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segunda-feira, janeiro 25, 2021

O ENEM do Rueda

Pedro Henrique Neschling
Pedro Henrique Neschling nasceu no Rio de Janeiro, em 1982, já com uma camisa do Flamengo pendurada na porta do quarto na maternidade. Desde que estreou profissionalmente em 2001, alterna-se com sucesso nas funções de ator, diretor, roteirista e dramaturgo em peças, filmes, novelas e seriados. É autor do romance “Gigantes” (Editora Paralela/Companhia das Letras - 2015).

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Até que foi uma semana movimentada para uma semana onde não aconteceu nada. Depois de uma vitória segura em casa contra o Atlético-PR pelo Brasileirão onde fizemos o que tinha que ser feito e saímos da Ilha do Urubu com a sensação que finalmente o time está entrando nos eixos, tínhamos até ali, sob o comando de Rueda, 4 jogos, sendo 3 vitórias, 1 empate e a considerável marca de nenhum gol sofrido.

Então veio a quarta-feira e ela trazia o retorno da aguardadíssima Primeira Liga, aquele campeonato que ninguém lembrava que existia, se é que ele existe mesmo. Sendo sincero, ainda me pergunto se não penso tanto no Flamengo que até inventei uma competição bizarraça na minha cabeça.

De todo modo, Rueda, precavendo-se para a final da semana que vem, achou prudente levar a campo uma equipe “alternativa”, forma elegante de dizer “reservas dos reservas”. Era em sua cabeça uma oportunidade de colocar numa partida (mais ou menos) oficial alguns jogadores que só aparecem de vermelho e preto em treino.

Para nós torcedores, sempre rola um frisson quando sabemos que veremos atuar determinados figuras que vivemos pedindo em campo. É a hora do tira-teima: a gente tinha razão de gritar tanto pelos caras ou os profes sabiam o que estavam fazendo quando os mantinham sentadinhos no banquinho da consciência?

Todos temos conhecimento do desastre que foi a partida em questão, portanto não pretendo me alongar no tema. Mas sinto que a catastrófica noite em Cariacica trouxe alguns pontos que devem ser anotados para o restante da temporada e do futuro porvir.
 

 
1 – O menino Ronaldo precisa ser benzido. Todo mundo pedindo por ele a porra do ano inteiro, chega a oportunidade de jogar e ele fratura a costela no treino?

2 – O menino Léo Duarte precisa ser benzido. Todo mundo pedindo por ele a porra do ano inteiro, chega a oportunidade de jogar e ele sai contundido pela segunda vez seguida?

3 – O menino Vizeu precisa ser benzido. Todo mundo pedindo por ele como reserva do Guerrero a porra do ano inteiro, xingando o Damião por tomar o lugar do artilheiro da base, chega a chance de ser titular numa final de Copa do Brasil e ele me fode o joelho sozinho numa jogadinha ordinária?

Resumindo: seria bacana dar uma benzida geral nas nossas promessas, o olho-gordo da concorrência está causando estragos.

Já o Conca finalmente entrou em campo por longuíssimos 17 minutos e mostrou que evidentemente não está pronto para atuar em nível competitivo. Difícil crer que chegará a ser jogador do Flamengo de fato se só ficar até o fim do ano. Uma pena.

Rômulo não se encontrou desde que chegou. Ou melhor, parece que ainda não chegou. Ao menos seu futebol continua perdido em algum lugar e seria auspicioso que o encontrasse.

Longe de mim querer cornetar o mestre colombiano, mas teve uma coisa que pela primeira vez me levantou as orelhas em relação ao nosso novo treinador. Suas escalações andam dando a impressão que para Don Rueda os laterais podem ser literalmente qualquer um desde que não passem do meio campo. Digo isso porque ele já meteu o Vaz na lateral-esquerda, inverteu o Parazinho (seleção) para o outro lado, e contra o Paraná colocou o moleque Klebinho do sub-sei-lá-que-idade jogando do lado esquerdo, o oposto que ele está acostumado, e o Gabriel, sim, o fucking Gabriel, mano, o Gabriel, socorro, o Gabriel, na lateral-direita!

E Ruedón não parou por aí. Forçou a amizade legal ao dar a braçadeira de capitão ao Marcio Araújo. Foi o beijo da morte.

Nenhum time jamais sairá com a vitória se tiver Marcio Araújo como capitão.

Mesmo que jogue contra o nada, uma cratera se abrirá no campo, todos serão dragados e em seguida um vendaval empurrará a bola para dentro do gol decretando a derrota inapelável.

Vencer com Marcio Araújo em campo é difícil. Como capitão é impossível.

E se Muralha estiver guardando a meta então…

Eu tento acreditar no Sr. Alex. Mas ele não ajuda.

O gol de falta que ele tomou foi dos mais bisonhos da sua farta coleção de gols toscos sofridos só esse ano.

Depois, na disputa de pênaltis, reafirmou sua incapacidade absoluta de esperar o batedor chutar a bola antes de escolher um canto e se atirar. É um talento e tanto para ser péssimo nisso.

Gostaria de acreditar que Thiago será nosso guarda-metas na finalíssima contra o Cruzeiro, mas depois da polêmica capa do Extra, se tornou quase impossível que Muralha não seja escalado para “calar a boca dos críticos”.

Espero que Rueda não caia nessa besteira, tenho total fé na serenidade do nosso comandante.

Já eu estou sem dormir. Quarta-feira será o jogo do século.

Pelo menos até a outra quarta.

 


Pedro Henrique Neschling nasceu no Rio de Janeiro, em 1982, já com uma camisa do Flamengo pendurada na porta do quarto na maternidade. Desde que estreou profissionalmente em 2001, alterna-se com sucesso nas funções de ator, diretor, roteirista e dramaturgo em peças, filmes, novelas e seriados. É autor do romance “Gigantes” (Editora Paralela/Companhia das Letras – 2015). Siga-o no Twitter: @pedroneschling

 


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Foto no post e nas redes sociais: Gilvan de Souza/Flamengo.

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