O efeito Arão e o acerto de Ceni

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O recuo de Willian Arão trouxe Diego para o time, melhorou a saída de bola e ainda mantém volante sempre ligado no jogo

Blog Ficou Marcado na História | Daniel Giotti – Twitter: @danielgiotti

Não sou daqueles que demonizavam o Arão e querem guilhotiná-lo. Nunca fui, mesmo quando ele estava muito mal e perdeu vaga para Cuéllar.

Na verdade, eu o aplaudi, em vários jogos em 2017, quando ele e Cuéllar sepultaram de vez a era “Márcio Araújo”.

Mas nas arquibancadas no Maracanã sempre brinquei com Márcio e Tiaguinho, fiéis companheiros das jornadas rubro-negras, que Arão seria perfeito, se não tivesse os momentos em que se achasse Beckenbauer.

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O craque alemão, campeão mundial em 1974 contra a lendária Laranja Mecânica de Cruifjj, jogou de zagueiro, líbero, volante e meia. Era tão respeitado, que interferiu na escalação da Alemanha na final de 74.
Jogou ao lado do Rei Pelé no Cosmos, uma única vez, eleito melhor jogador do time, em 1975.

Quer mais? Beckenbauer foi escalado até na eleição de filósofos, no clássico Alemanha contra a Grécia, numa divertida esquete do Monty Phyton.

Brincadeiras à parte, Arão não é Beckenbauer, claro, mas desde o “tá mal, Arão” corrigiu-se, na verdade Jesus corrigiu, uma displicência do jogador, que chegava tão bem ao gol adversário, quanto ia mal na defesa, com passes desatentos deixando o time adversário chegar à meta rubro-negra.

Menos Beckenbauer, sempre disse.

Pois bem, veja que Ceni, que já critiquei aqui mais de uma vez, escalou-o como zagueiro, para desespero de muitos de nós, inclusive deste que ora escreve. Mais uma bola fora, pensei.

Arão deu susto nos primeiros jogos. Ceni bancou, desconfiante que estava com os garotos Nathan e Thuler, tendo desistido finalmente de Léo Pereira, e sem contar com Rodrigo Caio, constantemente, machucado ou com Gustavo Henrique, sempre na berlinda com atuações preocupantes, achou nova posição para o ex-volante.

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Creio que foi um achado, o achado possível do Ceni, porque ele mantém no time alguém que ainda pode chegar bem ao gol adversário, mas o recuou como zagueiro colocando-o em uma zona em que Arão precisa estar sempre “acordado no jogo”.

Foi um achado também, porque se deu um jeito no sistema defensivo do Flamengo, tão mal durante toda a temporada, permitindo que o Flamengo aproveitasse o bom passe de Arão e que em um mesmo time estivessem ainda escalados Diego, Gérson, Evérton Ribeiro e Arrascaeta.

Um festival de gente com bom passe num mesmo time, ainda mais se pensarmos em Diego Alves no gol, Rodrigo Caio no também na zaga, Isla e Felipe Luiz, sempre nas laterais.

Um achado, ainda, porque permitiu colocar Diego no time titular, que pedia passagem, pois não havia como tirar Arrascaeta, sempre um jogador que pode vencer o jogo num lance apenas; Gérson, jogando de terno novamente; e Everton Ribeiro, mal nesta temporada, mas que redescobriu o bom futebol.

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Achado, finalmente, pois o arame liso de vários jogos de Ceni se foi, com o time jogado em linhas altas, pressionando o adversário em seu campo, quando o Flamengo está sem posse de bola.

Um mágico efeito Arão, claro que não todo vinculado a ele, pois nomear essa fase assim homenageia este jogador de tanta raça e que se redescobre.

É, Arão, você não é Beckenbauer, e como Ceni, que também não é Cruifjj, podem rir deste articulista, longe de um Nelson Rodrigues, mas que anda tanto pitaco sobre o futebol que um joga, que o outra concebe.
Todos nós felizes, porém, à espera do final feliz com o título deste Brasileirão, antes tão improvável.

Daniel Giotti escreveu o livro “19 81: Ficou Marcado na História”, com Allan Titonelli. Compre aqui: https://amzn.to/3nQSneB

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