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Por Ricardo Moura, Twitter: @ricardomouraCRF

Hoje resolvi falar de tática.

Passados os 3 a 0 para o Bahia, me senti na obrigação de escrever algo sobre o Flamengo, de Jorge Jesus.

Não vai ter campinho. Não vai ter vídeo. Só texto. E estou falando texto simples, para todo mundo entender.

O português curte um time com linhas altas. Ou seja, nossos defensores estarão sempre próximos do meio campo.

Hoje temos na nossa zaga uma linha com dois laterais acima dos 33 anos, ambos acima da média técnica e tática do Brasil. Mas com idade elevada. A dupla de zagueiros tem um jovem com poucos minutos de jogo e um espanhol que ainda está entendendo como funciona o Metrô do Rio.

E sim, esses 4 não completaram 100 minutos juntos. Ou seja, tudo é novidade.

As coberturas ainda estão falhas. Isso é normal.

No meu ponto de vista, de treinador com muitos títulos no Footbal Manager, o problema maior não está necessariamente na zaga.

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Veja bem. Com essa linha alta e esses jogadores formando a linha, é fundamental um meio campo com erro zero. Não se pode errar um passe de dois metros, um lançamento de 30 ou até mesmo um simples lateral.

Vou explicar. O Barcelona, de Guardiola, tinha um meio com erro zero. Com isso Daniel Alves podia jogar no ataque 90 minutos. Pois a chance de tomar uma bola nas costas, tal qual tomou Filipe Luís, no domingo, era 0. O time não errava, e quando errava era na linha final do campo. Dentro da área adversária ou perto da linha de fundo. Existia tempo para se recompor.

Jorge Jesus precisa de tempo para encontrar a afinidade entre os meias do Flamengo. Precisa de treino para afiar o passe, a noção de espaço e os movimentos que cada um tem que fazer para sempre estarem prontos para darem e receberem os passes.

Isso tudo que falei, que pode parecer loucura para os reis dos campinhos táticos, é demonstrado em grandes times da Europa.

Vou dar um exemplo de sucesso individual pautado neste conceito de erro zero.

Daniel Alves, hoje jogador do São Paulo, reinou em três grandes times da Europa. Todos times com ótimos meias, com tempo de casa, talentosos e com a missão de propor o jogo por 90 minutos. Tranquilo demais para um lateral acima de 30 anos.

Amanhã, estreiando pelo São Paulo terá dificuldades.

O pequeno não respeita o grande. No Brasil esse medo de atacar não é mais moda entre os times de com menor investimento, camisa e orçamento.

Alves viverá duelos constantes com laterais e pontas que correm por 90 minutos, que fazem área a área durante todo o jogo.

Alves sofrerá assim como Filipe sofreu domingo.

Cabe a Jesus continuar treinando e afiando o time. O trabalho está sendo bem feito. Tem qualidade individual no elenco, só falta a tal “afinidade”.

***

BALOTELLI – Em um grupo de torcedores ilustres surgiu a questão do tamanho da contratação de Balotelli, caso ela se confirme. Fui direto e reto. Estaria na lista das maiores contratações da história do futebol nacional. Nível Romário 95.

O italiano tem 28 anos, uma marca enorme e mercado. Não estamos falando de um veterano, torcedor do clube e que só quer estar próximo dos amigos e família. #vembalotelli

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