Preço dos ingressos: debate irrelevante para a Nação

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A inauguração da Ilha do Urubu reacendeu uma polêmica que imaginei sepultada: o preço cobrado pelo Flamengo em seus jogos como mandante.

Os preços nominais divulgados – por sinal, muito diferentes do preço efetivamente cobrado, cuja média é inferior a R$ 60,00 – deram margem a críticas enfezadas e ao velho debate em torno de uma chamada “elitização” do futebol e até do Flamengo – logo o Flamengo, nascido em campo aberto na Praia do Russel, onde qualquer do povo via o escrete treinar.

O que esse debate omite, para conveniência de seus entusiastas e que falam em causa própria, mas se arvoram em representantes de muitos, é que o preço cobrado pelas entradas só tem relevância para os 15 mil pagantes da Ilha do Urubu ou, vá lá, os 50 mil pagantes do Maracanã.

Ora, que sentido há em um clube como o Flamengo, que tem dezenas de milhões de torcedores, criar políticas exclusivas para essa minoria, por mais nobre que seja, em detrimento dos interesses da imensa maioria, para a qual as prioridades são outras?

Pessoalmente, gosto muito de ir aos estádios, fui criado nas cercanias do Maracanã, lá estive, sem exagero, mais de 200 vezes. Mas isso não me dá o direito de medir o mundo pela minha régua. Há tantos rubro-negros que não se sentem à vontade naquele ambiente, tantos que são jovens demais, velhos demais, preguiçosos demais, ocupados demais, cansados demais, ansiosos demais que estar no estádio não faz parte de suas prioridades.

E, além desses tantos, há os que simplesmente não moram no Rio de Janeiro. Se o Flamengo tem, como acredita ter, 40 milhões de torcedores, salta aos olhos que a maior parte dos rubro-negros não mora perto do estádio, já que na Região Metropolitana carioca há 12 milhões de pessoas e nem todas são Flamengo.

Assim, quando em um jogo lotado há 60 mil fanáticos empurrando o time, há no mínimo 100 vezes mais torcedores sentados em frente à TV, torcendo do jeito que sabem/gostam/podem.

Aliás, são esses os verdadeiros excluídos desse debate acerca do “quanto custa apoiar o Flamengo”. Tive a curiosidade de ver quanto custa contratar, aqui na minha cidade, um plano básico que dê direito ao canal Sportv e aos canais PFC: R$ 236,90 mensais!

Está no site do clube, para quem quiser conferir. No orçamento desse ano, o Flamengo esperava arrecadar 23% de suas receitas através da bilheteria, faturando pouco mais de R$ 61 milhões. Se o clube fizesse, sei lá, 61 jogos por ano (deve ser menos, mas só para não ter que pegar a calculadora), teria que arrecadar cerca de R$ 1 milhão por jogo.

Ora, se o Flamengo está lá na Ilha do Governador, atendendo aos desejos de 10 entre 10 de seus críticos, que se esgoelaram ano passado quando o time excursionava, basta ver quanto o clube precisa obter de preço médio caso venda os 15 mil ingressos a que tem direito: R$ 66,00. E, como eu disse antes, mesmo com esses preços elevados, o clube conseguiu receber R$ 57,00 em média.

A vida do Flamengo não é fácil. Seus maiores concorrentes têm estádios prontinhos, novinhos e cobram o que bem entender e com muito menos gritaria, enquanto a gente tem que matar um leão por dia.

Eu entendo muito o lado de quem mora no Rio e está, legitimamente, reivindicando o direito de pagar menos pelo prazer de assistir os jogos. Se eu estivesse nessa condição, também chiaria.

Mas não é possível perder de vista que esse debate só é relevante para aqueles que podem se dar ao luxo de ir até a Ilha do Governador. Para a Nação Rubro-Negra, por mais estranho que isso possa soar, é bem mais relevante garantir que o clube conseguirá atingir a performance orçamentária, porque é nela que se amparam os ganhos estruturais que todos esperam um dia ver traduzidos em conquistas desportivas.

Não é fácil e nem simpático cobrar tão caro por entradas de jogos, mais ainda atingindo quem se acostumou a pagar barato por elas anos atrás. Mas não concordo que isso represente uma “elitização”.

Fui conferir a definição precisa de “elite”: 1) o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, esp. em um grupo social; 2) minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social. Dado esse conceito, me sinto seguro para afirmar que nada pode ser mais elitizado do que planejar o futuro do clube a partir dos interesses particulares de um nicho muito específico de torcedores, por mais valiosos e importantes que estes sejam.

Posso ser solidário, mas exijo reciprocidade: se tá ruim pra quem quer ir na Ilha, imagina para quem tem que pagar o PFC! E nem por isso a gente tá aí amaldiçoando o pessoal da Globosat.

 
Walter Monteiro é advogado com MBA em Administração. Membro das Comissões de Finanças do Conselho Deliberativo e do Conselho de Administração do Clube de Regatas do Flamengo. Escreve sobre as finanças do clube desde 2009, em diferentes espaços.


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