre a mentalidade vencedora, que aliada aos treinos técnicos à exaustão, até que as funções e posições fossem assimiladas, as quais só foram possíveis ante a absorção da primeira.

Afinal, Jesus transformou um time que ficava no cheirinho em multicampeão, e cheio de si. Essa mentalidade começou com os discursos autoconfiantes e no superlativo; provocar desafios (quem não se lembra de quando o Mister chegou, mandando logo pintar as paredes do Ninho com as fotos dos Campeões da Libertadores e do Mundial, e disse aos jogadores que a deles seria a próxima a estar ali) e fazer acreditar no que dizia (vi vários relatos de jogadores dizendo que Jesus fazia previsões que se concretizavam em campo, aumentando a confiança).

O livro “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg, traz uma história do treinador Tony Dungy da NFL, que contextualiza bem essa mentalidade vencedora, e como quebrar esse paradigma, embora não iremos ser exaustivos em seus detalhes. Segundo Dungy, “Os campeões não fazem coisas extraordinárias”, “Fazem coisas ordinárias, mas as fazem sem pensar, rápido demais para o outro time reagir. Seguem os hábitos que aprenderam.” (Os hábitos ensejam três etapas – deixa, rotina e recompensa – , e Dungy só mudaria a rotina).

Tony Dungy
Dungy no Hall da Fama da NFL. Crédito da foto: Divulgação

Para Duhigg, em vez de ensinar todas as formações possíveis aos jogadores, era necessário apenas uma parte delas, mas treiná-las à exaustão, até tornar o comportamento automático. Contudo, para seus ensinamentos darem certo, os jogadores necessitavam estar no controle do poder mental, não podendo fraquejar com um gol do oponente, ou com as adversidades, precisavam seguir acreditando. Ou seja, não bastava o físico, o técnico, mas relevante o controle mental, e acreditar no sucesso. E esse foi seu grande desafio antes de se tornar campeão da NFL. Afinal, a fé (eu acredito) seria um recurso para alavancar os hábitos, concretizando as transformações desejadas.

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Voltando ao Flamengo de Jesus, que trouxe um profissional ligado à parte mental, Evandro Mota, para mudar essa cultura. Afinal, ele próprio, Jesus, havia perdido campeonatos nos últimos minutos, então já tinha enfrentado derrotas doloridas, e sabia o que fazer para não repetir o insucesso. E, para superar esse paradigma é necessário confiar e acreditar naquilo que o técnico diz. O resultado prático dessa mudança foi exteriorizado nas palavras de Bruno Henrique, “estamos em outro patamar”, ou na confiança de que “hoje tem gol do Gabigol”.

Enfim, a meu ver, esse é o desafio de Torrent, fazer os jogadores acreditarem na sua filosofia, pois de futebol ele entende, mantendo assim a mentalidade vencedora.

Leia o livro “19 81 – Ficou Marcado na História”

*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Divulgação / NY City

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