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Flamengo, que parece estar investindo o possível para uma volta consciente, não fez um bom movimento ao posar ao lado de Bolsonaro

Por Marcelo Batista

Depois de anos e anos figurando por baixo na cena do futebol, hoje o Flamengo figura onde realmente merece. Pagamos um preço alto, com uma gestão que, se questionável no futebol, foi indiscutivelmente excepcional no financeiro. Hoje colhemos os louros.

Com a chegada da pandemia do novo coronavírus e a suspensão do calendário o Flamengo vem perdendo dinheiro. Como todos os clubes. Como nem todos os clubes, porém, tem trabalhado no desenvolvimento de protocolos necessários para a volta gradual dos treinos. O governo do Estado do Rio de Janeiro foi meio que relutante no começo, mas hoje já acena positivamente, o único imbróglio é com Prefeitura do Rio e sinceramente não sei o porquê.

Sendo assim, o clube recebeu uma proposta para treinar em Brasília, o que é bom por um lado, porque lá a pandemia está com um grau de contágio bem menor que o Rio de Janeiro, mas também pode ser ruim porque os jogadores e comissão técnica teriam que ficar longe de casa. Ainda que o clube tenha acenado com hospedagem para as famílias, nunca é bom ficar num hotel por tanto tempo.

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Mesmo com a Prefeitura indo contra, o clube reiniciou gradativamente os treinos, o que deixou a imprensa em polvorosa, a ponto de por dois dias seguidos terem feito filmagens aéreas dos nossos treinos, o que foi um tamanho desrespeito. Outros clubes também querem a volta dos treinos, e nem de longe a imprensa repercutiu tanto.

Sim, o Flamengo por natureza incomoda. Quem está na crista da onda tanto financeiramente quanto esportivamente incomoda ainda mais. A imprensa marrom paulista morre de medo de o clube da Gávea se tornar hegemônico em terras tupiniquins e usa esse expediente como pode para tentar evitar isso.

Mas vamos à principal questão perante o aceno do governo de Brasília de permitir que o Flamengo treine lá. Parte da cúpula do clube foi à capital federal para discutir os termos de um possível acordo; e reuniu-se com o governador do DF e também com o presidente da república, cuja presença no evento foi no mínimo questionável.

Isso causou um rebuliço, dividindo a torcida nas redes sociais, principalmente no Twitter. Bolsonaro sabe que a sua popularidade está em baixa e tentou utilizar essa reunião para melhorá-la, assim como já havia feito em outras oportunidades, tirando foto inclusive com a camiseta do clube junto com o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim e com Márcio Tannure, médico do clube.

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Com mais de 30 funcionários infectados e um dos mais antigos funcionários do clube, o Jorginho, morto pela covid-19, o Fla não pode se permitir ser usado como bandeira para quaisquer governos, partidos e esferas políticas. É regra estatutária inclusive. Entre os rubro-negros mais revoltados há gente de todos os pensamentos. Não caiu bem para o Landim.

Sem parecer dar pistas de achatar a tal curva de casos e mortes por causa do coronavírus, entrando literalmente no epicentro da pandemia, a prioridade de todo político precisa ser a saúde pública. Se o principal método de combate à pandemia é o isolamento, o Flamengo, que parece estar investindo o possível para uma volta consciente, ética e pontual, não fez um bom movimento ao posar ao lado do presidente apontado como o maior líder negacionista do mundo. Não precisava entrar no holofote assim.

Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer diz o nosso hino. Tenha sua posição política sim, mas jamais a ponha acima do clube. Saudações rubro-negras!

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Crédito da imagem destacada no post e redes sociais:  (Foto: Reprodução/Instagram)

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