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sexta-feira, dezembro 4, 2020

Flamengo e Brasil, o mesmo fogo

Gerri Rodrianhttp://Orra,éMengo!
Paulista de Osasco, nascido em 1974, casado. Formado em Letras na USP, dramaturgo, profissional da área multimídia e servidor público federal. Rubro-negro desde 1980.
Por Gerrinson. R. de Andrade (Twitter: @GerriRodrian) - Do Blog Orra, é Mengo!

bandeira-do-brasil

Brasil, alguns sabem, é a cor da brasa. Nem precisamos de largos estudos etimológicos para compreender o termo. O nome deste lindo país é diretamente relacionado à cor vermelha do fogo. Cabeçudo foi quem botou verde, amarelo, azul e branco e não botou bastante vermelho na bandeira. Depois tudo aqui é torto e ninguém imagina o porquê – o país praticamente se chama “Vermelho” e há quem vista amarelo pra fazer protesto.

Os doidões de direita bradam que estão querendo tornar o país vermelho, gritam contra o “perigo vermelho”, odeiam as bandeiras rubras, choram pelo azul e o amarelo, ficam em ereção pelo verde-oliva e mal sabem que aqui a coisa é “brasa, mora?”. Que mudem o nome do país para outra coisa, Áureo, Fulvo, Cróceo, mas assim como a Argentina é a turma do prateado, nada vai mudar o significado do nome desta pátria.

Flamengo é quase a mesma coisa. A praia do Flamengo ganhou o nome por conta de holandeses, povo ruivo, cabelão vermelho, cabeça de fósforo. Da mesma maneira que em mulherengo, realengo, mamulengo, o sufixo -engo conota exagero, até de modo pejorativo, e a flama – modo erudito para a via popular “chama” – é nada mais que o fogo novamente queimando e deixando tudo vermelho de calor.

O sujeito flamengo é simplesmente o “vermelhão”, aquele exageradamente sanguíneo, o abrasado, o brasil. E não há maior coincidência, o maior time do país é sinônimo do nome do próprio país. Ninguém sabe disso, o povo não dá muita bola para filologia e afins, não é muito de estudar e geralmente aprende tudo de orelha.

Aí o nome Corinthians é um estrangeirismo cafona que deveria ter sido revisto no Estado Novo. Palmeiras é uma planta de origem asiática. São Paulo e Santos são nomes para perpetuar religião. Grêmio e Atlético são substantivos comuns, como escola e clube. Internacional é autoexplicativo. Cruzeiro é até bonitinho quando a gente pensa na constelação, mas é absurdo quando a gente pensa na finalidade assassina do objeto de pendurar infelizes. Vasco da Gama era um barbudo fidalgo. Fluminense, Figueirense, Osasquense, gentílicos de sonoridade duvidosa. E o Botafogo, todo preto e branco, é o contraste do próprio nome, que nem vermelho tem.

Orra, é Mengo!

 

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