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Todo o sistema forte, com mais tempo para treinamento e descanso, proporcionando melhoria na qualidade de jogo

Blog Overlapping | Luiz Filho – Twitter: @lavfilho

Depois de um longo e tenebroso inverno… voltei a escrever! O assunto calendário é uma obsessão minha e a oportunidade está criada com a CONMEBOL decidindo promover a Copa Sul-Americana com fase de grupos. Gosto da ideia. Detalharei meus pensamentos sobre calendário do continente com o foco no Brasil.

Politicamente não é fácil uma “revolução” nas datas e torneios, por causa dos arranjos internos da CBF e das configurações dos campeonatos estaduais. Um calendário racional tem que ser construído de cima para baixo. Faz tempo que os Estaduais controlam as datas e o sistema.

Os clubes da Série A, B e C são coniventes e raramente reclamam. A chave para o início de uma revolução e melhoria na profissionalização do futebol tem que partir da “elite” dos clubes, com cuidado pra não atingir em demasia matando os pequenos. E falo de clubes, não esse enganoso sistema federativo que só trava a evolução do mercado como um todo.

O Campeonato Brasileiro deve ser a base do sistema por uma série de razões (cotas, previsibilidade de receitas, melhor planejamento etc). Respeitando as datas já conhecidas e de maior hierarquia facilita racionalizar o calendário. É caminho sem volta. Objetivos:

  • Adequar o Calendário Brasileiro ao Calendário FIFA/CONMEBOL;
  • Alongar o Campeonato Brasileiro, facilitando a distribuição das receitas de TV;
  • Ter 67 datas máximas para o futebol (14 Libertadores/Sul-Americana + 2 Recopa + 38 Brasileiro + 12 Copa do Brasil + 1 Supercopa);
  • Desconcentracão dos jogos importantes ao final da temporada (alívio nos jogos sequenciais);

A conta é complexa e o problema é a obrigatoriedade dos clubes de Série A de terem de participar dos campeonatos estaduais com equipes principais. Assunto pra outro texto. Sigamos. Às datas:

  • O ano tem 52 semanas (104 datas, meio de semana e fim de semana);
  • Férias e pré temporada: 16 datas;
  • Datas FIFA: 10 datas por ano;
  • CONMEBOL: 16 datas com final de Sul-Americana e Libertadores (14) em jogo único, Recopa (2). Sem contar Copa América;
  • CBF: 51 datas. Brasileiro (38), Copa do Brasil (12), Supercopa do Brasil (1);
  • Sobram 11 datas.

Estas 11 datas são fundamentais para que os clubes mais competitivos respirem. São datas para treinamento e descanso durante a temporada. Em anos mais agudos elas podem ser usadas para a Copa do Mundo e a Copa América, que podem e devem utilizar no máximo 10 datas. Ainda sobraria uma data para remanejamento em excepcionalidade.

Um clube de Série A só usaria as datas máximas em caso de vitória em uma competição nacional mais vitória em competição internacional na temporada anterior, além chegar em todas as decisões de competições no ano corrente. Pode acontecer com o Flamengo nesta temporada. Seriam mais de 80 partidas no modelo atual, enquanto no proposto aqui, no máximo, 67 (sem contar o mundial de clubes).

Chegamos ao nosso segundo problema: o encaixe das competições.

As maiores federações (CBF e AFA) teriam que entrar em consenso para ajudar a CONMEBOL num novo modelo de vagas para competições continentais. Brasil e Argentina tem vagas excessivas nas competições continentais. Está em um ponto em que elas não privilegiam mais o mérito esportivo na temporada anterior (um país pode ter até oito clubes na Libertadores e seis na Sul-Americana, ou seja, 14 vagas totais).

O ideal seria adequar as copas continentais acabando com fase “pré”. Seriam 64 vagas totais para as competições. Explicando:

  • 8 vagas para Brasil e Argentina (4 para cada competição);
  • 6 vagas gerais para os demais países (48);
  • 2 vagas para campeão da Libertadores e o da Sul-Americana;
  • Isso faz com que na prática os dois últimos países colocados no ranking da CONMEBOL ganhem uma vaga a mais na Sul-Americana em cadeia. Há uma troca, já que a vaga do campeão das copas sai de uma competição e vai para a outra. Uma espécie de compensação;
  • Seriam 32 vagas para a fase de grupos da Libertadores e 32 para a Sul-Americana.

Nada trivial, nada impossível. O problema é a política.

Saíndo das competições continentais, vamos ao detalhamento das competições CBF:

  • 44 finais de semana disponíveis no ano;
  • Final de Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil em fim de semana. Três datas;
  • Cinco datas FIFA em fins de semana;
  • Cinco finais de semana possíveis de Copa América ou Copa do Mundo (transformando em padrão). Sobram 31 finais de semana.
  • Campeonato Brasileiro em 31 fins de semana e sete meios de semana. Podem ser mais fins de semana, dependendo das combinações entre competições e datas.

A Copa do Brasil merece explicação à parte. Um novo formato será construído aqui:

  • 12 datas, 256 clubes (oito clubes por federação estadual e os 40 clubes das séries A e B do ano corrente). A competição mais democrática do país;
  • A primeira fase deve ser regionalizada para reduzir custos.
  • Os 32 primeiros do ranking da CBF são sorteados primeiro, como cabeças de chave, e poderão jogar contra qualquer dos outros 224 clubes da competição;
  • Após esse sorteio, os 192 clubes restantes seriam sorteados para enfrentarem adversários regionais;
  • Para a 2a e 3a fase, mesmo procedimento para os 32 melhores ranqueados da CBF evitando confrontos entre estes clubes. Caso eles sejam derrotados, o clube de menor ranking “herda” esse direito no sorteio;
  • Simplificando, os 32 melhores ranqueados não se enfrentariam nos confrontos das primeiras 3 fases. Todas disputadas em partidas únicas na casa do menor ranqueado;
  • 16 avos de final, Oitavas, quartas e semifinais – Sorteio pote único. Jogos de ida e volta com sorteio;
  • Final em jogo único em sede pré-definida;
  • Doze datas totais. Nove meios de semana, um fim de semana;
  • O campeão da Copa do Brasil vai para a Sul-Americana, valorizando as vagas do Campeonato Brasileiro que serão destinadas para a Libertadores;
  • Como estímulo aos menores clubes, retiraria 20MM do prêmio atual do campeão e 5MM do prêmio do Vice e dividiria entre os participantes da primeira fase. Com peso grande na segunda rodada, um bônus pra quem passar da rodada inicial;
  • Como todos os clubes jogariam, sem distinção entre Libertadores e fases, as premiações também seriam igualitárias. Na Copa do Brasil todos receberiam o mesmo valor por fase, sem privilégios aos grandes, dando uma premiação melhor aos pequenos.

Patrocinadores, televisões, clubes, confederações e o público ganham. Todo o sistema se torna forte com mais tempo para treinamento e descanso, proporcionando melhoria na qualidade de jogo pela racionalidade do calendário alongado.

As 67 datas máximas respeitaria aos clubes internacionais da Série A (Libertadores e Sulamericana), que teriam mais tempo de treino, e assim, os não-internacionais também teriam condições de trabalhar para conseguir as vagas internacionais no ano seguinte, inclusive os ascendentes da divisão inferior.

As 39 datas mínimas abririam espaço para a disputa dos Estaduais (ou regionais) para estes times não-internacionais e da Série B, que poderiam disputar com foco, inclusive, mas sem a “obrigatoriedade”.

Minha visão de ordenamento de calendário para a Série A (Série B também, porque não?) está sempre olhando a competição mais importante, da maior federação pra menor. Não há justificativa para a não racionalidade, a não ser a manutenção do poderio das federações estaduais e suas intragáveis 18 datas.

Flamengo Hic Et Ubique

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