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Então sossega aí e espera. Não é só porque a gente perdeu Jesus, que quis ir embora, que precisamos arrumar um Judas

Blog Respeite o Flamengo | Por Lucas Dantas – Twitter: @letradolucas

Vamos lá.

Por que eu acho uma injustiça, ou sacanagem, essa mania de atacar o Dome neste momento, algo que para mim é encomendado e relembra os tempos de jornalismo-crise que nego fazia para derrubar todo mundo e vender mais jornal? E não sou nem um pouco entusiasta de atacar imprensa, muito pelo contrário. Me enquadro completamente à parte da tal milícia. Mas vamos ver.

Jorge Jesus foi anunciado pelo Flamengo no dia 01 de junho de 2019. O time teve, naquele ano, uma pré-temporada razoável, com a Florida Cup, disputou/ganhou o Estadual e estava classificado na Libertadores. Mas o time não empolgava e o Abel saiu. Quando Jesus foi anunciado, o Flamengo era treinado pelo Fera e esperava a pausa da Copa América. Ela veio no dia 13 de junho, mas acabou já no dia 20, com a chegada do JJ. Sete dias de pausa.

No dia 20, Jesus começou a trabalhar com os caras, sem o pessoal da Copa América. Arrasca chegou no dia 02, Trauco continuou com o Peru até o final e Cuellar pediu mais tempo.

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No dia 20 de julho, 20 dias depois do primeiro treino, a estreia. Empate contra o Athletico. Depois, goleada no Goiás (que todo mundo goleou), outro empate contra o Athletico, em casa, e eliminação, empate contra o Corinthians, derrota para o Emelec, com escalações estranhas, vitória sobre o Botafogo, recuperação sobre o Emelec, surra do Bahia, e depois embalou e aí virou história.

Neste período, estrearam, Rafinha (14/07), Gerson (21/07), Mari (28/07) e Filipe Luis (04/08). Até embalar contra o Grêmio (3×1 em 10/08), foi-se UM MÊS da primeira partida, quatro reforços indicados pelo técnico, uma mini-pré-temporada e um ânimo renovado pela equipe, que tinha em Gabriel e Bruno Henrique uma dupla mortal, Arão jogando o fino, dois laterais world class, torcida lotando o estádio e tudo a seu favor.

A temporada do Flamengo em 2020 começou para o time titular contra o Resende, no dia 03 de fevereiro. Para variar, e como em 2019, aniquilando quem vinha pela frente. Athletico na Supercopa, Independiente na Recopa, Junior e Barcelona na Libertadores.

Aí o mundo parou.

O time entrou de férias. Passou março e abril inteiros coçando. Voltaram com acompanhamento à distância e treinos em casa. Forçando um retorno para jogar, quando quase ninguém o fazia, o clube conseguiu o Estadual de volta e, no dia 18/06, venceu o Bangu por 3×0. Um jogo onde não foi a grande atuação que ninguém esperava. Depois, outra vitória assim-assim contra o Boavista, mais uma contra o Volta Redonda, com zero brilho e protocolo total. Aí perdeu a Taça Rio para o Fluminense. Precisou de mais dois jogos, onde atuou absurdamente mal, e ganhou o título porque, no final das contas, tinha mais time. Mas quem jogou para ganhar mesmo foi o Fluminense.

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O Flamengo jogou mal. O técnico era Jesus, o time era o mesmo, mas o time jogou muito mal. Aquela equipe que estava embalada sentiu a pausa forçada? Menos motivação sem torcida no estádio? Enfim, Jesus foi embora. O time folgou e voltou a treinar com Mauricio Souza, que sabia que não seria o técnico oficial, no dia 22 de julho. Ninguém sabia quem seria o treinador.

O Flamengo anunciou o Domènec no dia 31 de julho. No dia 03 de agosto, ele comandou seu primeiro treino. No dia 09, o primeiro jogo contra o forte Atlético Mineiro, que havia jogado no dia 05 e no dia 02 do mesmo mês, além de duas partidas no final de julho. O último jogo do Fla havia sido dia 15/07, na final do estadual. O time teve duas quebras no ritmo, uma forçada pela pandemia e outra pelo título estadual.

Sem reforços. Dome perdeu o Rafinha. Bruno Henrique, Gabriel, Arrasaceta, Gerson e Arão, peças fundamentais, não jogaram nem perto do que faziam em 2019. Pablo Mari já havia saído em janeiro, mas as atuações do time, antes da parada, mascararam um problema na zaga que se evidenciou na volta do Estadual e parece mais latente agora: nenhum zagueiro novo é o Pablo Mari.

Estamos no dia 24 de agosto. Os times querem vencer o Flamengo do ano passado. Todos os times tiveram estadual e brasileiro próximos, menos os cariocas. Mas os cariocas, tirando o Flamengo, apresentam, dentro de suas limitações, mais vontade em campo. O Flamengo parece um time morto, desinteressado, que joga por obrigação. Nem um mês se passou do primeiro treino de Domènec. 21 dias, para ser mais exato, com cinco jogos. Jesus teve 20 dias até o primeiro jogo e ganhou quatro reforços no segundo mês de trabalho. Dome perdeu um dos principais jogadores, veio cheio de desconfianças e muita gente soltando muita história interna para atrapalhar, como sabemos que o Flamengo adora fazer.

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O Flamengo foi buscar lá fora uma solução para um problema que não foi criado por ele. Jorge Jesus resolveu cair fora do nada, sem nenhuma explicação. Ficaram apenas as hipóteses e Domènec aceitou a missão. As pessoas queriam o que? Só porque é gringo já chegaria ganhando tudo? O mesmo Fla que já não jogava bem com Jesus depois da volta. O Fla decantado por todo mundo como o melhor time do Brasil, que ganharia facilmente, cujo elenco era absurdo, que tinha uma seleção e ainda havia se reforçado, que nem precisava de técnico. Agora, a culpa é do cara que chegou há menos de um mês? Ou só dele?

Dome vai dar jeito no time? Eu acho que sim, acredito que o time precisa de mais uma ou duas rodadas para engrenar fisicamente. Tanto que, mesmo jogando mal, não perdeu para Grêmio e Botafogo, times que, no momento, estão melhores. O talento está ali, esperando para acordar de novo. Vamos ver o que sai dessa semana, agora temos um lateral de novo, Thiago Maia está pedindo passagem e sempre é bom ter jogador com fome de bola para fazer sombra a outros. Pedro sempre entra, deverá jogar contra o Santos de saída.

E por que eu acho que o Flamengo vai engrenar? Porque o time é mesmo muito melhor que os demais. Se ganhar uma boa, ganhar uma segunda, já passa o seu recado. Daí os caras passam a marcha e vão. Basta ver o resto do campeonato. Absolutamente nenhum time está jogando bem. Se o Fla jogar 50% de 2019, ganha o Brasileiro e esse time pode jogar esses 50% (hoje não está nem 30%). A Libertadores é outra questão, não faço ideia dos cenários sul-americanos e como estão os times. Mas se embalar em um, o outro caminha junto. É meramente uma questão de olhar os dois lados. O do Fla, que tem um time ali pronto para ser lapidado de novo, e os demais, que são inconstantes. Ganham um, perdem outro, vivem nessa gangorra. Queiram ou não, o Fla já não perde há três rodadas. Sabe quem está assim? Botafogo e Vasco. Eles vão ganhar o Brasileiro? Nem o Inter tem essa sequência.

Para quem pede “o meu Flamengo de volta”, está aí. O de 2019 era o fora da curva. O Flamengo é esse aí, impaciente, cheio de gente de dentro querendo prejudicar e gente de fora que só sabe reclamar.

Então sossega aí e espera. O time de 2019 tá lá. Cobremos de todo mundo. Não é só porque a gente perdeu Jesus, que quis ir embora, que precisamos arrumar um Judas. É todo mundo romano lá. A cobrança é geral.

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*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Alexandre Vidal / Flamengo

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