Jogadores afetados pela falta de confiança não conseguem jogar bem, enquanto “ex-vilão” se torna peça chave para o time

Blog Flamengo em Foco | Rafael Bizarelo – Twitter: @rafxzel

A pressão existente para jogar no Flamengo é enorme. E muitos jogadores não conseguem corresponder ao esperado. Vitinho e Michael custaram muito aos cofres do Rubro-Negro e recebem muita pressão dos torcedores. A confiança dos atletas é essencial para o rendimento durante seus minutos de jogo.

Vitinho é, sem dúvidas, um dos jogadores mais criticados pelo torcedor. Contratado em julho de 2018 junto ao CSKA Moscow, da Rússia, por 12 milhões de euros, valor que chegou aos 53,9 milhões de reais na época, pois houve um acréscimo de 18% no valor total (44 milhões de reais) por conta de um imposto da Receita Federal por se tratar de uma transação comercial de compra dos direitos do econômicos de um jogador vindo do exterior.

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O valor exorbitante se tornou ainda maior por conta da falta de rendimento em campo. No ano de sua chegada, jogou 26 jogos, sendo 20 como titular, marcando 3 gols e dando 5 assistências. A tendência para o ano seguinte era um aumento de nível, visto que Vitinho participaria da pré-temporada de 2019. Os números não melhoraram, e nos 52 jogos em que jogou com a camisa do Flamengo, começou como titular em apenas 20 partidas, marcando 9 gols e dando 3 assistências.

Nem mesmo a chegada de Jorge Jesus conseguiu recuperar a confiança de Vitinho, mas algo diferente aconteceu com Willian Arão, volante que já estava há anos no clube, e sempre foi alvo de críticas. Arão teve o seu futebol elevado totalmente com a chegada de Jorge Jesus ao Flamengo. Com Cuéllar saindo, abriu-se um espaço maior para ele jogar como um primeiro volante, visto que essa função era do colombiano.

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A chegada de Gerson serviu para completar o meio de campo, dessa forma garantindo que Arão faria a saída de bola e Gerson seria o segundo volante. Comparando o mapa de calor de Willian Arão nas edições de 2018 e 2019 do Brasileirão, vemos a diferença na sua presença em campo. Vale ressaltar que Arão jogou mais vezes em 2019, tendo 35 partidas no campeonato (33 como titular), enquanto em 2018 foram 22 jogos (15 como titular).

Mapas de calor comparando o desempenho de Willian Arão em 2018 e 2019 – (Foto: Rafael Bizarelo/MRN)

Com Jorge Jesus, Arão não só foi colocado para jogar em uma posição mais adequada às suas características, mas também teve a sua confiança elevada pelo treinador, sendo um elemento importante para a conquista de títulos em 2019.

Lincoln é mais um jogador totalmente afetado pela falta de confiança e pelas críticas do torcedor. Aos 19 anos, o atacante não teve uma adaptação boa na transição base-profissional. Desde 2017, ano em que subiu para o profissional, Lincoln não conseguiu acumular uma sequência como titular, e como resultado de diversos erros dos responsáveis pela transição, deixou de mostrar o futebol goleador que tinha na base do Flamengo.

A pressão de ter que marcar gols e fazer partidas excelentes é enorme para um jogador jovem como Lincoln. Com o Flamengo investindo em Pedro, o cria tende a ser menos utilizado, e a paciência se esgota a cada chance que o jogador recebe, ainda que, nos últimos jogos tenha feito bons jogos.

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Outro jogador que passa a entrar na mesma problemática de Vitinho é Michael, que também foi contratado por um valor muito alto. Revelação do Brasileirão de 2019, o jogador se destacou muito pelo Goiás, e o Flamengo decidiu desembolsar 7,5 milhões de euros (34,5 milhões de reais) por 80% dos direitos econômicos de Michael.

Em campo, o jogador teve poucas chances começando como titular, sendo apenas 7 partidas iniciadas entre as 28 jogadas. Somando as competições, foram apenas 3 gols para Michael. Mesmo sem conseguir uma boa sequência como titular, as críticas são feitas para o ponta, que também não desempenha bem. Pressionado, o jogador tem a confiança diminuída, e perde chances claras, como na última partida contra o Goiás (13/10).

A pressão para jogar no Flamengo é muito grande, e muitos jogadores terão a confiança abalada. Com o treinador certo e algumas mudanças, as coisas podem voltar ao normal, como foi o caso de Arão.

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*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Rafael Bizarelo / MRN (utilizando imagens de divulgação do Flamengo)