O dia em que o Flamengo pediu a Libertadores em casamento

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Blog Resenha Rubro-Negra – Bruno Andrade – Twitter: @andradebrunoc

Surreal. Absurdo. Fantástico. Acredito que nunca teremos adjetivos suficientes para expressar o que foi o dia 23/10/2019, um dos dias mais felizes da vida de um rubro-negro. O palco foi o Maracanã, a nossa casa, lotada de esperança, e em campo, a possibilidade de voltar a uma final de Libertadores da América depois de 38 anos. O rival? o Grêmio de Renato Gaúcho que jogava um futebol exemplar e disputava com o Flamengo o posto de melhor futebol do Brasil.

O primeiro confronto, no Sul, terminou empatado. Nessa partida, o Fla engoliu o time do Grêmio com mais posse de bola, mais chutes a gol e um volume de jogo impressionante. A equipe de Jorge Jesus teve 3 gols anulados e só conseguiu abrir o placar aos 23 minutos do segundo tempo com Bruno Henrique, após um cruzamento magnífico de Arrascaeta. O time gaúcho empatou em um momento de rara desatenção do rubro-negro com Pepê, já no fim da partida.

O clima pro jogo no Rio de Janeiro era um misto gigante de tensão e confiança da torcida. Os ingressos se esgotaram dias antes e a Nação fez uma linda festa, com um mosaico escrito “Até o fim”. Não era um dia comum, não era um confronto comum, e sabíamos exatamente o que deveria ser feito. A torcida, como gostava de dizer o antigo técnico, fez o Flamengo começar na frente.

O jogo

21H30. Maracanã. Rio de Janeiro. O Clube de Regatas do Flamengo levou à campo o time titular, o que tinha de melhor. Jorge Jesus escalou Diego Alves no gol, Rafinha e Filipe Luís nas laterais, Pablo Marí e Rodrigo Caio formavam a dupla de zaga. No meio, a trica com Arão, Gerson e Everton Ribeiro. E no ataque, o trio Bruno Henrique, Gabigol e Arrascaeta.

O Grêmio adotou uma postura diferente do que vinha jogando. Mudou o centroavante e adicionou um zagueiro na lateral direita pensando em segurar os avanços rubro-negros por aquele lado. Renato entrou com: Paulo Victor, Paulo Miranda, Geromel, Kannemann e Bruno Cortez; Michael, Matheus Henrique e Maicon; Alisson, André e Everton Cebolinha.

Primeiro tempo

A bola rolou exatamente na hora marcada, não se ouvia outra coisa dentro do Estádio se não a voz de milhares de rubro-negros apoiando e jogando o time pro ataque. A partida começou tensa, estudada por parte dos jogadores. O Flamengo controlava a bola como gostava de fazer, mas não levava perigo ao Grêmio. Com o resultado favorável, o Fla não pressionou a saída de bola como de costume e apenas administrava sem tomar sustos, isso até os 18 minutos.

Em um erro de passe, a bola chega ao atleta do Grêmio que lança Cebolinha na ponta esquerda. O atacante finta com o corpo e tira Rodrigo Caio da jogada, leva a bola pro fundo e cruza rasteiro pra área. Diego Alves rebate pro meio e a bola sobre limpa pra Maicon, de frente pro gol vazio. Como um jato e em fração de segundos, Filipe Luís chega por trás e atrapalha o volante gremista. O chute sai mascado, fraco, e Diego abafa a bola.

A partir desse momento, o Flamengo volta a agir e procurar o ataque. Chega com perigo pela primeira vez com 26 minutos. Everton Ribeiro inverte posição com Arrascaeta, rouba a bola no circulo central e puxa contra ataque. O camisa 7 rola pra Rafinha, o lateral tem a opção de cortar em direção ao fundo do campo, mas dá uma bela fatiada na bola em direção a área e encontra Bruno Henrique que mergulha de peixinho e a bola sai raspando a trave esquerda de Paulo Victor. É o suficiente pra torcida inflamar novamente.

O jogo volta a se concentrar no meio campo e com o Grêmio muito fechado. Aos 39, Gerson arruma um espaço e tenta o chute de fora, a bola não toma à direção do gol, mas encontra Gabriel dentro da área. O atacante, que está marcado por Geromel e Kannemman, esconde a bola e arruma um espaço, solta a bomba de canhota, mas sai no meio do gol e Paulo Victor faz uma defesa fácil.

O Grêmio tenta jogar e põe a bola no chão, e é exatamente nesse momento que sai o gol do Mengão. Maicon tem a bola dominada no campo de ataque, dá bobeira e Everton Ribeiro toma. A bola cai em Gerson que com um toque aciona Bruno Henrique. O camisa 27 flutua pelo campo em uma velocidade absurda, Gabigol passa por trás da defesa fazendo o facão e recebe, o artilheiro bate forte, PV rebate pro meio e Bruno Henrique, o Rei da América, empurra pro gol vazio no rebote. É GOL! O primeiro do jogo, aos 42.

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Segundo tempo

Não deu tempo de respirar. Quem estava na fila do caixa do Estádio, ou foi pegar uma cerveja na cozinha perdeu o segundo gol do Flamengo. Foi relâmpago, como se quem precisasse do resultado fossemos nós.

Logo após o apito inicial, o Fla foi pro ataque e a bola chegou ao craque Bruno Henrique, o atacante levou pro fundo e cruzou pra trás, Geromel chega antes de Everton Ribeiro e isola pra escanteio. No cruzamento, Rafinha bate, a zaga do Grêmio desvia e a bola sobre na segunda trave pra Gabigol, o camisa 9 já vira chutando forte e bola morre dentro do gol. O segundo do mengão nos 44 segundos da última etapa.

O segundo tempo foi um massacre e não consigo pensar em outra palavra pra descrever. Foi um banho, uma aula de como se jogar o melhor futebol do Brasil. O Grêmio se segurava, visivelmente “grog” só aguardava e assistia o baile acontecer. Aos 52, Everton chama Filipe Luís, o lateral cruza rasteiro, o jogador gaúcho consegue o corte, mas a bola sobra pra Bruno Henrique que dá apenas um tapa, é o suficiente pra ser derrubado por Geromel dentro da área. Pênalti claro pro Mais Querido.

Enquanto o árbitro aguarda a decisão do VAR, Gabriel Barbosa já está com a bola na marca do cal, concentrado. VAR confirma a decisão do árbitro. Gabriel x Paulo Victor. Silêncio no Maracanã. Gabigol parte pra bola caminhando, escolhe o canto, bate devagar e…pode levantar a plaquinha! O artilheiro chegava ao seu sétimo gol na competição, o terceiro do Flamengo na partida.

A festa é geral no Maracanã. Entre sorrisos e choros de alivio, a torcida pouco se importou quando o bandeirinha anulou o gol de Bruno Henrique após impedimento de Gabigol no inicio da jogada. E por favor, nem foi necessário esse gol. Minutos após, aos 66, mais um escanteio, dessa vez cobrado por Arrascaeta, o zagueiro espanhol Pablo Marí sobe e cabeceia pro gol, marcando o 4º do Fla na partida. Nesse momento, o resultado já era inacreditável.

Porém, existe naquele Flamengo uma sede difícil de explicar. O time é destinado a vencer, obcecado de verdade. A classificação pra final já estava decidida, mas quem disse que isso importava? Aos 70, falta na lateral esquerda. Everton Ribeiro vem pra bola, cruza com perfeição e Rodrigo Caio, sem sair do chão, finaliza o massacre. 5X0, a maior goleada de uma semifinal entre times brasileiros.

A noite ainda reservava a volta do camisa 10 Diego Ribas. O meia que tinha sofrido uma lesão gravíssima contra o Emelec, ainda nas oitavas de final e voltou em tempo recorde e foi extremamente importante um mês depois. O capitão quase marcou o sexto gol, mas Paulo Victor defendeu.

O jogo terminou. A história estava escrito na nossa frente. O Flamengo, depois de 38 anos, chegava a sua segunda final de Copa Libertadores da América.

Gols e melhores momentos da partida:

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