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A despedida não causa tristeza, a torcida já não queria o vitorioso treinador, mas as palavras de Abel machucam quem admirava seu caráter.

Por Ricardo Moura, Twitter: @ricardomouraCRF

Oito de cada 10 casamentos que terminam possuem o mesmo roteiro no apagar das luzes.

Traição, falta de carinho e pouca atenção são alguns dos “agrados” feitos uns aos outros durante comentários explicando o fim.

Sim, falei que 8 de cada 10, ou seja, sempre existem os 2 que possuem maturidade para aceitar que nada dura pra sempre.

Feito a ressalva do mais ou menos, dedilhada no boteco do seu Armando, vamos ao que interessa.

Abel saiu, pulou fora e, de arma engatilhada, atirou na diretoria e no Flamengo.

Tal qual meu amigo, que não citarei o nome, alegou que foi traído e não tinha carinho da companheira ao fim do casamento. No caso de Abel, o déficit de sentimento partiu do clube.

Quando contratado, de tudo que não o credenciava ao cargo, a única coisa que salvava Abel era o histórico de ótimas relações com o grupo e com o Clube.

Abel Braga sempre foi um “dono do vestiário”. A figura paternalista encanta jogadores e dirigentes, que sempre tiveram nele o respaldo para erros administrativos e individuais em campo.

Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

Eis que o mágico traiu a plateia. A despedida não causa tristeza, a torcida já não queria mais o vitorioso treinador, mas as palavras ditas a um colunista, essas sim machucam quem admirava o caráter do mesmo.

O Flamengo seguirá sua vida. Em meio ao turbilhão de emoções que viverá este ano.

Dizem que já existe nome em pauta. Se existir, o que não é falta de ética e nem de respeito, será um acerto da direção.

Afinal, no seu trabalho, o seu chefe não avisa que está procurando alguém para o teu cargo. Assim é a vida aqui fora. Assim é a rotina de quem paga a conta de treinadores e jogadores.

Se o Flamengo seguirá sua vida, e sim, vai seguir…

O que esperar de Abel Braga agora?

Desejo do fundo de meu coração que o treinador encontre a paz e a tranquilidade para seguir o caminho que escolher. E se fossemos amigos e ele pedisse um conselho, ouviria o seguinte:

“Você já fez muito. Seu nome estará na história. Tem títulos, tem glórias, alegrias e tristezas. Tem dias que a bola entra e dias que ela bate na trave. Pra mim, com 32 anos, ainda vale a pena insistir no chute, mesmo que nem sempre saia o gol. Agora, pra você, realizado e seguro financeiramente, seria interessante sair do papel de vidraça e virar pedra.”

Que São Judas Tadeu olhe por nós.


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