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Lançado há uma semana, o canal Flamiguinhos, com vídeos infantis, já é um sucesso retumbante entre rubro-negros de todas as idades. Com cerca de 56 mil inscritos e mais de 400 mil visualizações nos cinco vídeos já postados, o canal faz o torcedor rubro-negro esperar ansiosamente pela próxima atualização, que deve acontecer nas próximas semanas. O MRN conversou com Wagner Corrêa, sócio da Grajaú Filmes, responsável pelo Flamiguinhos, sobre a criação do projeto e os próximos planos para o canal. “A gente desde o início pensava que era um conteúdo que ia atingir não só as crianças rubro-negras, mas as famílias rubro-negras. E é o feedback que a gente mais tá tendo nesses primeiros dias. Que os pais estão se emocionando, que os pais assistem com os filhos”, disse Wagner. Leia abaixo a entrevista:

MRN: De onde surgiu a ideia de fazer um canal como o Flamiguinhos? O clube procurou vocês ou foi o contrário?

Nós somos um grupo de amigos rubro-negros, e o meu irmão, Wladimir, é um dos compositores, junto com o André Diniz, das três músicas que a gente fez e de uma série de outras músicas autorais que vêm pela frente. Ele tinha acabado de ganhar um neto, ele tem um neto de pouquinho mais de um ano. E no ano passado, ele com esse neto pequeno, teve essa ideia, vendo ele assistindo Galinha Pintadinha, Mundo Bita, esses desenhos, de fazer um canal pra crianças falando do Flamengo. Ele me procurou, a gente começou a conversar com outros amigos, o próprio André DIniz. A ideia surgiu por volta de abril do ano passado. A gente até brinca que foi antes do efeito Jesus, o Abel ainda era o técnico. Mas a gente sabia do potencial do Flamengo, e falou, isso aqui tende a dar certo. E aí começamos a entender um pouquinho desse mercado.

O meu irmão e o André são compositores muito fortes no mundo do samba, o André tem mais de 30 samba-enredos vencidos no Grupo Especial do Rio. Já fez músicas pro Flamengo antes. Aquela música do Zico 60 anos é dele.Tem uma música “Centenário de Paixão” do CD do centenário do Flamengo, cantada pelo João Bosco, também é dele. E eles também têm experiência de fazer jingles, propagandas, e tal, têm essa expertise de música. E do outro lado, juntou mais um grupo de amigos, todos rubro-negros fanáticos, desse grupo praticamente todo mundo tava em Lima, pessoal que vai a jogo há anos, eu nasci e fui criado nas redondezas do Maracanã… A gente começou a fazer um business plan, pensou no modelo do negócio, e ao começar a produzir as músicas e os clipes, a gente começou a sentir falta da autorização do Flamengo do uso das suas marcas oficiais, seja do escudo, seja do CRF.

E aí a gente bateu na porta do Flamengo para pedir autorização como se fosse um produto licenciado, como se fosse um caderno, uma bola. A gente bateu lá sem conhecer ninguém. Mas a recepção do Flamengo foi tão positiva que eles nos chamaram pra conversar e pensar uma coisa institucional. Eles tinham um plano de fazer algum produto para essa faixa etária e acharam que o nosso produto era muito importante. E a partir daí a gente passou a remodelar o produto, o Flamengo foi dando algumas sugestões, nós fomos aprimorando algumas coisas, Fomos produzindo os vídeos durante um bom tempo até que no início deste ano o contrato foi assinado e a gente lançou os primeiros episódios.

MRN: Vocês se inspiraram em algum projeto já existente? Sei que o Bahia fez algo parecido em 2014...

A gente pesquisou tudo, tudo, tudo e não achou nada parecido no Brasil e no mundo. Nada. O máximo que a gente chegou foi a alguns clubes na Europa que tinham um conteúdo mais infanto-juvenil, essa faixa de 11 a 12 anos, essa turma que acompanha mais esse modelo de youtubers. Esse modelo de clipes animados, que é uma referência de Galinha Pintadinha, Mundo Bita, a gente não tinha achado nada. Já quase na fase final do projeto, uma pessoa do marketing do Flamengo falou: “Ah, vocês já viram o do Bahia?” E a gente se assustou e foi dar uma olhada. Tem pouquíssimas visualizações, um projeto já de alguns anos, eles começaram no modelo DVD e depois acabaram jogando no Youtube. Quando a gente já tava na fase final que a gente foi descobrir que o Bahia já tinha feito algo há muitos anos atrás. Mas honestamente o nosso conceito é um pouco diferente do deles. A gente entende que mesmo o Bahia não capturou os detalhes que a gente conseguiu capturar nesse projeto.

MRN: Quais são os planos para o canal, em termo de atualizações, novos vídeos. Com que frequência ele será atualizado?

Existe um trabalho que começa na composição da música. Depois a gente vai pro estúdio com músicos profissionais, arranjador, um coral de crianças, a gente grava a música. Com a música pronta, a gente elabora todo o roteiro.Isso tudo é feito dentro da Grajaú com todos esses parceiros que a gente tem, esse grupo de amigos rubro-negros. A gente faz questão que todo mundo que participa do processo seja Flamengo, do tecladista às crianças ao arranjador, todo mundo é Flamengo. Aí depois da música pronta a gente vai então escrever o roteiro e a gente tem uma empresa parceira que trabalha com animação que faz essa animação. Durante essa execução da animação há várias idas e vindas, melhorias, ajustes, a gente controla tudo muito de perto. E esse processo de fazer a animação leva normalmente duas semanas.

Então a ideia é que a gente consiga lançar um clipe a cada três semanas. Essa é a proposta do projeto. Entretanto, dado o sucesso que a gente teve, que particularmente a gente esperava, mas se confirmou nestes últimos dias, a gente está fazendo uma força-tarefa para tentar soltar alguns clipes com menor periodicidade. Então talvez nas próximas semanas tenha menos do que um clipe a cada três semanas e aí no futuro a gente vai tentar manter um a cada três semanas que é o nosso objetivo.

Claro que isso tudo vai variar também em função da resposta do público aos clipes. A gente não quer perder qualidade. Os clipes que a gente lançou agora, e os próximos, tanto a qualidade das músicas compostas como da execução da animação, têm todo um cuidado nosso que a gente faz questão de não abandonar. É difícil que a gente prometa entregar um clipe em menos de duas semanas de intervalo. A gente até tem algumas músicas adiantadas, gravadas, mas existe todo esse trabalho de animação que leva tempo.

MRN: Existe plano de disponibilizar esses vídeos também em outras plataformas? E na própria FLA TV?

A gente está trabalhando com isso sim. É provável que as plataformas de áudio sejam as próximas porque são mais simples. Mas tudo que a gente faz é sempre em acordo com o Flamengo. Todo o trabalho desenvolvido o Flamengo está participando, está do nosso lado. Existe também todo esse trabalho de fazer um alinhamento entre as partes, mas é provável que a gente vá para as plataformas de áudio nas próximas semanas.

Sobre a FLA TV, o clube achou interessante ter um canal separado. Esse canal Flamiguinhos está ligado à FLA TV, mas o conteúdo é separado. Hoje existem no Youtube regras muito específicas para conteúdos infantis. Não tinha como a gente botar tudo junto da FLA TV porque haveria restrições. Por exemplo, nos clipes infantis você não pode botar comentário, nos canais infantis não pode botar sininho para receber notificações de novos vídeos. Então a gente achou que o caminho era realmente fazer um canal separado da FLA TV.

MRN; Qual é o público- alvo de vocês? Existe algo planejado para crianças um pouco mais velhas?

Quando eu falei que era diferente do projeto que a gente viu do Bahia, é muito diferente do modelo da Galinha Pintadinha e do Mundo Bita, porque a gente desde o início pensava que era um conteúdo que ia atingir não só as crianças rubro-negras, mas as famílias rubro-negras. E é o feedback que a gente mais tá tendo nesses primeiros dias. Que os pais estão se emocionando, que os pais assistem com os filhos. Quem tem filho pequeno, eu tenho duas, às vezes a gente não tem muita paciência de assistir esses outros clipes. E o que a gente está vendo é justamente o que a gente pensou, os pais estão tendo prazer de assistir esses desenhos animados, esses clipes infantis ao lado dos filhos. Então foi algo pensado estrategicamente para ganhar o coração das crianças, não só as crianças de 1 a 3 anos, mas também crianças de uma idade mais avançada, que já vão ao estádio, que já tão dançando, até chegar nos pais. O material que a gente fez, embora seja um clipe infantil animado, a gente conseguiu alcançar um público que é de todas as idades. O que a gente tem recebido de feedback de pais, avós, tios, que estão curtindo os vídeos, que estão tendo a oportunidade de interagir com suas crianças, a gente tem certeza que acertou no alvo.

MRN: Um vídeo em especial emocionou muito os torcedores mais velhos, do pai cantando à filha sobre a sua relação com o Flamengo. Você pode contar a história da idealização desse vídeo específico?

Esse vídeo é uma música que o André Diniz fez junto com o Wladimir e é uma homenagem à filha dele e ao pai dele. Inclusive a voz do cantor é dele, e aquela menininha que fala “papai, por que a gente é Flamengo?” é a filha dele, a Isabel. A única coisa que a gente teve uma licença poética é que o pai dele não está no céu, o pai dele é vivo ainda. Foi uma inspiração, uma família rubro-negra que tem uma história muito bacana. Foi a primeira música do projeto. Ela é um case que mostra que desde o início a gente não se preocupou em fazer um canal infantil somente pra crianças de 1 a 3 anos. É uma música que atinge o coração dos mais velhos. que tem uma pegada em termos de melodia diferente daquele modelo tradicional de crianças, e a gente conseguiu alcançar o coração dos pais. Esse era o objetivo também, que os pais conseguissem ver no canal uma identificação da relação deles com sua família, e tudo isso com o Flamengo por trás, que é o grande objetivo.

Esse é um vídeo muito marcante pra nós porque é o primeiro, quando a gente foi na primeira reunião com o Flamengo lá no início do segundo semestre do ano passado, a gente levou essa música para eles. E foi muito importante, porque o Flamengo ajudou a gente muito a construir o modelo do canal. Inicialmente o canal se chamaria “Cante Comigo Mengão”, e ele acabou virando Flamiguinhos, e a gente teve um apoio, uma parceria muito grande da equipe do marketing, particularmente o Caetano Marcelino e o Caio Rabelo foram duas pessoas que desde o primeiro contato com o projeto entenderam que aquilo era muito mais do que licenciamento, aquilo era um material institucional, e aí o projeto foi caminhando e evoluindo a quatro mãos.

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