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O jogo contribui com pouco para uma projeção do futuro do implacável Flamengo Master Destruidor de Sonhos e Derrubador de Prognósticos

Por Arthur Muhlenberg – Twitter: @Urublog

Desde o tempo de Otelo Caçador que muito não há para se falar de nenhum jogo de estreia do Campeonato Carioca. São eventos festivos, tipo primeiro dia de aula, onde as exigências de desempenho esportivo são geralmente moderadas.  Os times grandes treinaram pouco e a rapaziada ainda está longe do seu ápice atlético. Ainda por cima a literatura médica recomenda que sob as calcinantes temperaturas médias dos janeiros cariocas haja redobrada atenção à hidratação adequada e que se evite a correria e os esforços desnecessários. São motivos mais do que razoáveis para que o torcedor que deseje praticar ilegalmente o comentarismo esportivo não se afobe no manejo da navalha da análise.

 Jane Birkin
Jane Birkin. Foto: S. E. Orchard/Express / Getty Images

Já está convencionado que antes das semifinais da Taça Guanabara (quiçá depois também) o Carioca é, essencialmente, café com leite. Todo mundo sabe que o bicho só pega na Liberta e que o Carioca hoje em dia só serve de desculpa pra demitir treinador no 1º semestre. Outra convenção arraigada entre os fãs do futebol é que o Flamengo tem que ganhar do Bangu sob quaisquer circunstâncias, em qualquer terreno, época ou competição, faça chuva ou faça sol. É natural que o Bangu não compartilhe publicamente desse ponto de vista, mas a real é que até os banguenses mais cascudos sabem que é mais fácil um rico com as amizades certas entrar no reino do céu do que o Bangu dar uma pernada no Flamengo.

Por isso o resultado do jogo de ontem no Maraca contribui com pouco para uma projeção do futuro do implacável Flamengo Master Destruidor de Sonhos e Derrubador de Prognósticos ao longo da temporada. A impressão mais forte que ficou é que o Flamengo de 2019 até agora parece demais com o Flamengo de 2018 sem Paquetá e Rever. O que parece ser natural. Falta entrar as estrelas recém contratadas, falta entrosar esses milionários todos em campo, falta um monte de coisa. Inclusive falta uma motivação maior para os jogadores do que acabar logo essa pelada pra tomar uma chuveirada porque tá um calor infernal. Mas é o que o Carioca tem para nos oferecer.

O Flamengo ganhou, fez mais gols que o adversário, mas é possível que se diga que o placar não fez justiça ao que aconteceu no gramado. Ninguém deixa de ser Flamengo só porque viu a olho nu que o primeiro pênalti marcado a favor do rubro-negro foi um escandaloso erro da arbitragem. Nem vira corrupto só porque comemorou o pênalti maroto, que como dizem os simpáticos é uma prova de que o Flamengo recuperou sua força junto à proba Comissão de Arbitragem da não menos ínclita FERJ. Pênalti muito roubado, mas dane-se, Diego foi lá e empatou. Na hora o medo de alguns era que Rodrigo Caio fosse dar uma de honesto, mas felizmente ele soube refrear seus instintos legalistas. Talvez tenha optado por ficar no sapatinho por ter sido avisado que sua participação no gol banguense tinha sido mais proativa do que o manual de etiqueta dos zagueiros recomenda.

No segundo tempo viramos o jogo com gol de Rhodholpho em jogada de Everton Ribeiro, mais uma vez o melhor em campo. E teve um pênalti pênalti mesmo desperdiçado pelo Diego, que já mostrou inúmeras vezes que não possui as qualidades necessárias para exercer o papel de cobrador oficial do Flamengo. Essa insistência dele em ser o macho-alfa do time enche o saco. Volta, Douradão!

Com vantagem no placar, um homem a mais que o adversário e o Bangu com meio palmo de língua pra fora o que poderia ameaçar o Flamengo além do desafio da salubridade? Mesmo assim Abel foi fiel aos seus princípios e terminamos o jogo com 3 volantes de fé no gramado. Pode não significar nada, mas esse final de feira à Bangu é exatamente o Flamengo que a torcida não quer mais ver.

Torcida que mais uma vez foi o destaque absoluto da partida. Estão de parabéns. Se houvesse alguma compostura nesta terra incandescente o governador corintiano jamais se prestaria ao constrangedor papel de aparecer em público fantasiado de torcedor pra ficar na aba do Flamengo. E se houvesse por aqui alguma justiça os mais de 43 mil verdadeiros rubro-negros que foram ao Maracanã teriam recebido um cachê.

Mengão Sempre


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