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Domènec Torrent, com seu esquema de rodízios para poder sobreviver em diferentes competições, terá opções para usar Pedro e Gabigol juntos ou separados

MRN Informação | Rafael Bizarelo – Twitter: @rafxzel

Gabriel Barbosa é um ídolo do Flamengo. Autor dos dois gols responsáveis por virar a partida contra o River Plate na final da última Libertadores, o atacante de 24 anos seria, em condições normais, titular absoluto do Flamengo. A situação atual, porém, mostra Pedro como um forte candidato à titularidade. Domènec Torrent tem os dois como opção para uma vaga ou também pode contar com dois excelentes centroavantes para a sua equipe.

Em primeiro lugar deve-se entender o contexto em que o futebol brasileiro se encontra no momento, principalmente um clube como Flamengo, que está em diversas competições. A pandemia piorou um calendário que já era péssimo. O desgaste físico já seria enorme apenas com o Brasileirão, mas o elenco rubro-negro irá disputar a Copa do Brasil e já se prepara para a volta da Libertadores. É natural que Domè passe a priorizar alguma competição em detrimento das outras, ainda podendo explorar o vasto plantel de qualidade do Flamengo para conseguir competir em diferentes eixos.

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Ainda assim, a pergunta continua. Afinal, quem deve ser o atacante titular do Flamengo nos jogos mais importantes?

Ninguém deve ter vaga fixa no time. O próprio Domè já falou sobre Gabigol ter começado a vitória por 2-1 contra o Fortaleza no banco: “Foi decisão técnica. Mas ninguém vai jogar todos os jogos. Se você quer rendimento, precisam que todos estejam 100%. Para nós é importante o elenco, ninguém é mais importante que o grupo”.

Além da questão de rotação por conta do desgaste físico, deve-se pensar também nas diferentes abordagens dependendo dos jogos. Uma partida contra o Palmeiras de Luxemburgo requer um time diferente do que irá jogar contra o Atlético Mineiro de Sampaoli ou contra o São Paulo de Fernando Diniz. Em uma partida, o adversário irá esperar o seu ataque, em outra a pressão será executada de forma mais forte e com o time atacando cada vez mais. A falta de um titular fixo é normal, esperada e necessária.

A diferença entre Pedro e Gabigol não é retratada pelos números, mas pela forma em que o Flamengo encara as partidas. São atacantes diferentes que podem se completar jogando juntos.

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Jorge Jesus já queria Pedro no início de sua passagem pelo Flamengo, pensando talvez em utilizar Gabigol na ponta-direita. O desejo do treinador português fazia sentido, tendo em vista que o uso de um camisa 9 fazendo pivô e jogando de costas para o gol seria melhor com Pedro, um jogador mais alto – Pedro tem um 1.87 m, enquanto Gabigol tem 1.78 m – e com maior capacidade para jogar em tal função, como o atual camisa 21 do Flamengo mostrou já em sua passagem pelo Fluminense, onde teve destaque em 2018 antes de sua lesão.

Gabigol não é um centroavante clássico, não tendo características de retenção, ou seja, de segurar a bola, fazer pivô em todas as jogadas. A sua capacidade na ponta-direita também é limitada, tendo em vista que Gabriel não tem características capazes de fazer deveres defensivos necessários. Dessa forma, entende-se que seu uso seria como um clássico segundo atacante, explorando a sua mobilidade e capacidade de infiltração na área ou até de participação em setores recuados ainda do ataque.

Para um jogar, o outro não precisa sair, mas o rodízio ainda precisa ser considerado e entendido. É natural, não há o que fazer. Além do mais, vale observar a participação de Lincoln no gol marcado por Gabigol para dar a vitória ao Flamengo contra o Fortaleza.

A torcida rubro-negra não é muito simpática ao atacante de apenas 20 anos, mas a sua participação no gol foi vital, mesmo sem tocar na bola. Enquanto Matheuzinho avança pela lateral direita recebendo o passe de Éverton Ribeiro, Lincoln avança com velocidade para a área, puxando a marcação do Fortaleza consigo. Gabigol vê a movimentação inteligente de Lincoln, diminui a sua corrida e aparece livre como opção de passe para o Matheuzinho, que com uma boa visão de jogo toca para o camisa 9 virar o jogo.

A utilização dos dois atacantes nessa jogada foi inteligente e precisa. Em muitos times, o que se vê é a corrida dos dois jogadores para dentro da área, uma bagunça com os defensores adversários e um chuveirinho mal sucedido. A jogada possivelmente foi treinada por Domènec, que atribuiu uma inteligência rápida de jogo ao jovem atacante rubro-negro e à Gabigol.

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*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Marcelo Cortes / Flamengo

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