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Torcer é ato passional e a paixão nos cega às vezes, mas é impossível não olhar para o Flamengo pós-pandemia sem pensar no que mudou

Blog Flamengo em Foco | Lael Mendes- Twitter: @laelmendes

19 de fevereiro de 2020, o Flamengo viaja a Quito para enfrentar o Independiente del Valle pela primeira partida da Recopa Sul-Americana. Três dias antes já havia vencido o Athletico Paranaense em Brasília e conquistado a Supercopa do Brasil, no que era apenas o quarto jogo do time principal na temporada. 

Desde o retorno de Tóquio em 81 que o clube não iniciava uma temporada com um horizonte tão promissor como o deste ano de 2020. Era até então a sequência de um período mágico com a conquista da América e de um Brasileirão avassalador, com direito a quase todos os recordes da era dos pontos corridos. O Flamengo empatou no Equador, resolveu no Rio e já iniciou o ano com duas taças, melhor impossível.

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Junto com março veio o inesperado, a pandemia do coronavírus interrompeu campeonatos mundo afora e colocou incerteza e medo na cabeça de todos. O time retomou o Carioca após certa polêmica e levou mais um título para a Gávea, mas a sequência da temporada ainda era incerta.

Jorge Jesus retornou ao Velho Continente e a diretoria se viu tendo que refazer o planejamento às pressas. O surto de coronavírus foi determinante tanto para saída do Mister quanto para a escolha do seu sucessor. Duas das principais opções da diretoria, Carlos Carvalhal e Leonardo Jardim, declinaram, e o Flamengo fechou com o catalão Domènec Torrent.

Depois de dez jogos um tanto quanto errantes pelo Campeonato Brasileiro, Domènec fará sua estreia na Libertadores justamente contra o mesmo rival que derrotamos na Recopa Sul-Americana, mas seis meses depois a realidade rubro-negra é completamente diferente, muito por conta do inesperado. Os estádios estão vazios, a Libertadores foi parar no SBT.

O time até então tido como imbatível é visto com desconfiança por parte da própria torcida. São poucas as pessoas que arriscam a escalação de quinta-feira. É início de trabalho e cedo demais para qualquer convicção. A inevitável comparação com Jorge Jesus mostra que o português só repetiu uma escalação após 15 jogos em dois meses e meio, já o técnico catalão sofre críticas enquanto ainda tenta encontrar o seu time ideal.

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Na teoria, era só manter o que vinha sendo feito, como em um dos mais famosos clichês do mundo do futebol; time que está ganhando não se mexe. Na prática, é impossível replicar o trabalho de outra simplesmente por se tratarem de dois profissionais diferentes.

Jesus levou para Portugal todos os seus métodos e sua filosofia. Nos deixou títulos e um trabalho árduo para o seu sucessor, que é justamente corresponder à expectativa. Torcer é ato passional e a paixão nos cega às vezes, mas é impossível não olhar para o Flamengo pós-pandemia sem pensar no que mudou. Até porque nós mudamos também, o mundo inteiro mudou e temos esse desafio de retomarmos nossas vidas aos poucos.

Desafio que o Flamengo também encara nessa volta da Libertadores sob desconfiança que nos era muito íntima em jogos da fase de grupo da contenda continental antes de 2019: traumas, frio na barriga, descrédito. O contra tudo e contra todos nunca fez tanto sentido.

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Os artigos assinadas não refletem necessariamente a opinião do MRN, sendo de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.

*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Alexandre Vidal / Flamengo

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